Vale a pena investir em empresas em recuperação judicial? Especialistas respondem

Getty Images/MoMo Productions
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De acordo com dados da B3, cerca de 5% das companhias listadas na Bolsa brasileira estão atualmente em recuperação judicial

Um dos mantras mais repetidos no mercado financeiro é que investir em ações é tornar-se sócio de empresas, algo que vai muito além de uma simples aplicação financeira. Isso significa dizer que os reveses das companhias, e da economia, nem sempre podem ser antecipados com a agilidade que os acionistas desejam, mas onde estão os riscos, também podem estar algumas oportunidades. Este é o dilema dos investidores em empresas passando por processos de recuperação judicial. De acordo com dados da B3, cerca de 5% das companhias listadas na Bolsa brasileira estão atualmente em recuperação judicial.

O processo, embora venha rodeado de incertezas, é uma alternativa comum utilizada por companhias com graves problemas financeiros, oferecendo amparo legal ainda a fornecedores, funcionários e consumidores dessas empresas. De acordo com Corrado Varoli, CEO da companhia de serviços financeiros G5 Partners, uma vez iniciado o processo de recuperação, um juiz irá suspender as cobranças de credores para a negociação de um acordo. A empresa, por sua vez, deverá apresentar uma estratégia de reestruturação viável, avaliada pelos próprios credores e pela justiça. “Essa fase de pré-negociação é muito complicada para as instituições, pois elas começam a perder clientes e a cultivar uma imagem negativa no mercado”, comenta.

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De todo modo, segundo Varoli, ainda existem vantagens para quem investe em empresas nessas situações. “No caso de uma empresa pública na Bolsa de Valores, por exemplo, o investidor pode comprar as ações por um valor muito mais baixo durante a recuperação judicial. Ainda assim, é uma decisão arriscada. Ninguém sabe qual vai ser o resultado do processo”, opina Varoli, completando que o investimento fica muito mais interessante quando se trata do pós-recuperação. “Uma vez que a companhia fica livre, o risco é mitigado. Ninguém sai da situação e vira a Apple instantaneamente, mas existe um planejamento para que tudo funcione a longo prazo. Nesse sentido, a resposta é positiva mesmo após uma fase ruim.”

Para Leonardo Nascimento, sócio da Urca Capital Partners, o segredo para um investimento de qualidade em empresas em recuperação judicial é o conhecimento. “Antes de investir em uma companhia nesse processo, é importante entender em qual fase da recuperação ela está. Se o plano já foi aprovado pelos credores e homologado judicialmente, é mais seguro”. De certa forma, a lógica é uma condição comum do mercado financeiro: quanto maior o risco, maior é a possibilidade de obter retorno. “A precificação desse tipo de ativo é muito depreciada em relação ao preço justo dos negócios”, diz Nascimento, explicando que esse cenário pode beneficiar investidores caso, eventualmente, o valor das ações suba.

Na análise do CEO da G5 Partners, outro fator positivo dos processos é a ampliação na transparência das empresas envolvidas. “Durante a recuperação judicial, a tendência é assistir as companhias agindo com certo exagero, expondo todos os defeitos da gestão para tentar diminuir o custo da dívida”. De certa forma, isso deixa claro para os investidores quais os riscos ao investir ou comprar suas ações, diminuindo as chances de uma surpresa indesejada.

Confira na galeria abaixo a situação atual de 17 empresas listadas em Bolsa e atualmente em recuperação judicial:

  • Teka (TEKA4)

    Recuperação judicial iniciada em 12 de novembro de 2012

    Dívida registrada pela empresa: R$ 458 milhões

    A Teka foi criada em 1926, na região de Blumenau (SC), tornando-se uma das maiores fabricantes de artigos de cama, mesa e banho da América Latina. Após décadas de funcionamento, a empresa passou por uma forte crise em 2012, fruto da queda das exportações brasileiras com a valorização do real, alta carga tributária e crise do preço do algodão. Na época, a companhia começou a ter problemas com fluxo de caixa e pediu recuperação judicial.

