Como um fabricante de bicicletas luta para acompanhar a demanda altíssima

Reprodução/Forbes
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Arnold Kamler, presidente e CEO da Kent International

A Kent International vendeu cerca de 2,7 milhões de bicicletas no Walmart, Target e outros varejistas nos EUA no ano passado, tornando-se um dos principais fabricantes por unidades. Mas o CEO da terceira geração da Kent, Arnold Kamler, calcula que a demanda era tão alta, já que as pessoas queriam um meio alternativo de transporte e praticar exercícios durante a pandemia, que ele poderia ter vendido 5 milhões se pudesse produzir e despachar o suficiente para atender à procura.

“Nossas remessas de nossas fábricas na Carolina do Sul e no exterior, em termos de unidades, são as mesmas do ano anterior”, disse Kamler, 70, à Forbes durante uma videochamada horas após receber sua segunda dose de vacina contra a Covid-19. “Poderíamos ter vendido o dobro disso … Todo mundo teve o mesmo problema.”

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O problema é aquele que, em alguns aspectos, é bom ter. A demanda está em alta por bicicletas em todas as faixas de preço. Mas os fabricantes de bicicletas não podem simplesmente aumentar a produção nas fábricas existentes para atender à necessidade, especialmente com os estoques nas lojas já reduzidos. Além disso, Kamler diz que há atrasos e dificuldades na obtenção de peças da China e, até mesmo, problemas em conseguir contêineres para frete marítimo ou em encontrar caminhoneiros de longa distância suficientes perto de casa.

A escassez de bicicletas tem sido tão grande em todos os setores que a publicação comercial “Bicicleta” disse que ela poderia durar até 2022. “Ainda é uma batalha”, diz Kamler.

Kent, cujas bicicletas geralmente custam de US$ 78 a US$ 198, é um dos grandes fabricantes de bikes para o mercado de alto consumo, junto com a Huffy e a Pacific Cycle, proprietária das marcas Schwinn e Mongoose. O avô de Kamler fundou a empresa em 1907 como uma loja de bicicletas no Lower East Side de Manhattan. Scott, filho de Kamler, é atualmente presidente da empresa e está prestes a se tornar o CEO de quarta geração da companhia.

A Kent importa suas bicicletas da Ásia e as produz em uma fábrica inaugurada há sete anos em Manning, Carolina do Sul. No local, a empresa passou a produzir uma nova marca, a BCA Bikes, depois do Walmart – que responde por cerca de metade de todas as vendas de bicicletas no país – promoveu a campanha “compre produto norte-americano”. A fábrica de Kent foi a primeira grande de bicicletas construída nos EUA em décadas.

Ao longo dos anos, a empresa – que ainda é majoritariamente controlada pela família – passou por vários altos e baixos. A guerra comercial com a China prejudicou seus negócios por meio de tarifas mais altas, enquanto a falência da Toys ‘R’ Us, seu segundo maior cliente depois do Walmart, afetou fortemente a receita. As vendas caíram de cerca de US$ 220 milhões cinco anos atrás para US$ 170 milhões depois que perdeu a Toys ‘R’ Us, embora agora tenham se recuperado para US$ 230 milhões, diz Kamler.

Ele notou a demanda por bicicletas aumentando na primavera passada em Nova York, enquanto as pessoas procuravam maneiras de evitar o transporte público para se locomover pela cidade. Logo o aumento na busca se espalhou muito além da Costa Leste. “Todos os nossos clientes realizaram vendas em março e abril superiores aos meses de novembro ou dezembro”, diz ele. “Mas o fornecimento da China foi decepcionante devido à lenta recuperação da Covid-19. Normalmente tentamos manter os clientes com 95-98% em estoque. Chegamos aos 50% ou 60% – e ainda estamos lá. ”

No site do Walmart, um total de 18 modelos da Kent, variando de uma bicicleta de montanha masculina a uma rosa feminina, estão listados como em falta. Apenas dois modelos de bicicletas da BCA não estão marcados como indisponíveis.

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Ainda assim, Kamler acha que sua área de mercado não é tão difícil quanto o segmento de luxo, onde as peças são mais caras e difíceis de obter. Isso beneficiou a Kent, diz ele, por meio de sua marca Univega, cujas bicicletas custam entre US$ 200 e US$ 800. Kamler comprou a marca em 2018 e a relançou como uma empresa made-in-USA com fabricação na Carolina do Sul.

“Com a escassez de bicicletas, nos tornamos muito populares”, afirma. “Revendedores que lutavam para vender 20 ou 30 bicicletas fizeram pedidos de 300. Fomos afetados o ano todo e ainda estamos. Temos pedidos de comerciantes de bicicletas para os próximos seis meses para toda a nossa produção. Esperamos que continue, mas não acreditamos que alguns dos negócios não irão embora quando o suprimento aumentar. ”

Quanto ao futuro, Kamler, que passou quase 50 anos no mercado de bicicletas, acredita que “administrar uma empresa agora é como brincar de whack-a-mole (brinquedo em que o jogador precisa acertar objetos que desaparecem e reaparecem)”, diz ele. “Você conserta algo e, em seguida, alguma outra coisa acontece.”

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