Frente a frente com a diversidade e a inclusão: um olhar para a liderança

katleho Seisa/Getty Images
katleho Seisa/Getty Images

Dar as condições para que cada um possa ser quem é ajuda a criar um ambiente de confiança, no qual cada profissional pode explorar seu potencial e desenvolver seu talento

Os termos diversidade e inclusão, tal como definidos no dicionário, referem-se à variação, multiplicidade e inserção. No campo dos negócios, podemos pensar que eles estão associados a como trabalhar com minorias, seja em relação à representatividade LGBTQIA+, de pessoas com deficiências, neurodiversos, entre outros. Todos esses são exemplos reais e parte do nosso dia a dia. Refletindo após do mês do Orgulho LGBTQIA+, e de ver atividades no Brasil e no mundo todo para celebrar grandes avanços nesse sentido, também precisamos discutir sobre o longo caminho que ainda temos pela frente.

Podemos ver o tamanho do desafio para empresas e seus líderes em criar, apoiar e exercer continuamente uma cultura efetivamente inclusiva. Vejamos apenas para ilustrar um exemplo de um impacto da pandemia: de uma hora para outra, começamos a trabalhar com equipes remotas. Como fazer isso funcionar, de forma a manter a produtividade, a colaboração e o senso de confiança entre os times? Garantir que os funcionários tenham as ferramentas adequadas para realizar seu trabalho, dentro da realidade de cada um, é uma parte da equação, mas ao mesmo tempo como adaptamos diferentes perfis de liderança ao trabalho virtual?

Seja você um líder introspectivo, visionário, centralizador, certamente foi preciso adaptar-se ao novo cenário, tanto para executar sua missão como para apoiar seu time. Mais do que em outros momentos, isso nos forçou a buscar um novo olhar sobre nós mesmos, nossas características, como escutamos, como nos posicionamos e como, ao respeitar a nós mesmos, somos responsáveis por criar e incentivar um ambiente para respeitar os outros. Compartilho a seguir algumas provocações que nos façam ampliar o olhar para dentro ao mesmo tempo em que apoie passos sólidos para o fortalecimento da diversidade e da inclusão.

Empatia e escuta ativa

Estudo do IBV com CEOs globais mostrou que 47% dos entrevistados e 77% dos líderes de alto desempenho em todo o mundo vão priorizar o bem-estar dos funcionários durante o momento atual, mesmo que isso prejudique a lucratividade. Isso passa por criar um espaço seguro para os funcionários fazerem o seu melhor trabalho, fomentando uma cultura de inclusão consciente na qual é preciso walk the talk: não basta falar, é preciso fazer e ser exemplo. Isso significa ser respeitoso com os outros, construir e desenvolver relacionamentos empáticos, incentivar colaborações significativas, abraçar a flexibilidade e exercer a escuta ativa.

Eu autêntico

Outro estudo do IBV mostrou que um em cada quatro consumidores pesquisados globalmente planejam mudar de empregador em 2021. Dar as condições para que cada um possa ser quem é ajuda a criar um ambiente de confiança, no qual cada profissional pode explorar seu potencial e desenvolver seu talento. Quando pedimos aos colaboradores para descrever os pontos fortes da empresa, as respostas mais comuns foram centradas em torno da resiliência, habilidades e diversidade. O respeito ao indivíduo permite que ele leve seu eu autêntico para o trabalho – ajudando a atrair e reter talentos.

Diversidade e inclusão em sua forma mais ampla

Com indivíduos diversos, quando questionados sobre o que os empregadores devem oferecer para engajar funcionários, os trabalhadores colocaram o equilíbrio entre vida pessoal profissional (51%) e as oportunidades de ascensão na carreira (43%) no topo da sua lista de prioridades, com compensação e benefícios (41%) e ética e valores da companhia (41%) seguindo de perto. Pensar em como priorizamos esses temas e o que eles significam para cada um é tanto um desafio como uma oportunidade para se aproximar dos funcionários.

Precisamos aprender a tratar a diversidade e a inclusão de forma ampla e a olhar para o outro de forma empática – mas ao mesmo tempo não podemos deixar de conhecermos a nós mesmos, o que nos faz únicos e como podemos levar nosso melhor.

Tonny Martins é gerente geral da IBM na América Latina. O executivo começou sua carreira como estagiário na empresa há 29 anos e ocupou diversas posições de liderança nos segmentos de Serviços, Soluções e Consultoria de Negócios.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).