    Diferente de outras histórias de sucesso, como a da Avibras, que encerrou seu processo em apenas dois anos, a Teka não conseguiu se recuperar rapidamente: entre 2012 e 2017, acumulou dívidas extraconcursais – aquelas geradas após a recuperação judicial ser concedida. Em 2018, teve o seu time administrativo substituído e passou a lidar com os altos juros de dívidas passadas. Atualmente, a situação permanece complicada: ao fim de novembro de 2020, os passivos totais da empresa somavam R$ 1,4 bilhão, dos quais, R$ 998,5 milhões referiam-se a dívidas tributárias e R$ 458,8 milhões a dívidas sujeitas ao plano de recuperação judicial.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 19,44.

    Divulgação
  • Tecnosolo (TCNO4)

    Recuperação judicial iniciada em 10 de setembro de 2012

    Dívida registrada pela empresa: R$ 46,1 milhões

    A Tecnoloso foi fundada em 1957 é empresa especializada em investigações geotécnicas (reconhecimento dos perfis e características de solos) e construção. A companhia abriu o capital na Bolsa do Rio de Janeiro em 1973. Nos anos 1980, a Tecnosolo foi responsável por obras como a arena multiúso usada nos Jogos Pan-Americanos de 2007.

    Com o passar dos anos, a companhia começou a ter problemas com seu fluxo de caixa, gerando fortes endividamentos, o que resultou em atrasos nos pagamentos de salários e fornecedores. De acordo com o fato relevante divulgado em 2012, na data da recuperação judicial, “a despeito dos esforços da administração junto a credores e potenciais investidores, o pedido de recuperação judicial mostrou-se inevitável diante do agravamento da situação econômico-financeira da Tecnosolo e do imperativo de proteger a continuidade dos serviços por ela prestados”.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 1,33.

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  • Refinaria De Petróleos Manguinhos (RPMG3)

    Recuperação judicial iniciada em 24 de janeiro de 2013

    Dívida registrada pela empresa: R$ 5 bilhões

    A Refinaria De Petróleos Manguinhos foi fundada em 1954 e possui 51 anos de capital aberto. A empresa é uma das poucas refinarias privadas que existem no Brasil. Em 2012, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, emitiu um decreto que desapropriou o prédio e o terreno de 600 mil metros quadrados da Manguinhos para a construção de um projeto habitacional no Rio de Janeiro.

    Em 2014, o ministro Gilmar Mendes emitiu uma decisão liminar que anulou o decreto de Cabral. Seis anos depois, em 2020, a maioria do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu por anular o decreto do governador carioca. O processo de desapropriação obrigou a companhia “a pedir proteção contra os credores e encontra-se hoje em processo de recuperação judicial.”

    Dois anos depois, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Justiça, integrantes do conselho de administração da Manguinhos foram denunciados por fraudar a fiscalização tributária estadual, eles deixaram de pagar o ICMS, o que causou um prejuízo de aproximadamente R$ 65 milhões aos cofres públicos. De acordo com a Refinaria, “não há fraude tributária. A questão está em dicussão na Justiça”.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 2,95.

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  • Lupatech (LUPA3)

    Recuperação judicial iniciada em 27 de maio em 2015

    Dívida registrada pela empresa: R$ 397 milhões

    A fornecedora de equipamentos e serviços para o setor de óleo e gás Lupatech está no mercado desde 1980 e tem 15 anos de capital aberto.

    De acordo com o fato relevante divulgado pela empresa na época do pedido, a recuperação judicial deu-se em função da “conjuntura do setor de óleo e gás, criada a partir da drástica redução do preço do barril do petróleo no mercado internacional e o significativo aumento da percepção de risco na cadeia de produtos e serviços para a segmento no Brasil”. Dessa forma, a Lupatech perdeu uma parcela do seu faturamento (85% dele era representado pela Petrobras – sua principal cliente), obrigando a companhia a entrar em recuperação judicial.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 2,49.

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  • Oi (OIBR4)

    Recuperação judicial iniciada em 21 de junho de 2016

    Dívida registrada pela empresa: R$ 65,4 bilhões

    Maior operadora de telefonia fixa e a quarta em telefonia móvel do Brasil, a Oi entrou em recuperação judicial há cinco anos, registrando até aquele momento o maior pedido de recuperação judicial da história do Brasil.

