Agropecuária tem a maior geração de empregos nos últimos 10 anos

Saiba por que, diferentemente de outras regiões do mundo, onde o agro está envelhecendo, no Brasil o agro está ficando mais jovem .

Helen Jacintho
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Histórico de excelentes resultados na criação de empregos tem como base um dos setores mais dinâmicos da economia

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O agronegócio tem sido responsável pela geração constante e duradoura de empregos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, o setor tem um saldo positivo de 140,9 mil novas vagas de trabalho no ano de 2021.

Mesmo com todos os desafios enfrentados pelos produtores rurais, como a alta dos preços dos insumos e a quebra de safra devido às alterações climáticas, o agro teve a maior geração de empregos na agropecuária nos últimos 10 anos. O setor vem mantendo um histórico de excelentes resultados na criação de novas vagas de trabalho, em 2020 a agropecuária liderou a geração de novos postos de trabalho com 98.320 novas vagas, sendo um dos poucos setores a apresentar saldo positivo no acumulado do ano.

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De acordo com o último relatório do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, referente ao 3º trimestre de 2021, o total da a população ocupada (PO) no Brasil é de 92,98 milhões de pessoas, a população ocupada no agronegócio é de 18,90 milhões de pessoas, portanto 20,33% da PO no país.

Ainda de acordo com o relatório do Cepea, “comparando o 3º trimestre de 2021 com o 3º trimestre de 2020 a PO no agronegócio cresceu 10,24%, demonstrando uma recuperação dos postos de trabalho prejudicados pela pandemia e seus desdobramentos, refletindo a conjuntura favorável ao agronegócio no período, com impacto potencial na geração de empregos.”

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Em termos geográficos, a região sudeste foi a que mais gerou novas vagas de trabalho no setor agropecuário, com 79 mil vagas, seguida do Nordeste (20,7 mil), Centro-Oeste (17,8 mil), Sul (8,8 mil) e Norte (8,1 mil vagas), respectivamente.

Além do saldo positivo, tem se observado uma mudança no perfil do trabalhador, os homens ainda são maioria, mas os novos postos de trabalho têm sido ocupados em maior proporção por mulheres. Paralelo a chegada das mulheres no campo, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dobraram nos últimos nove anos o número de trabalhadores rurais com ensino superior incompleto ou mais, no terceiro trimestre de 2012 totalizavam 189,8 mil e no mesmo período de 2021, já somavam 389,8 mil.

Brasil tem agro cada vez mais jovem

Diferentemente de outras regiões do mundo, onde o agro está envelhecendo, no Brasil o agro está ficando mais jovem, no final de 2021 o total dos trabalhadores rurais abaixo de 29 anos é o mais alto desde 2015 atingindo 2,2 milhões.

Segundo cálculos da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), entre as atividades que mais se destacaram em 2021, o cultivo de soja ocupa a primeira posição, com um saldo positivo de 22,2 mil novas vagas, seguido de perto pela criação de bovinos para corte, com a criação de 21,6 mil vagas. O terceiro maior saldo positivo vem do cultivo de cana-de-açúcar, com 8,9 mil novas vagas.

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O mercado de trabalho está intrinsecamente ligado ao sucesso econômico da atividade, em 2021 a economia do agronegócio respondeu por 26,6% do total do PIB brasileiro e neste ano a previsão é de que atinja 30% do PIB. O setor bateu um recorde histórico nas exportações, que alcançaram US$ 120,6 bilhões em 2021, alta de 19,7% em comparação com 2020.

Alguns fatores explicam o aumento da mão de obra no agro, primeiro o setor foi considerado essencial e não parou durante toda a pandemia, diferente de serviço e comércio, que tiveram suas atividades restritas, segundo foi o aumento no valor das commodities, que apesar da quebra de safra, incentivou a contratação de trabalhadores no campo.

De acordo com a CNA, os impactos da pandemia e a recuperação lenta da economia brasileira impediram que os resultados na geração de empregos fossem ainda maiores. Com o aumento da vacinação, a retomada econômica no período pós pandemia e as previsões de um ano mais favorável do ponto de vista climático, espera-se que se reflita no mercado de trabalho, estimulando a abertura de novos postos de trabalho.

Helen Jacintho é engenheira de alimentos por formação e trabalha há mais de 15 anos na Fazenda Continental, na Fazenda Regalito e no setor de seleção genética na Brahmânia Continental. Fez Business for Entrepreneurs na Universidade do Colorado e é juíza de morfologia pela ABCZ. Também estudou marketing e carreira no agronegócio.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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