Alessandra Blanco: “A inclusão é, antes de tudo, uma jornada”

Primeira mulher country manager da Yahoo Brasil, Blanco cuida da liderança e da cultura empresarial, além de responder pelo crescimento do negócio.

Donata Meirelles
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Yahoo/Divulgação
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Alessandra Blanco está no Yahoo há três anos

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A jornalista e executiva Alessandra Blanco começou 2022 com sucesso. Desde o mês passado é a primeira mulher a ocupar o cargo de country manager do Yahoo Brasil. “Respondo pelo crescimento do negócio no País – plataformas, conteúdo, vendas etc – além de cuidar da liderança e da cultura empresarial”, informa.

Alessandra chegou ao Yahoo há três anos, assumindo a diretoria de conteúdo editorial. Em 2012, ampliou o campo de ação para a operação latino-americana e Canadá. Assim, ela praticamente conquistou as Américas, com exceção dos Estados Unidos, a nave mãe do portal, criado em 1994, um dos pioneiros da internet.

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Sua nova posição coincide com o atual momento de tensão internacional, por conta da Guerra na Ucrânia: “Estamos realizando a cobertura da guerra através de vários parceiros, como a BBC”, conta.

Enquanto isso, o Yahoo Brasil ainda lida com os efeitos da crise anterior, a pandemia de Covid-19. Em trabalho remoto desde o fechamento de seus escritórios no início da quarentena, há dois anos, a empresa inicia a retomada presencial que deve acontecer em abril.

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“O sistema híbrido veio para ficar e já é uma política da companhia”, diz Alessandra. “Ao mesmo tempo, este ano teremos eleições e reabriremos os estúdios para realizar entrevistas e sabatinas com os candidatos”, avisa.

Prestes a completar 50 anos, Alessandra começou como jornalista na Folha de S.Paulo, nos anos 1990. Segundo ela, uma verdadeira escola. “Passei pela editoria de Cotidiano, pela Revista da Folha e fui para Nova York como parte do programa de trainees”, lembra.

Na sequência, transferiu-se para a Editora Abril, durante a primeira onda digital no Brasil. Ela então mergulhou com entusiasmo nos novos tempos trabalhando no portal iG, onde permaneceu por 14 anos: “Lá eu fiz um pouco de tudo, hard news, entretenimento, home page, branded content…”.

Depois, mais uma rodada de inovação como diretora de conteúdo da agência CUBOCC, trabalhando com grandes marcas como Coca-Cola, Unilever, Spotify e Netflix. “Assim fiz minha trajetória do jornalismo para a gestão de negócios e para os projetos de inovação”, enumera orgulhosa.

Já uma profissional experiente em mídia digital, Alessandra foi convidada pela editora Globo/Condé Nast para promover a transição online de suas publicações, entre elas Vogue Brasil e GQ Brasil. “Por dois anos tracei a estratégia e treinei a equipe”, recorda. E então surgiu o convite para o Yahoo. “Era realmente a empresa de comunicação em que eu queria trabalhar e o namoro vinha rolando havia algum tempo”, revela.

Jornalista especializada em gastronomia – ela manteve até há pouco uma coluna na Vogue Brasil – Alessandra chegou a ter seu próprio negócio na área em 2017, um café. “Durante dois anos foi uma loucura conciliar trabalho e vida pessoal, mas foi incrível. E o melhor é que com isso completei o ciclo da gastronomia na minha vida. Continuo gostando de cozinhar e fazer viagens para conhecer restaurantes e diferentes tipos de cozinha, como pura diversão. Não sinto mais aquela necessidade de caçar as novas tendências ou descobrir o próximo chef de sucesso”, afirma.

A seguir, os principais momentos de um encontro com Alessandra Blanco:

O segredo está no mix

“Pensando no Yahoo como liderança de equipe, nosso grande foco no momento é a ampliação da diversidade e da inclusão. Desde o ano passado trabalhamos com maior ênfase nesse setor e desenvolvemos parcerias com o ID_BR (Instituto Identidades do Brasil, de promoção de igualdade racial no mercado de trabalho) e a Think Eva (consultoria de soluções para desigualdade de gêneros no ambiente corporativo), para fins de educação e letramento na empresa. Além disso, o Yahoo também está focado em políticas de diversidade e inclusão junto a seus clientes e parceiros de negócios. Porque não basta apenas tomar algumas decisões e se declarar uma empresa inclusiva. A inclusão é, antes de tudo, uma jornada.”

Feminino plural

“Podemos dizer que em relação às mulheres o processo de inclusão está muito mais avançado do que para outros setores. Quando ingressei no Yahoo, há três anos, a liderança no Brasil ainda era majoritariamente masculina. Em uma das minhas primeiras conversas com a diretoria da empresa, chamaram a atenção para o fato da minha equipe ser majoritariamente masculina e que esse era um ponto a ser observado ao fazer novas contratações. Hoje temos mulheres nas diretorias de Finanças, RH, Jurídica, Marketing e Vendas. Agora estamos com a mesma urgência em relação a outras inclusões e outras diversidades. Dentro da Yahoo Global existe um grupo chamado Racial Justice, criado logo após o caso George Floyd, nos EUA.”

Ser local para ser global

“Setenta por cento do conteúdo do Yahoo Brasil é produzido ou pautado pelo nosso staff. Geramos conteúdo também com colaboradores como o Énóis – de jornalismo diverso e periférico – e o Alma Preta – agência de jornalismo especializada em temática racial. Minha meta é ter gente no Brasil inteiro produzindo conteúdo na sua região, com uma visão local. Esse é um projeto que contempla uma produção de conteúdo local também no Canadá. Aqui no Brasil, em ano de eleições e de Copa do Mundo, a meta é ampliar as vozes para fornecermos muito mais informação de qualidade e com credibilidade.”

Da melhor safra

“Este ano completo 50 anos e quero fazer uma grande festa para comemorar. Desde o começo da pandemia, passo a maior parte do tempo na minha casa em Águas de São Pedro, perto de São Paulo, inclusive porque quero que a minha filha de nove anos possa crescer mais perto da natureza. Para mim também foi ótimo, porque passei a praticar mais atividade física e transformei a corrida em um hábito para a vida. Mas meu passatempo favorito ainda é ler, muito.”

Com Mario Mendes

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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