Dólar cai quase 7% em cinco pregões, maior queda no período desde 2008

ReutersConnect/Dado Ruvic
Otimismo sobre reabertura de economias e estudos sobre uma vacina contra a Covid-19 favoreceram a baixa do dólar

O dólar teve novo dia de forte queda ante o real hoje (26), movimento que fez a moeda passar a cair no acumulado de maio e derrubou a cotação abaixo de uma linha de suporte técnico, com as operações domésticas refletindo a sessão de amplo apetite por risco no mundo com otimismo sobre reabertura de economias e estudos sobre uma vacina contra a Covid-19.

O dólar à vista fechou em baixa de 1,80%, a R$ 5,3599 na venda, ficando abaixo da média móvel de 50 dias pela primeira vez desde 10 de janeiro. Quedas abaixo de linhas de suporte como essa podem ser vistas como sinal de venda de um ativo (no caso, o dólar).

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É a quinta sessão consecutiva de queda, a mais longa série do tipo desde dezembro de 2019.

Nesses cinco pregões, a moeda cedeu 6,96%, maior queda de cinco dias desde o fim de outubro de 2008, quando os ativos financeiros globais começavam a reagir a medidas de estímulos adotadas por bancos centrais para prover liquidez a um mercado abalado pela crise financeira mundial.

Na B3, o dólar futuro tinha queda de 1,50%, a R$ 5,3635, às 17h41.

 

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Fechamento de mercado, com Francine Mendes, na Forbes Money.

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A terça-feira foi de queda generalizada do dólar. A moeda norte-americana cedia 0,7% no fim da tarde contra uma cesta de rivais e mostrava perdas entre 1,3% e 1,7% contra divisas de risco, em meio a um rali em Wall Street que chegou a impulsionar o S&P 500 para acima dos 3 mil pontos pela primeira vez desde março.

O economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, sigla em inglês), Robin Brooks, disse que os mercados emergentes em geral estão em rota ascendente desde o fim da segunda semana de maio, quando o sentimento negativo parecia já estar “muito esticado”.

“Essa tendência [de melhora] pode continuar, devido às fortes saídas de recursos em março e abril, bem como a preços ainda muito favoráveis”, disse ele no Twitter.

Ele chamou atenção para os números negativos do fluxo de investimento em carteira (ações e renda fixa) no Brasil em abril – quando houve saída líquida de US$ 8,153 bilhões -, após debandada recorde de US$ 22,223 bilhões em março.

De toda forma, com a queda nos últimos cinco pregões, o dólar passou a acumular desvalorização de 1,44% em maio. Em 13 de maio, quando fechou no recorde nominal de R$ 5,9012, a cotação acumulava ganho de 8,52% no mês.

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Fernando Bergallo, sócio da FB Capital, ponderou que a baixa do dólar pode estar sendo reforçada por operações relacionadas à definição da Ptax de fim de mês. Para ele, não “seria surpresa” se o dólar voltasse a subir após a formação da Ptax – taxa calculada pelo Banco Central e que serve de referência para liquidação de derivativos.

“Além disso, o mercado fica cada vez mais de olho, com mais preocupação, no cenário pós-pandemia, com falta de certeza política, fiscal e com riscos ao rating”, completou, dizendo que ainda é “muito cedo” para se falar em “ponto de inflexão” para o câmbio.

Em 2020, o real ainda perde 25,13%, maior queda entre as principais moedas globais. (Com Reuters)

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