Brasileira Hi acelera produção de testes rápidos de coronavírus e mira parcerias comerciais

Divulgação
O laboratório portátil, que retorna resultados em 15 minutos, é aderente ao formato de drive-thru usado na Coreia do Sul para testagem em massa

A startup curitibana Hi Technologies está distribuindo o primeiro lote de seus testes rápidos de coronavírus para organizações em todo o país e quer atrair parcerias comerciais para garantir a disponibilidade da tecnologia, que retorna resultados em 15 minutos.

A healthtech, que é investida da Positivo, produz um laboratório portátil conectado, o Hilab, que já é utilizado por empresas para mais de 20 tipos de exames rápidos. A startup agora produz os mini-labs e os kits de diagnóstico para o novo coronavírus, que estão chegando em grandes redes de farmácias do país, além de prefeituras, clínicas, hospitais e em algumas empresas, que precisam retomar as atividades e querem testar seus colaboradores, bem como doar exames para comunidades carentes.

O preço inicial de referência divulgado pela Hi no lançamento do teste, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é R$ 130, mas a empresa pratica valores menores para compradores do setor público. Segundo Marcus Figueredo, fundador da Hilab, sua empresa faz “de longe, o exame de Covid-19 mais barato do Brasil” e o valor deve diminuir.

“Estamos aumentando a escala de produção, cortando margens, negociando com fornecedores de matéria-prima e fazendo ofertas agressivas para reduzir o custo do exame. Claro que na farmácia, não vou conseguir controlar o preço final, mas consigo jogar o preço mais para baixo e convencer o pessoal a fazer o mesmo”, diz.

“Aderimos à orientação da Organização Mundial de Saúde, que é o ‘testar, testar, testar’ – então vamos trabalhar para que o teste esteja disponível para todo mundo poder usar”, aponta o fundador. No entanto, Figueredo nota que haverá diferença na disponibilidade dos testes no país, já que certas autoridades têm adotado os testes como política pública, enquanto empresas lideram a iniciativa em outros locais.

“No setor público, cada lugar tem uma estratégia diferente e o pessoal gasta um pouco mais de tempo na tomada de decisões”, ressalta. “Mas acredito que [a demanda das empresas e do governo] vai acabar equilibrando no final. O mais importante neste momento não é se você faz exame no SUS, no seu plano de saúde ou paga para fazer, e sim que todo mundo tenha acesso.”

O objetivo da Hi é chegar no pico da produção dos equipamentos de testes de Covid-19 em 15 de abril. O fundador não revela quantos testes está fabricando, mas diz que considera expandir a produção em outras localidades para apoiar a fábrica de Curitiba.

PARCERIAS

Segundo o fundador, o laboratório portátil produzido pela Hi é “perfeitamente aderente” ao modelo de drive-thru visto em cenários de testagem em massa, como na Coreia do Sul.

“Temos tecnologia para [testagem em escala]. O Hilab é pequeno, funciona com baterias, tem uma conectividade bem simples, o que é bem útil para o conceito de drive-thru”, diz o empreendedor. Figueredo diz estar buscando parcerias com empresas para montar estas estações, com serviços adicionais como identificação e agendamento prévio de pacientes que forem fazer o teste desta maneira.

Por mais que a Hi esteja primariamente concentrada em atender a demanda do Brasil, Figueredo diz que a empresa tem sido procurada por diversas empresas e governos de outras países. “Estamos dando ênfase para o Brasil, mas estamos falando com organizações na Europa, América do Norte e América Latina”, conta. “Não construímos a Hi pra ser uma empresa focada só no Brasil e sim global, então estamos trabalhando forte nisso.”

TECNOLOGIA

O teste sorológico da Hi tem uma função dupla, que não só retorna o resultado positivo ou negativo, mas também detecta a imunidade do paciente para o novo coronavírus. Segundo Figueredo, o modelo não-tradicional de coleta e análise da startup está pronto para apoiar o combate à atual crise de saúde pública.

“Temos a capacidade de entregar resultados rápidos de qualidade e já testamos isso em escala, em 250 cidades no país”, garante. “Agora será o momento em que vamos testar milhões de pessoas, e nosso modelo foi desenhado para esse cenário.”

Segundo Figueredo, a forma como a Hi trata os dados dos exames é outro elemento que diferencia sua oferta de outros produtos de diagnóstico rápido. “O testezinho rápido importado gera resultados que vão para um relatório preenchido à mão e é enviado para o Ministério da Saúde, que tem que tabular todas essas informações: esse processo é lento e ineficiente e impacta os resultados, que já não estão mais sendo dados em tempo real”, explica.

