Preta Gil entre música, moda e ação social: “é o máximo poder ajudar, praticar o desapego e promover a economia circular”

Realizado desde 2007, o Bazar da Preta fez sucesso mais uma vez com sua segunda edição virtual neste ano.

Donata Meirelles
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Renda do evento beneficente de Preta Gil vai para programas sociais de assistência a comunidades carentes, como o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro

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Nada fácil encontrar um espaço na agenda da minha amiga Preta Gil nesta época do ano, para conversar sobre o seu já tradicional evento beneficente de Natal. Os preparativos para o concorrido Bazar da Preta, um sucesso desde a primeira edição, em 2007 – consomem boa parte de seu tempo. Sem falar dos compromissos familiares e profissionais – como a participação no júri do “Show dos Famosos”, na Globo – divididos em três cidades. “Desde que comecei a trabalhar, aos 16 anos, na agência de publicidade DM9, vivo entre São Paulo, Rio e Salvador”, lembra.

Finalmente conseguimos conversar, por telefone, um dia depois do bazar – que aconteceu na última quarta-feira – enquanto ela secava os cabelos: “Meu momento mais calmo do dia”, compartilhou. Preta estava exultante: “Mais uma vez, foi um sucesso. Vendemos praticamente tudo”, informou. A renda é destinada para programas sociais de assistência a comunidades carentes, como o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

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Assim como no ano passado, o Bazar da Preta teve edição virtual através da plataforma enjoei.com. “Adoro o momento presencial, para encontrar fãs, amigos e trocar energias. Mas já vimos o quanto esse vírus é perigoso e, portanto, é preciso ter cautela, manter os cuidados”, faz questão de alertar.

Para Preta, 2021 foi particularmente desafiador por conta de duas perdas. “Em maio, perdi para a Covid minha querida avó materna, aos 96 anos, e meu grande amigo Paulo Gustavo”. Os dois foram influência e inspiração nas origens e no desenvolvimento do Bazar da Preta.

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Ela guarda a memória de infância de sua avó trabalhando como voluntária nas obras assistenciais de Irmã Dulce, hoje a primeira santa brasileira. Preta ia junto: “Eu conheci Santa Dulce, ficava sentada no colo dela. Para mim, ela é uma presença viva e a minha santa de devoção desde sempre”, declara.

Paulo Gustavo era grande colaborador das ações sociais da santa e Preta conta ter recebido um chamado durante a missa de três meses da morte do amigo, em Salvador. “Foi na igreja de Santa Dulce e eu realmente senti que precisava assumir nem que fosse um milésimo do que o Paulo colaborava. Porque ele fazia muita coisa em benefício das obras assistenciais dela”.

Para quem perdeu o Bazar da Preta este ano, ela adianta que, atendendo à demanda, vai realizar uma edição no meio do ano. “Meu maior desejo com o bazar é que ele se torne mais profissional para podermos impactar um número cada vez maior de pessoas”, diz Preta cheia de determinação e fé.

É como diz a clássica canção de seu pai, Gilberto Gil: “A fé não costuma falhar”.

A seguir os principais trechos da conversa com a cantora Preta Gil.

“Desapego” é a palavra
“O Bazar da Preta nasceu de uma memória de infância. Minha mãe (Sandra Gadelha), todo final de ano, dizia para a gente desapegar dos brinquedos que a gente tinha, porque ela ajudava instituições – vários orfanatos – e aquela energia precisava circular. Então, em um momento, comecei a replicar isso na minha vida adulta. Em 2007, eu vivia um momento difícil. Morava em um quarto na casa do meu pai e tinha mais roupa do que lugar para guardá-las. Naquele final de ano, lembrei da fala da minha mãe sobre o desapego. Transformei aquele monte de coisas materiais em um instrumento para ajudar as pessoas. Foi também uma maneira de resgatar a Preta criança.”

Desde o tempo do Orkut
“O primeiro bazar aconteceu antes de uma das apresentações que eu fazia em uma pequena casa de shows no Rio. Só comuniquei os fãs, através do meu perfil no Orkut, e o resultado foi ótimo. Consegui vender tudo. Mandei o dinheiro para as instituições que minha mãe ajudava. No ano seguinte, a Cleo (Pires) achou a ideia ótima e resolveu participar. O resultado foi ainda melhor e pude colaborar com mais instituições. Em 2009, conheci o Rene Silva dos Santos, do jornal Voz das Comunidades, quando aconteceu aquela operação policial no Complexo do Alemão. A renda do bazar foi toda para aquela comunidade, que eu virei madrinha. Desde então, vamos crescendo a cada ano.”

Ação entre amigas
“A ajuda das amigas tem sido fundamental. Quando vai chegando o fim do ano, começamos aquela troca animada de mensagens e elas começam a doar. Bruna Marquezine, Tatá Werneck, Taís Araújo, Carol Dieckmann… É uma turma muito boa. Chegamos a reunir mais de mil peças entre roupas, sapatos, bolsas e acessórios. Muitos brechós, do Brasil inteiro, se abastecem no bazar. Temos produtos de qualidade, nacionais e importados, por bons preços. Uma bolsa Prada por R$ 200 ou R$ 300, por exemplo.”

Natal o ano inteiro
“É um bazar de Natal, mas temos um fundo de auxílio que funciona o ano inteiro. Além do trabalho no Complexo do Alemão, estou comprometida com outras comunidades e instituições que atendem famílias em situação de extrema vulnerabilidade social e econômica. Sem falar que realizar esse trabalho é muito prazeroso. É o máximo poder ajudar, praticar o desapego, promover a economia circular. É fazer o bem para todos os envolvidos.”

Bazar pop-up
“As duas edições online democratizaram ainda mais o bazar. Então, podemos ter uma edição híbrida, presencial e virtual. Quem sabe, fazer pop-ups em São Paulo e no Rio.”

20 + 80
“Ainda não retomei a agenda de shows e também não vou fazer o Carnaval este ano. Mas 2022 será um ano intenso, inclusive porque completo 20 anos de carreira como cantora. Vamos continuar na Europa a turnê da família, Nós a Gente, que está na Amazon Prime e comemora os 80 anos do meu pai.”

Com Mario Mendes

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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