Powell quer retomada estrutural de empregos antes de avaliar redução de estímulo

Federal Reserve mantém promessa de comprar títulos até que veja progressos na geração de empregos e inflação de 2%

Redação
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Kevin Lamarque/Reuters
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Chair do Federal Reserve, Jerome Powell, em Washington, março de 2020

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A lista do que levará o chair do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, a começar a pensar em reduzir o apoio do banco central à economia norte-americana é curta: empregos, empregos e mais empregos.

Essa foi talvez a mensagem mais nítida da reunião de dois dias de definição da política monetária que terminou ontem (28). O Fed acabou deixando os juros inalterados e repetiu promessa de continuar comprando títulos em seu ritmo atual até que veja “progresso substancial” em direção aos seus objetivos comuns de pleno emprego e inflação de 2%.

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Powell havia celebrado no início deste mês um relatório do governo mostrando que os empregadores dos Estados Unidos criaram quase 1 milhão de novos empregos em março e disse que gostaria de ver “uma série” de meses como esse para mostrar progresso em direção às metas do Fed.

“O que eu quis dizer com série?”, disse ele em coletiva de imprensa após a conclusão da reunião. “Posso dizer o que não é: não é uma leitura de emprego realmente boa, que foi o que obtivemos em março.”

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Com a economia dos EUA com mais de 8 milhões de empregos a menos do que em fevereiro de 2020, antes da pandemia, a continuação da velocidade de abertura de postos de trabalho vista em março recuperaria até o verão norte-americano metade desses 8 milhões de vagas. E é nesse período que muitos analistas acreditam que o Fed pode sinalizar alguma mudança de política monetária.

“Não precisamos atingir nossas metas para reduzir as compras de ativos –precisamos apenas fazer um progresso substancial”, disse Powell.

A avaliação otimista das condições econômicas e uma leitura menos pessimista dos riscos apontam “os primeiros passos no caminho de diminuir as compras de ativos de QE (afrouxamento quantitativo)”, disse James Knightley, economista-chefe internacional do ING.

A comparação com a inflação atingida no ano passado durante os lockdowns nacionais aumentará as leituras dos índices de preços em abril e maio em até 1 ponto percentual, disse Powell.

Gargalos na oferta, à medida que empresas lutam para acompanhar o aumento da demanda de norte-americanos recém-vacinados que saem e gastam mais, também pressionam os preços para cima. Isso amenizará assim que as empresas resolverem problemas de abastecimento, disse ele, mas não se sabe quanto tempo isso vai demorar.

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Powell também rebateu qualquer ideia de que a decisão do Fed sobre a redução do apoio dependerá especificamente do nível de casos de Covid-19 ou da vacinação. O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, sugeriu neste mês que gostaria de ver 75% dos norte-americanos vacinados antes de diminuir o suporte. “Não articulamos um teste separado para o estado do vírus que gostaríamos de alcançar”, disse Powell ontem (28).

Apesar das pressões repetidas, Powell não definiu o que seria “substancial” e ontem (28) disse que, como a avaliação desse critério será um tanto subjetiva, o Fed vai “avisar ao público quando for a hora de ter essa conversa”. (Com Reuters)

 

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