O equipamento da Hi usa reconhecimento facial para comparar o rosto do paciente com o documento fornecido antes de fazer o exame, e verifica informações pessoais junto a bases de dados como a da Receita Federal. Segundo Figueredo, o processo de análise é automatizado pelo equipamento, e inclui a análise da plataforma de inteligência artificial da Hi, desenvolvida em parceria com empresas como a IBM e Microsoft, bem como a avaliação pelo corpo clínico da startup.

Após o exame, o paciente recebe um laudo assinado digitalmente, que pode ser acessado via email ou no app. A empresa está buscando parcerias com outras startups que possam prover serviços de informação e telemedicina no caso de resultados positivos.

Além disso, a Hi faz uma anamnese por meio de diversas perguntas que fornecem insumos para boletins epidemiológicos produzidos pela equipe de data science da empresa e que podem ser fornecidos para o sistema de saúde, com informações como mapas de calor de regiões mais afetadas pelo alastramento do vírus.

“[A inteligência de dados] já está oferecida [para o governo], mas dependemos que o sistema de saúde use os dados”, ressalta Figueredo, acrescentando que a startup criptografa os resultados positivos e negativos enviados e processa as informações em conformidade com as leis de proteção de dados do Brasil e de outros países.

“Temos um nível de ciência de dados aqui que é muito avançado e não é uma coisa que foi inventada agora para a Covid-19: já fazíamos isso antes, é um sistema desenhado para esse fim”, aponta o fundador da Hi, cujo portfólio inclui testes para doenças como a dengue.

CONFIANÇA

Quanto às preocupações levantadas por especialistas sobre falsos negativos em testes rápidos para o novo coronavírus, Figueredo diz que eles “fazem parte” da prática laboratorial.

“Todo tipo de exame, rápido ou não, pode gerar falsos positivos ou negativos”, afirma. O fundador argumenta que o uso do teste de Reação em Cadeia da Polimerase por Transcriptase Reversa, comumente conhecido como PCR, é considerado padrão-ouro na indústria, mas tem causado muitos falsos negativos durante a crise da Covid-19.

“Acredito que devemos ser pragmáticos: a função de um exame de sangue é gerar evidências que ajudem o médico durante o diagnóstico. Exames de sangue não substituem o diagnóstico médico”, aponta.

“Toda a nossa tecnologia foi criada para garantir o máximo possível de qualidade nos exames rápidos”, acrescenta. Segundo ele, o teste da Hi tem cerca de 97% a 99% de confiabilidade e é preciso que o paciente esteja com os sintomas há um período de cinco a sete dias: quanto maior o tempo com sintomas de Covid-19, maior será a precisão do teste.

“Os testes rápidos serão muito úteis em traçar o perfil sorológico da população, além de ajudar a identificar as pessoas que já tiveram contato com o vírus”, avalia.

Apesar de o teste ser um elemento crucial no enfrentamento à crise do coronavírus, Figueredo não acredita que seja uma varinha mágica. “Vejo o momento atual como um ganho de tempo: o isolamento nos dá um tempo a mais para produzir testes suficientes; os testes nos ajudam a ganhar tempo para tirar os infectados do caminho e desafogar os hospitais e, assim, ganhar tempo para que tratamentos eficazes possam ser encontrados e, eventualmente, uma vacina.”

“A combinação do lockdown planejado com os testes vai nos ajudar a vencer a pandemia. Todos precisam entender que existe uma diferença muito grande entre se infectar hoje ou daqui a uma semana: quando falamos de um vírus de alta taxa de transmissão como o corona, cada dia que afastamos o alastramento da infecção, estamos reduzindo essa progressão”, aponta o empreendedor.

“Acredito que todos, setor público e privado, estão bem intencionados, portanto as coisas acontecem. Para superarmos esse desafio, vamos precisar de todo mundo, e pelo que estou vendo, todo mundo está comprometido em vencer.”

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Globo doa capacidade de processamento para pesquisa médica

A Globo é a nova parceira do [email protected], iniciativa da Universidade de Stanford que realiza simulações computacionais para entender a evolução e formas de combate para diversas doenças, como o novo coronavírus.

O sistema distribuído da universidade norte-americana divide o trabalho de cada simulação em partes menores, o que possibilita que máquinas em outras partes do mundo possam contribuir para o avanço dos projetos de pesquisa elaborados pelos cientistas. O sistema já tem 400 mil voluntários ao redor do mundo, atingindo a marca de 1,5 exaFLOPS ou 1,5 quintilhões de cálculos por segundo.

