Reaprender a estar no mundo

Volta às atividades sociais e ao trabalho precisam incluir cuidados com a saúde física, autoconhecimento, diálogo e empatia.

Claudio Lottenberg
Compartilhe esta publicação:
Getty Images
Getty Images

Exercícios, como a dança, nutrem o corpo com substâncias que elevam o prazer, a autoestima e ajudam a equilibrar as emoções

Acessibilidade


No estágio em que nos encontramos da pandemia de Covid-19 no Brasil, com uma parcela expressiva – mais de 60% – de sua população completamente imunizada, já é possível, ainda com alguns cuidados e medidas protetivas como uso de máscara e higienização constante das mãos, falar em alguma volta à normalidade. Com isso, avançam os planos para o retorno ao trabalho presencial ou em formatos híbridos. Mas no dia 11 de novembro a pandemia completou 20 meses, um período longo e que exigiu demais de todos em termos emocionais.

Simplesmente voltar ao que éramos antes será muito difícil, assumindo que seja possível.

Será preciso um reaprendizado. Algumas pessoas comentam, em tom de brincadeira, que já não sabem mais como viver em sociedade – que desaprenderam como se comportar em público. Por mais que seja mesmo brincadeira, isso não está tão longe assim da realidade. Aristóteles disse que o homem é um animal que vive em sociedade – mas talvez isso seja algo que tenha de ser adquirido, não um traço de algum modo inato.

Listas, receitas, métodos, programas e recomendações de como nos reinserirmos no mundo circulam em abundância. Esses conteúdos são importantes, pensando que casos de ansiedade e depressão tiveram forte crescimento ao longo da pandemia – de 27,6% para a primeira e de 25,6%, para a segunda, segundo pesquisa publicada na revista científica The Lancet no mês passado. Mais do que em qualquer outro momento de nossas vidas, cuidar da saúde, tão atingida pelas consequências da crise sanitária, se faz necessário nesse caminho de volta à normalidade.

Seja qual for a fórmula a se seguir, nela não poderá faltar ao menos:

– Cuidado com a saúde física: o bem-estar físico não está desconectado da saúde mental. Ao praticar exercícios e estimular a liberação de dopamina e serotonina, estamos nutrindo nosso corpo com substâncias que elevam o prazer, a autoestima e ajudam a equilibrar as emoções. Aqui vale encontrar a atividade que mais combina com seu estilo, como uma caminhada pela manhã, yoga, práticas meditativas, natação e até uma dança de salão. Enquanto você cuida da sua saúde mental, o corpo também agradece. Com 150 minutos de exercício por semana é possível diminuir o risco de doenças como o diabetes.

Autoconhecimento: conhecer a si mesmo faz muito sentido quando falamos sobre saúde mental. Compreender o que gostamos de fazer, e isso inclui o trabalho, ao qual dedicamos grande parte do tempo de nossas vidas. Reconhecer nossos limites e se dar direito ao descanso e ao lazer.

Diálogo e empatia: as pessoas que estão retomando suas rotinas agora podem voltar com muitas sequelas desse período de isolamento. Mais do que nunca será preciso olhar para o capital humano e acolher aqueles que podem ter sofrido perda de familiares ou de amigos, ou estar com sequelas da doença, com problemas para dormir, ou que de outra forma estejam abaladas. Tudo isso lembrando que a pandemia não acabou e que ainda é preciso continuar com as medidas de proteção individuais e coletivas.

Claudio Lottenberg é mestre e doutor em oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). É presidente do conselho do Hospital Albert Einstein e do Instituto Coalizão Saúde.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Compartilhe esta publicação: