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Vale a pena investir em empresas em recuperação judicial? Especialistas respondem

Em busca de quitar as dívidas e se reerguer, 5% das companhias listadas na Bolsa passam pelo processo atualmente

4 min
Getty Images/MoMo Productions
Getty Images/MoMo ProductionsDe acordo com dados da B3, cerca de 5% das companhias listadas na Bolsa brasileira estão atualmente em recuperação judicial

Um dos mantras mais repetidos no mercado financeiro é que investir em ações é tornar-se sócio de empresas, algo que vai muito além de uma simples aplicação financeira. Isso significa dizer que os reveses das companhias, e da economia, nem sempre podem ser antecipados com a agilidade que os acionistas desejam, mas onde estão os riscos, também podem estar algumas oportunidades. Este é o dilema dos investidores em empresas passando por processos de recuperação judicial. De acordo com dados da B3, cerca de 5% das companhias listadas na Bolsa brasileira estão atualmente em recuperação judicial.

O processo, embora venha rodeado de incertezas, é uma alternativa comum utilizada por companhias com graves problemas financeiros, oferecendo amparo legal ainda a fornecedores, funcionários e consumidores dessas empresas. De acordo com Corrado Varoli, CEO da companhia de serviços financeiros G5 Partners, uma vez iniciado o processo de recuperação, um juiz irá suspender as cobranças de credores para a negociação de um acordo. A empresa, por sua vez, deverá apresentar uma estratégia de reestruturação viável, avaliada pelos próprios credores e pela justiça. “Essa fase de pré-negociação é muito complicada para as instituições, pois elas começam a perder clientes e a cultivar uma imagem negativa no mercado”, comenta.

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De todo modo, segundo Varoli, ainda existem vantagens para quem investe em empresas nessas situações. “No caso de uma empresa pública na Bolsa de Valores, por exemplo, o investidor pode comprar as ações por um valor muito mais baixo durante a recuperação judicial. Ainda assim, é uma decisão arriscada. Ninguém sabe qual vai ser o resultado do processo”, opina Varoli, completando que o investimento fica muito mais interessante quando se trata do pós-recuperação. “Uma vez que a companhia fica livre, o risco é mitigado. Ninguém sai da situação e vira a Apple instantaneamente, mas existe um planejamento para que tudo funcione a longo prazo. Nesse sentido, a resposta é positiva mesmo após uma fase ruim.”

Para Leonardo Nascimento, sócio da Urca Capital Partners, o segredo para um investimento de qualidade em empresas em recuperação judicial é o conhecimento. “Antes de investir em uma companhia nesse processo, é importante entender em qual fase da recuperação ela está. Se o plano já foi aprovado pelos credores e homologado judicialmente, é mais seguro”. De certa forma, a lógica é uma condição comum do mercado financeiro: quanto maior o risco, maior é a possibilidade de obter retorno. “A precificação desse tipo de ativo é muito depreciada em relação ao preço justo dos negócios”, diz Nascimento, explicando que esse cenário pode beneficiar investidores caso, eventualmente, o valor das ações suba.

Na análise do CEO da G5 Partners, outro fator positivo dos processos é a ampliação na transparência das empresas envolvidas. “Durante a recuperação judicial, a tendência é assistir as companhias agindo com certo exagero, expondo todos os defeitos da gestão para tentar diminuir o custo da dívida”. De certa forma, isso deixa claro para os investidores quais os riscos ao investir ou comprar suas ações, diminuindo as chances de uma surpresa indesejada.

Confira na galeria abaixo a situação atual de 17 empresas listadas em Bolsa e atualmente em recuperação judicial:

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