    A companhia foi fundada em 1998 a partir da privatização da Telemar, um braço da Telebrás. Depois de privatizado, o consórcio manteve o nome de Telemar e começou a comprar outras companhias do setor a fim de ampliar a empresa, o que não deu muito certo: os negócios adquiridos tinham muitas dívidas, o que prejudicou o grupo ainda nos anos 2000.

    Após alguns anos, já rebatizado de “Oi”, o grupo decidiu pensar grande e explorar o cenário internacional, o que poderia ajudar nas dívidas. Em 2013, a empresa fez uma fusão com a Portugal Telecom, acreditando na promessa de que a companhia estrangeira injetaria R$ 3,2 bilhões na Oi, o que não aconteceu. O dinheiro que seria repassado estava aplicado em títulos podres em uma subsidiária do banco português no Espírito Santo, que quebrou pouco meses depois da fusão, deixando a Portugal Telecom sem caixa.

    Além da frustração e do tempo perdido, a Oi, nesse período, estava acumulando dívidas com o governo. A operadora descumpriu uma série de obrigações de investimentos, atendimento e qualidade de serviço e levou diversas multas da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que regula o setor no país.

    A série de acontecimentos resultou em um endividamento de R$ 65,4 bilhões, com mais de 55 mil credores. Em comunicado divulgado em 2016, a empresa informou que 60% dos recebíveis estavam penhorados em bancos brasileiros e que a recuperação judicial tinha como objetivo proteger o caixa da companhia e preservar a oferta de serviços aos clientes.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 2,39.

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  • Wetzel (MWET4)

    Recuperação judicial iniciada em 05 de fevereiro de 2016

    Dívida registrada pela empresa: R$ 144 milhões.

    A Wetzel, fabricante de peças fundidas e usinadas em ferro e alumínio para a indústria automotiva, foi fundada em 1932 e está presente em regiões do Mercosul, Europa e Estados Unidos. No entanto, as frequentes paradas na produção de montadoras no Brasil há cinco anos levaram a uma queda nas encomendas de autopeças, obrigando a empresa a pedir recuperação judicial.

    De acordo com a companhia, o país passava por uma das piores crises no setor automobilístico. Entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2016, houve uma queda de 36,6% na comercialização de veículos. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), informou que ocorreu uma redução de 7,5% no mercado de vendas de 2016.

    As paradas nas produções de automóveis resultaram em uma queda no faturamento, a Wetzel encerrou 2015 com uma receita bruta de R$ 201,5 milhões, o que em 2014 era de R$ 260 milhões e 2013 de R$ 303,4 milhões.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 6,07.

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  • MMX Mineração (MMXM3)

    Recuperação judicial iniciada em 29 de novembro de 2016

    Dívida registrada pela empresa: R$ 5,8 bilhões

    O empresário e fundador da MMX Mineração, Eike Batista, já foi o homem mais rico do Brasil e o sétimo do mundo. A derrocada começou quando Batista foi denunciado por ocultar do mercado dados negativos sobre suas empresas, aproveitando-se de informações privilegiadas para atrair investidores. Além das condenações na justiça, o ex-bilionário fez com que suas companhias entrassem em um longo caminho de dificuldades financeiras, resultando em apenas uma solução: recuperação judicial. Tanto a MMX quanto a OSG, sua empresa irmã, entraram no processo na tentativa de se reerguer. Com uma dívida inicial de R$ 5,8 bilhões, a MMX está em recuperação há quase cinco anos.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 18,79.

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  • Inepar (INEP4)

    Recuperação judicial iniciada em 03 de julho de 2015

    Dívida registrada pela empresa: R$ 4 bilhões

    O Grupo Inepar surgiu em 1953 no estado do Paraná. Focado na construção de equipamentos de energia e telecomunicações, teve seu período de ascensão até o fim dos anos 1990, quando os problemas começaram a surgir. Desde crises econômicas no país até erros de gestão, a empresa decaiu gradativamente, até pedir Recuperação judicial iniciada em 2015, com uma dívida de R$ 4 bilhões.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 27,01.

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  • Viver (VIVR3)

    Recuperação judicial iniciada em 20 de setembro de 2016

    Dívida registrada pela empresa: R$ 261,4 milhões

    A incorporadora imobiliária Viver foi uma das primeiras companhias de capital aberto no setor imobiliário a entrar em recuperação judicial. Conhecida antigamente como Inpar, a empresa foi fundada em 1992 e há 14 anos é listada em Bolsa.

