Conheça o carregador de malas que criou uma franquia de energia solar milionária

Raphael Brito comanda a Solarprime, rede com faturamento de R$ 162 milhões e 330 franqueados.

Beatriz Calais
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Em 2014, com 21 anos e quase sem dinheiro para investir, Brito criou a Solarprime

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Aos sete anos, Raphael Brito perdeu o pai, acometido por um infarto fulminante. De repente, a vida tranquila que levava em Passos, no sul de Minas Gerais, foi desestabilizada, emocional e financeiramente. Sua mãe, que até então era dona de casa, começou a trabalhar de faxineira para conseguir manter o sustento dos dois filhos. “Sempre observei o esforço dela e queria fazer minha parte para ajudar”, relembra Brito, que aos 11 anos começou a trabalhar na mercearia do tio ganhando R$ 10 por semana.

Após essa primeira experiência, o empreendedor ainda viveu experiências profissionais como ajudante de borracheiro, garçom, panfleteiro e lavador de carros até conseguir o seu primeiro emprego com carteira assinada. “Eu tinha cerca de 15 anos e precisei me emancipar para poder ser registrado como office boy”, lembra. Embora trabalhasse como adulto, Brito ainda precisava administrar seu tempo com os estudos, já que, em nenhum momento, abandonou a escola. “Nunca gostei do estudo convencional, mas frequentava uma escola militar, então precisava levar a sério para me formar”, conta, ressaltando que sua verdadeira paixão era empreender, mesmo que fosse num negócio que não era seu.

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Após alguns meses como office boy, conseguiu um emprego como carregador de malas em um hotel da cidade. “Foi onde eu aprendi a realmente servir as pessoas.” Mais do que isso, foi nessa função que Brito começou a se interessar pela área de vendas. “Um dia, apareceu no hotel um rapaz vendendo queijos e doces em um furgão. Cinco meses depois, ao passar pelo hotel novamente, ele parecia ter melhorado um pouco sua condição financeira, tinha até comprado uma caminhonete”, relembra. “Fui falar com ele, que me disse que vender era uma ótima oportunidade de mudar de vida. Eu continuei carregando malas, mas aquilo ficou na minha cabeça.”

Pouco tempo depois, passou a conciliar o emprego no hotel com outro, numa loja de informática. “Eu queria a vaga de vendedor, mas o gerente ainda me considerava inexperiente. Um dia, quando uma funcionária faltou, eu a substituí, encarando a missão como uma oportunidade de mostrar que sabia lidar com o público e fazê-lo comprar.” O esforço não foi em vão, e Brito conquistou o cargo que almejava.

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No entanto, embora o longo histórico de trabalhos fizesse parecer que Brito já era um homem com a vida definida, ele ainda era um jovem recém-saído do Ensino Médio. Mesmo gostando de atuar com vendas, começou a refletir sobre o seu futuro. “Quando eu era criança, tinha o sonho de ser piloto de avião. De repente, esse sentimento voltou. Decidi vender uma casa que meu pai tinha nos deixado de herança para pagar o curso de piloto”, conta.

Com um investimento de R$ 40 mil – sua parte na venda da casa -, passou um ano estudando. Nesse meio tempo, já animado com a possibilidade de voar, conheceu o proprietário de uma empresa de energia solar, que prometeu contratá-lo para pilotar o avião da companhia. Havia apenas um detalhe: eles ainda não tinham a aeronave. “Ele disse que, até o avião chegar, eu poderia ajudar com as vendas da empresa”, lembra, rindo. “Na época, eu não sabia nada sobre energia solar. Passei a noite inteira pesquisando e descobri que era um setor com muito potencial.”

De forma natural, novos projetos relacionados à energia sustentável começaram a surgir em sua cabeça, esfriando o sonho de ser piloto e fortalecendo sua veia empreendedora. “Depois de um tempo vendendo, percebi que aquela companhia não tinha visão de crescimento e que eu nunca seria o piloto. Decidi, então, abrir o meu próprio negócio.”

Do contrato ao telhado

Em 2014, com 21 anos e quase sem dinheiro para investir, Brito firmou parceria com seu amigo Agnaldo Marques para criar a Solarprime. “O Agnaldo tinha uma loja de material de construção e eu ficava em uma mesa, na porta do estabelecimento, tentando chamar a atenção dos clientes sobre energia solar. Os ganhos com as vendas seriam divididos entre nós dois, mas, após seis meses, eu não tinha conseguido vender nada”, entrega.

Brito decidiu que era hora de explorar ao máximo sua capacidade como profissional. “Vendi meu celular para colocar combustível no carro e sair em busca de clientes pela região. Fiz alguns folders personalizados para a empresa e parcelei em 12 vezes para conseguir pagar. Eu acreditava muito no negócio.” Como resultado do seu esforço, conseguiu, após meses de tentativas, fazer a sua primeira venda: R$ 30 mil. “Eu tinha ajudantes, mas participava de todo o processo, inclusive das instalações. Fazia a venda e subia no telhado”, diz. “O dinheiro que ganhamos foi usado para reinvestir no negócio. Precisávamos crescer.”

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Dois anos após a criação da Solarprime, os resultados finalmente estavam positivos, mas os sócios ainda queriam uma expansão maior, o que os levou a pensar na possibilidade de franquia. Sem conhecimento sobre o assunto, a dupla buscou os serviços de Sandro Cubas, especialista em franchising. “Era um investimento de R$ 100 mil pela consultoria. Nós não tínhamos esse dinheiro, então demos 33,33% da empresa para ele, fazendo com que se tornasse sócio.” Com ajuda especializada, a marca Solarprime começou a crescer, chamando a atenção de franqueados do Brasil inteiro. “Nossas franquias custavam R$ 7 mil e os franqueados só precisavam pagar 5% de royalties em cima das vendas.”

Atualmente, a marca está presente em 26 estados com 330 franquias e emprega cerca de 2.700 funcionários. Em 2020, com um crescimento de 27,7% em relação a 2019, faturou R$ 162 milhões. “Mesmo com a pandemia, inauguramos 121 unidades. A expectativa agora é chegar em 500 franquias e faturamento de R$ 500 milhões em 2021”, destaca o empreendedor, que pensa em uma expansão do setor por conta da demanda reprimida durante a pandemia.

Aos 27 anos, Brito parece ter encontrado a profissão ideal após tantas experiências vividas ao longo de sua trajetória. De carregador de malas à aspirante a piloto, ele diz que nunca esqueceu da conversa com o vendedor de queijos e doces na frente do hotel. “Isso sempre ficou na minha cabeça. Saber vender é essencial.”

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