Rachel Maia, líder e empresária, ensina: “a inclusão é um aprendizado constante”

Para a conselheira da Unicef, os avanços do setor não devem ser ignorados.

Donata Meirelles
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Claudia Mifano
Claudia Mifano

Rachel Maia está se dedicando à sua consultoria de empresas, focada em diversidade, inclusão e sustentabilidade

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Nas duas últimas décadas, a paulistana Rachel Maia pavimentou um caminho de sucesso – como executiva, CEO e empresária – entre as mulheres mais poderosas do país. Depois de deixar sua marca profissional no mercado de luxo, atuando na americana Tiffany, na dinamarquesa Pandora e na francesa Lacoste, Rachel agora presta consultoria, é conselheira de prestigiosas instituições e empresas, faz palestras e está engajada na inclusão e na diversidade no mundo corporativo e na sociedade em geral.

“Estou em um momento muito importante”, declara com plena consciência da dificuldade atual de se ter uma visão a longo prazo tanto do Brasil como do mundo. “A situação é desafiadora”, reconhece, “mas temos de olhar de maneira mais abrangente para os nossos aspectos internos”. Rachel chama atenção para a adequação em um mercado com regras claras, porém com metas e cobranças um tanto nebulosas. “Precisamos transformar, mas a questão é como fazer essa transformação”, observa.

Por isso, diz que tem colocado em prática, mais do que nunca, tudo que vem estudando há dez anos sobre ESG – Enviromental, Social and Governance – as melhores práticas empresariais em termos ambientais, sociais e de governança. “Eu me interesso, sobretudo, pelo S porque o fator social é o mais importante em todos os aspectos”, ressalta.

Em setembro do ano passado, Rachel deixou a Lacoste, depois de dois anos como CEO da marca no Brasil, para entrar em um novo ciclo. “Estou me dedicando à minha consultoria de empresas, focada em diversidade, inclusão e sustentabilidade. E, nos próximos dois anos, prossigo no conselho consultivo da Unicef, nos conselhos administrativos do Grupo Soma – que reúne marcas de sucesso na moda como Farm, Animale e Cris Barros – como conselheira independente de uma empresa que vai fazer IPO e fui indicada para o conselho do Banco do Brasil”, informa. Além de prosseguir como palestrante, embaixadora da Sustenido – ONG cultural que administra o Projeto Guri – e tocando o Capacita-me, projeto social idealizado por ela e destinado à capacitação, apoio e auxílio a pessoas desempregadas e em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

“É muito importante frisar que sempre deve haver tempo e espaço para se cuidar do próximo e que uma sociedade só se fomenta através da educação e do empoderamento dos indivíduos”, diz Rachel.

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De uma família paulistana com sete filhos, Rachel Maia é formada em Ciências Contábeis pela FMU, em São Paulo, fez especialização em Harvard e aperfeiçoou seu inglês no Canadá. “Em Vancouver, quando a grana ficava curta, eu dava aulas de samba para os coreanos que viviam lá”, diverte-se lembrando.

Com certeza vem daí o jogo de cintura que ela utiliza para dar conta de uma agenda “desafiadora”, como ela gosta de classificar, porque “gero muita expectativa e responsabilidade”. E também para enfrentar os desafios do mundo corporativo, como a questão da inclusão e da diversidade no mercado de luxo.

“Já fui a única negra em posição de comando neste setor no Brasil, mas devo dizer que temos feito alguns avanços que não devem ser ignorados. Ao mesmo tempo, devemos dar tempo ao interlocutor – que vai do investidor ao consumidor – para assimilar essas mudanças”, pondera. Segundo ela, no mercado da moda é preciso que haja uma mudança de mindset nas empresas, para que os desfiles e as campanhas publicitárias de uma marca com modelos negros, encontrem a mesma representatividade tanto em seu atendimento quanto em sua liderança. “É esse o momento de transformação que estamos vivendo. Porque enquanto a geração anterior ainda é resistente à mudança, a nova geração chega com outro approach”, explica.

Enquanto isso na vida off-business, Rachel Maia é mãe coruja de Sara Maria e Pedro, gosta de ver séries, de ler – está devorando “Momento de Voar”, de Melinda Gates, e tem a Bíblia “sempre por perto” – de festas e, confessa: “Adoro namorar!”.

A seguir, Rachel Maia, #MulherdeSucessoResponde:

Donata Meirelles: Com qual mulher de sucesso da história você mais se identifica?

Rachel Maia: Oprah! Gosto muito da história pregressa dela, com aquele começo muito sofrido e depois, como ela soube dar a volta por cima de maneira espetacular.

DM: Qual sua maior conquista, profissional e pessoal?

RM: Ser mãe. Sarah Maria é a minha conquista da maternidade biológica, quando eu não esperava mais. E o Pedro chegou quando eu não tinha mais esperança de uma adoção. Fiquei quatro anos na fila, achei que havia sido deletada, até que um dia me ligaram dizendo que tinha chegado a minha vez. Sendo mãe me tornei uma profissional melhor. A maternidade me ensinou a ser uma líder muito melhor.

DM: Não confunda sucesso com…

RM: Arrogância.

DM: Que qualidades você mais admira em uma pessoa?

RM: Respeito.

DM: Qual o seu maior luxo não material?

RM: Dormir.

DM: Se você pudesse ser um animal, qual seria? Por quê?

RM: Uma águia. A águia voa alto, tem a visão do todo e só pega aquilo que é necessário. Ela é certeira no alvo.

DM: Qual a sua filosofia de vida?

RM: Sou pela inclusão. Mas antes pensava na inclusão só daquilo que eu gostava. Agora sei que é preciso incluir também aquilo que ainda estou conhecendo. A inclusão é um aprendizado constante.

Com Mario Mendes e Antonia Petta

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

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