    Em 2016, devido ao crescimento no cancelamento de contratos, atrasos em projetos, queima de caixa e à crise econômica da indústria de construção civil, a Viver optou pela recuperação judicial como a melhor saída para seus problemas financeiros.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 1,01.

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  • Pomi Frutas (FRTA3)

    Recuperação judicial iniciada em 29 de janeiro de 2018

    Dívida registrada pela empresa: R$ 30 milhões

    A Pomi Frutas, antiga Renar Maçãs, que abriu capital em 2005 em uma oferta que levantou cerca de R$ 16 milhões, entrou com um pedido de recuperação judicial 13 anos depois. A empresa havia ganho notoriedade por ser a primeira empresa no Bovespa Mais, segmento especial de governança corporativa da Bolsa.

    No entanto, a companhia vinha registrando prejuízo nos últimos anos devido à difícil situação financeira em função do cenário macroeconômico. A Pomi Frutas detalhou no documento enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que os esforços administrativos não foram suficientes para reverter a crise.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 5,05.

    Getty Images/FabianMesebergEyeEm
  • Eternit (ETER3)

    Recuperação judicial iniciada em 21 de março de 2018

    Dívida registrada pela empresa: R$ 229 milhões

    O grupo Eternit, especializado em coberturas (telhas) residenciais, fundado em 1940 e com 73 anos de capital aberto, possuía mais de 1.600 funcionários, oito fábricas, cinco filiais de venda, 15 mil revendedores e uma mineradora. Porém, com as discussões legais sobre a extração, industrialização e utilização do amianto, a companhia teve um forte impacto em suas operações.

    Em novembro de 2017, o STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu a utilização do minério, o que resultou na suspensão dos trabalhos da mineradora da Eternit. Segundo o documento da recuperação judicial, 25% da receita da companhia era de amianto.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 17,00.

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  • Gradiente (IGBR3)

    Recuperação judicial iniciada em 02 de maio de 2018

    Dívida registrada pela empresa: R$ 442,8 milhões

    A IGB Eletrônica, antiga Gradiente, solicitou um plano de recuperação extrajudicial – instrumento em que a empresa devedora negocia seu passivo diretamente com o grupo de credores – em junho de 2010. Contudo, o processo não resultou em acordo entre as partes, fazendo com que a companhia entrasse em recuperação judicial com uma dívida de R$ 442 milhões.

    A Gradiente foi fundada em 1964 e possui 47 anos de capital aberto. O grupo justificou que entrou em recuperação judicial com o objetivo de manter os empregos e resguardar os acionistas em função da crise aberta pela piora do ambiente concorrencial à gestão da empresa.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 11,60.

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  • Saraiva (SLED3)

    Recuperação judicial iniciada em 26 de novembro de 2018

    Dívida registrada pela empresa: R$ 675 milhões

    A Livraria Saraiva, uma das maiores livrarias do Brasil, com 107 anos de existência e 49 de capital aberto, pediu recuperação judicial no final de novembro de 2018. Em outubro do mesmo ano, a companhia fechou 20 lojas pelo Brasil e demitiu cerca de 700 funcionários, o que ajudou no resultado da empresa, além do cenário econômico nacional que travou uma crise no mercado editorial. Por conta da popularização das plataformas de venda online, como a Amazon, as livrarias físicas ficaram em uma situação cada vez mais crítica, perdendo clientes para uma concorrência mais eficiente em termos de preço e entrega domiciliar rápida.

    O Juiz da 2º Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo suspendeu 180 ações e execuções contra a Saraiva para que os credores não reduzam o valor da empresa. Afetada pelo coronavírus por conta das lojas físicas fechadas, as receitas brutas da livraria, em 2020, caíram 83% na comparação com o mesmo período de 2019.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 0,88.

