Flávia Camanho: A sucessão pela perspectiva do sucessor

Nesta edição, a especialista em governança familiar aborda o ponto de vista do novo líder do negócio.

Flávia Camanho
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Martin Barraud/Getty Images
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Ser a pessoa que dará continuidade ao legado de sua família é uma tarefa delicada, mas muito bonita e gratificante

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Seguindo no tema sucessão, vou falar agora da perspectiva do sucessor. Como mencionei na primeira parte deste tema, na coluna anterior, na maioria das famílias, esse assunto é um grande tabu, pois traz à mesa tópicos como a finitude, mudanças, um conflito entre tradição e inovação. Então, jogando luz na perspectiva do sucessor, a questão segue merecendo muita atenção e cuidado. Ser a pessoa que dará continuidade ao legado de sua família, ao que foi construído pelos seus antepassados, algumas vezes pais ou avôs, é uma tarefa delicada, mas muito bonita e gratificante. Neste artigo vou me dedicar ao sucessor e seus passos mais importantes. Vamos assumir que a definição já aconteceu, você foi escolhido ou escolhida para ocupar uma cadeira-chave nos negócios da sua família. O meu primeiro convite é entender profundamente o contexto:

1) Qual é o momento da sua família em relação aos negócios?
2) Qual é o momento dos negócios?
3) Qual é a razão e motivação desta sucessão?
4)Como está a relação com a figura a ser sucedida?

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Digo isso porque as razões e a ordem dos fatos importam – e muito. Se foi um falecimento, se foi uma decisão planejada, se foi fruto de uma disputa ou algo natural. Todas essas variações de contexto irão interferir no tom de sua chegada: mais energético, mais acolhedor, com uma proposição de mudanças ou com uma mensagem de estabilidade, por exemplo. É preciso ter consciência do tom que se quer imprimir no seu novo papel.

Agora, vamos refletir sobre o seu posicionamento nesta sucessão. Proponho a dedicação de tempo para iniciar a reflexão:

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1) Como é sua relação com o negócio da família?
2) Como você imagina que irá colaborar para sua perpetuidade?
3) Qual é o valor que você espera agregar no processo?
4) Como será seu alinhamento com o sucedido? Existirá um reporte? Existem alçadas claras? Existe delimitação clara entre os dois?
5) Avalie as necessidades da sua organização: quais são os desafios que serão enfrentados para a perenidade dos negócios? Sua chegada deve promover grandes mudanças ou avanços incrementais?
6) Como você irá manter a família informada da sua gestão? Com qual frequência e em qual fórum?

Agora, faço aqui um recorte importante: independentemente do que aconteceu ao longo do caminho, é preciso honrar a história que o antecedeu. Existe um ditado africano que diz: “O rio que esquece sua fonte seca. O homem que nega suas origens não existe”.

Como sucessor de alguém que fundou um negócio, que construiu uma empresa que agora será dirigida por você, esta figura tem de ser mencionada, seus feitos, reconhecidos e seu percurso, celebrado. Feito isso de forma organizada e com um ritual de passagem bem definido, assuma o comando e comece seu mandato.

Ser um sucessor será um caminho de muitos aprendizados, que irá exigir humildade, paciência, firmeza de propósito e um exercício muito robusto de alinhamentos e alianças estratégicas.

Tive a honra de acompanhar líderes nessa difícil missão que é suceder grandes fundadores e minha visão sobre o processo é: entenda o contexto, defina seu tom, faça um ritual de passagem e assuma o comando, sabendo que é a sua oportunidade de agregar valor nessa história, dar a sua contribuição e viver este capítulo da vida. Afinal, esta é a sua vez.

Flávia Camanho Camparini é Conselheira, mentora e coach. Especialista em Desenvolvimento Humano e Governança Familiar. Fundadora da Flux Institute. Professora convidada do IBGC para programas de Governança e Next G.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Coluna publicada na edição 89, lançada em agosto de 2021


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