A origem dos vinhos rosés

Guido Mieth/Getty Images
Guido Mieth/Getty Images

Parece brincadeira, mas, se quiser experimentar feijoada com champanhe rosé, você se surpreenderá

Na Grécia Antiga, era considerado civilizado diluir o vinho. A crença era que só os bárbaros, bêbados e assassinos, bebiam o vinho puro. O rei espartano Cleômene I afirmou que o consumo do vinho puro causou a decadência dele, que foi preso e se suicidou. Forte esse vinho, hein?

As uvas, naquela época, eram colhidas e prensadas juntas, brancas e tintas, e eram pisadas e colocadas em ânforas para a fermentação. Esse processo de ânfora, que fazia com que evaporasse um percentual do líquido por causa da porosidade, os deixava com a característica oxidativa e mais tânicos. Os originais vinhos naturais, eis a receita.

Com a evolução natural da curiosidade e tentativas pois no mundo do vinho não se para, mas sim continua-se criando, separaram as uvas brancas das tintas. Gregos e romanos conhecem os brancos e os tintos, mas, os tintos eram muito tânicos e robustos e a preferência ficou para o rosé. Entendamos que, o rosé do momento era apenas tinto diluído em água! E beberam durante séculos.

Os Foceios trouxeram vinhas da Grécia para Marselha e utilizavam o mesmo processo, uvas tintas e brancas misturadas. Os rosés do sul da França, em Provença, ficaram conhecidos em todo o Mediterrâneo. Quando os romanos chegaram, eles já sabiam desta fama e, com suas habilidades comerciais, espalharam pelo resto do Mediterrâneo este vinho muito apreciado no verão, especificamente. Por isso que, ainda hoje, a Provença é considerada o epicentro do vinho rosé.

Na Idade Média circulava um boato que Bordeaux tinha feito um vinho violeta, o famoso clarete. Como Bordeaux estava sobre o domínio inglês, o vinho logo foi exportado pra lá e virou a nova coqueluche. Até meados de 1900, os ingleses e o clarete eram inseparáveis. No século XIX os franceses começaram a viajar para o sul da França e, depois de um belo banho de mar, um dia na praia, tomavam um rosé refrescante, e o local virou símbolo de glamour, prazer e verão. Et voilà!

Quais métodos para se fazer um vinho rosé?

Saignée: sangria, pela tradução. É quando se tira, logo após o inicio da fermentação, por volta de 10% do líquido em contato com as cascas das uvas tintas para que, este fique mais concentrado. E com mais antocianos e ácidos fenólicos, para quem tem interesse em vinhos com mais antioxidantes (sempre bom!). Todos os de apelação Côtes des Provence tem que ter no mínimo 20% de saignée, por lei.

Contato com a casca: neste, as uvas ficam em contato com o suco por horas ou dias. Esse é o método clássico.

Blending: misturar vinho branco e tinto. Não gera vinhos muito interessantes e era proibido fazer em Champanhe, na Provença, até 2009.

Quando for procurar um vinho rosé, pense nos seguintes critérios, a parte seu budget: os mais escuros são mais aromáticos, mais encorpados, podem acompanhar refeições mais elaboradas e os mais claros, são mais delicados, para aperitivos, mar, piscina, sem grandes preocupações.

Parece brincadeira, mas, se quiser experimentar feijoada com champanhe rosé, você se surpreenderá! Fica a dica para uma vida mais rosada.

Tchin tchin!

Carolina Schoof Centola é fundadora da TriWine Investimentos e sommelière formada pela ABS, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

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