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  • Fertilizantes Heringer (FHER3)

    Recuperação judicial iniciada em 06 de fevereiro em 2019

    Dívida registrada pela empresa: R$ 2,045 bilhões

    Fundada em 1968, a Fertilizantes Heringer nasceu sem muita concorrência à sua volta. No entanto, no decorrer dos anos, o surgimento de outras empresas no setor começaram a ameaçar sua lucratividade. Em 2019, alegando dificuldades para lidar com a forte turbulência econômica do país e com a perda de espaço no mercado para firmas multinacionais – que operam tanto na produção quanto na distribuição, lucrando em larga escala -, a Heringer realizou o pedido de recuperação judicial.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 6,90.

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  • Hotheis Othon (HOOT4)

    Recuperação judicial iniciada em 06 de fevereiro em 2019

    Dívida registrada pela empresa: R$ 333,7 milhões

    A rede hoteleira Hotéis Othon registrou o pedido de recuperação judicial no início de 2019, logo após o fechamento de duas propriedades em Belo Horizonte e Salvador. A companhia justificou o pedido alegando o agravamento da crise que o setor de turismo vinha sofrendo desde 2015.

    Com 78 anos de operação e 41 de listagem, a Hotéis Othon ainda tem como principal empreendimento um hotel com 572 apartamentos na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 2,58.

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  • Renova (RNEW2)

    Recuperação judicial iniciada em 17 de dezembro de 2019

    Dívida registrada pela empresa: R$ 3,1 bilhões

    A Renova foi fundada em 2001 e é especializada na geração de energia renovável. A companhia abriu capital em 2010 e chegou a ser vista como uma das mais promissoras no setor de energia limpa nacional, atraindo em 2011 aportes da Cemig e de sua então controlada, a Light. Contudo, a recuperação judicial ocorreu após o fracasso na venda do parque eólico Alto Sertão III à AES Tietê, que estava paralisado por falta de recursos após 90% das obras concluídas.

    Outro fator culminante foi a investigação “O Vento Levou” que investigou desvios de recursos injetados na Renova pela Cemig através de supostos contratos superfaturados. A Renova pediu que os efeitos da recuperação fossem antecipados enquanto completava a documentação necessária para o processo, alegando que tem sofrido pedidos de execução por credores que geram risco de que seu caixa e ativos sejam esvaziados.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 0,04.

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  • Bardella (BDLL4)

    Recuperação judicial iniciada em 31 de julho de 2019

    Dívida registrada pela empresa: R$ 387 milhões

    A fabricante de equipamentos para setores industriais Bardella completava 108 anos de história e 77 anos de abertura de capital quando solicitou a recuperação judicial. A companhia registrou entre 2017 e 2019 prejuízo anual consecutivo, acumulando débitos de R$ 387 milhões. Apesar de pertencer a Cláudio Bardella, importante líder empresarial do setor de indústrias, a instituição não resistiu à queda na demanda de equipamentos.

    No documento enviado à 9º Vara Cível de Guarulhos, a Bardella explicava que a recuperação judicial era fruto da deterioração da economia desde 2014 e dos efeitos da operação Lava-Jato.

    No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 9,30.

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Teka (TEKA4)

Recuperação judicial iniciada em 12 de novembro de 2012

Dívida registrada pela empresa: R$ 458 milhões

A Teka foi criada em 1926, na região de Blumenau (SC), tornando-se uma das maiores fabricantes de artigos de cama, mesa e banho da América Latina. Após décadas de funcionamento, a empresa passou por uma forte crise em 2012, fruto da queda das exportações brasileiras com a valorização do real, alta carga tributária e crise do preço do algodão. Na época, a companhia começou a ter problemas com fluxo de caixa e pediu recuperação judicial.

Diferente de outras histórias de sucesso, como a da Avibras, que encerrou seu processo em apenas dois anos, a Teka não conseguiu se recuperar rapidamente: entre 2012 e 2017, acumulou dívidas extraconcursais – aquelas geradas após a recuperação judicial ser concedida. Em 2018, teve o seu time administrativo substituído e passou a lidar com os altos juros de dívidas passadas. Atualmente, a situação permanece complicada: ao fim de novembro de 2020, os passivos totais da empresa somavam R$ 1,4 bilhão, dos quais, R$ 998,5 milhões referiam-se a dívidas tributárias e R$ 458,8 milhões a dívidas sujeitas ao plano de recuperação judicial.

No pregão de ontem (22), os papéis da companhia fecharam em R$ 19,44.

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