O laboratório de inovação da emissora, o MediaTechLab, está liderando os esforços. Os computadores do centro, que possuem placas de vídeo de alta performance, estão direcionando todo o seu tempo e capacidade de processamento para o projeto. A ideia se iniciou com a colaboração dos próprios pesquisadores do Lab e mais máquinas foram sendo acrescentadas à iniciativa, dando corpo à ação. Os equipamentos da Globo já figuram entre os 3% mais bem avaliados da plataforma.

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Cresce número de fintechs no mundo todo

Os últimos anos testemunharam um rápido crescimento de toda a indústria de fintechs, estimulado pelo aumento no número de aplicativos móveis para pagamentos digitais e pelo interesse em soluções de tecnologia financeira. Segundo dados do Finanso.se, o número de fintechs quase dobrou em 2020, atingindo cerca de 21.800 empresas em todo o mundo.

Em 2018, havia cerca de 12.100 startups de serviços financeiros no mundo, de acordo com a Statista. Com quase 5.700 delas, a América do Norte detém o maior número. Europa, Oriente Médio e África concentravam, juntas, quase 3.600 empresas. Outras 2.800 fintechs estão na região Ásia-Pacífico. No ano seguinte, o número continuou estável, com 12.200 empresas do tipo.

Em 2020, porém, a América do Norte registrou um aumento maciço no número de fintechs, e continuou à frente das demais regiões. A maioria dos bancos dos Estados Unidos, corporações de capital de risco e outros investidores estão apostando fortemente no setor. Por lá, o número de empresas do tipo já chega a quase 9.000.

No entanto, as estatísticas mostram que a Europa, o Oriente Médio e a África testemunharam um crescimento mais significativo no número de startups de finanças este ano – mais de 105%. Juntas, as regiões somam quase 7.800 empresas. A região Ásia-Pacífico detém outras 5.000.

Os países europeus testemunharam uma grande quantidade de investimento de capital de risco nas fintechs nos últimos anos. As estatísticas mostram que, em 2017, os investimentos atingiram US$ 12,3 bilhões. Nos doze meses seguintes, esse número cresceu mais de 3,5 vezes, atingindo US$ 43,3 bilhões. Em 2019, o total de aportes nas fintechs europeias saltou para mais de US$ 58 bilhões.

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A Mobills, aplicativo de gestão de finanças pessoais, oferecerá dois meses gratuitos de acesso premium à plataforma para microempreendedores individuais (MEI). Para se cadastrar, basta informar o CNPJ até o dia 16 de abril ao realizar o cadastro no site.

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MAIS

– O cardiologista Leandro Rubio e o oncologista Raphael Brandão, criadores do programa de inovação em saúde Médico do Futuro, uniram-se a Cristiano Kanashiro, da consultoria de inovação digital GO.K, e criaram uma plataforma de atendimento médico gratuito. Chamada de Missão Covid, o hub conecta gratuitamente médicos voluntários a pessoas com sintomas de gripe que levam a suspeita de contaminação pelo novo coronavírus, fornecendo orientações quando é indicado procurar uma unidade de saúde. Caso contrário, receberão as orientações de um médico à distância, podendo permanecer em casa. Mais de 200 médicos se cadastraram na plataforma. Os profissionais que desejarem se cadastrar, devem acessar o link www.missaocovid.com.br/medico;

– A Unesp articula duas iniciativas para publicação de editais em busca de soluções para a pandemia de Covid-19 ou redução de suas consequências. A Faculdade de Medicina de Botucatu e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, no campus de Araraquara, abriram inscrições para o ingresso, ainda neste mês, em programas de pós-graduação. O período de inscrição vai de 8 a 10 de abril e o início das atividades está previsto para 30 de abril. A ideia é formar recursos humanos para o enfrentamento da pandemia e receber projetos científicos que possam ser executados rapidamente;

– Desde o início da pandemia, a demanda por cursos online tem aumentado significativamente no Brasil. Nos últimos 15 dias, a busca por versões online de ensino de inglês mais que dobrou. Na EF English Live, que trabalha exclusivamente com a modalidade, o número de usuários ativos cresceu 40% e 50% deles apresentaram progresso nos níveis;

– A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, lançou uma iniciativa para apoiar startups que estão produzindo soluções tecnológicas imediatamente aplicáveis no combate aos efeitos econômicos do coronavírus. No total, serão selecionados 10 projetos de empresas da capital paulista e cada um receberá o valor de R$ 100 mil, além de um processo de mentoria de dois meses. As inscrições podem ser feitas entre 2 e 11 de abril. Entre 12 e 18 de abril uma banca avaliará os projetos e selecionará as startups que iniciarão a aceleração em 28 de abril.

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