Dicas para quem pretende expandir um negócio

Costumo dizer que um empreendimento somente é bom quando cai na graça do consumidor, e isso está diretamente ligado ao fato de o projeto solucionar uma dor importante.

José Carlos Semenzato
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“Cabe aos empresários que conseguiram trilhar caminhos vencedores compartilhar suas experiências e seus ensinamentos”

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Em 2020, ano do começo da pandemia, quase 10 milhões de empreendedores foram forçados a encerrar seus negócios no Brasil. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2020, que contou com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ), o número de empreendedores brasileiros caiu de 53,4 milhões, em 2019, para 43,9 milhões, em 2020. Considerando apenas os empreendedores com mais de três anos e meio de atuação – já estabelecidos, após superarem os primeiros e mais desafiadores anos de existência de suas empresas –,a taxa de empreendedorismo caiu quase 50% no período.

Os dados mostram o grau de dificuldade de se manter uma empresa no Brasil, ainda mais diante de uma crise sanitária avassaladora como foi a pandemia de Covid-19. E, se manter um negócio já é difícil, imagine expandi-lo.

Por isso, cabe aos empresários que conseguiram trilhar caminhos vencedores compartilhar suas experiências e seus ensinamentos com quem está na batalha pela sobrevivência ou pela expansão de seus empreendimentos. Entre os requisitos básicos para os empreendedores que sonham expandir seus negócios, creio que os mais importantes sejam a vontade de aprender, a capacidade de adaptação, a busca permanente pela excelência e a resiliência diante dos desafios que sempre irão surgir pelo caminho.

Indo um pouco além, respondo a uma pergunta que recebo com frequência de empreendedores iniciantes: quais são as condições essenciais para um negócio para crescer? É uma dúvida muito justa: afinal, quando se tem um negócio afirmado, rodando e faturando bem, é natural que o empresário pense em expandi-lo, com unidades próprias ou franqueadas.

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Costumo dizer que um negócio somente é bom quando cai na graça do consumidor, e isso está diretamente ligado ao fato de este empreendimento solucionar uma dor importante do consumidor, seja por meio de um produto ou um serviço. Mas a decisão sobre crescer pelo modelo de filiais próprias ou pelo modelo de franquias depende de uma análise de viabilidade prévia para a escolha do melhor caminho. Entre os itens a serem avaliados estão capital disponível, margens, escalabilidade, complexidade da operação, tributação e outros detalhes.

Falando mais especificamente sobre o modelo de franquias, segmento onde construí minha trajetória desde a fundação da Microlins, nos anos 1990, uma dúvida bastante comum entre os empresários diz respeito à adaptabilidade do negócio – ou não – ao franchising. Para saber se um empreendimento tem condições de se expandir neste modelo, várias perguntas precisam ser respondidas. O negócio já está em operação há algum tempo? Como está sua saúde financeira? A qualidade dos produtos e/ou serviços oferecidos é aprovada pela clientela? O negócio é escalável? A precificação está correta? As margens de lucro são adequadas? O negócio oferece margens suficientes para remunerar toda a cadeia – franqueador, franqueado, colaboradores e fornecedores?
Em resumo: antes de se iniciar qualquer processo de expansão, é preciso ter certeza de que o negócio, seja primeira ou segunda loja, esteja totalmente preparado para crescer. E como agir para não pular etapas e arriscar colocar a perder tudo o que foi construído?

Planejamento é tudo. Invista horas, dias e até meses no planejamento para que, ao lançar e expandir o negócio, você não incorra em erros básicos que deveriam ter sido pensados na fase inicial. Analise todos os pontos mencionados acima e, com base neste exame, avalie se é o momento certo de dar um passo à frente em sua trajetória empreendedora. E boa sorte!

José Carlos Semenzato é presidente do conselho da SMZTO, fundo de private equity especializado em franquias, e um dos investidores do programa “Shark Tank Brasil”, da Sony Channel.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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