No ponto: tinha trago ou tinha trazido?

A resposta para essa pergunta pode estar na forma de particípio do verbo. A colunista Cíntia Chagas explica como utilizar corretamente.

Cíntia Chagas
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Getty Images/ Carlina Teteris
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Existe uma regra que determina o uso do verbo em duas formas de particípio, a terminada em -ADO ou em -IDO

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Se você pertence à turma que sempre dá aquela repensada na hora de falar ou de escrever tinha trago e tinha trazido, pare um pouco e leia este artigo. Você não se arrependerá.

Há verbos que têm duas formas de particípios (imprimido, impresso; elegido, eleito; entregado, entregue; morrido, morto; aceitado, aceito). Com esses exemplos, por assimilação, você certamente já sacou o que vem a ser o particípio. Nem precisei explicar.

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Quando o verbo possui duas formas de particípio, a terminada em –ADO ou em –IDO (chamada particípio regular) e a sem terminação específica (chamada particípio irregular), precisamos seguir uma regra simples de uso.

Se usarmos os verbos TER ou HAVER (tinha imprimido, havia imprimido; tinha elegido, havia elegido; tinha entregado, havia entregado; tinha morrido, havia morrido; tinha aceitado, havia aceitado), empregaremos o particípio regular (terminado em -ADO ou em -IDO).

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Todavia, se usarmos os verbos SER ou ESTAR (foi impresso, está impresso; foi eleito, está eleito; foi entregue, está entregue; foi morto, está morto; foi aceito, está aceito), empregaremos o particípio irregular, sem terminação definida.

Mas e o verbo TRAZER? Onde entra nisso? Bem, o verbo TRAZER só tem UMA forma de particípio, que é a regular (trazido). Logo, a ÚNICA forma correta de se dizer é eu TINHA TRAZIDO. Ou seja, essa história de “tinha trago” é pura invenção. E ponto final.

Até semana que vem.

Cíntia Chagas é uma professora que sempre leva humor e conhecimento ao público. Escritora de dois best-sellers da editora HarperCollins, ela coleciona milhares de alunos nos cursos virtuais que ministra. Palestrante e instagrammer, provou que irreverência, humor e educação podem e devem andar juntos.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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