Volume de frete rodoviário no Brasil salta 53% no 1º trimestre com agro e construção

Sittee Buranapukdee/EyeEm/Getty Images
Sittee Buranapukdee/EyeEm/Getty Images

Apoiados pelas concessões de crédito imobiliário em um cenário de baixa taxa de juros e pelo aumento do PIB agropecuário, os setores de construção e agro apresentaram aumento no volume de frete rodoviário no 1º trimestre de 2021

O volume de fretes rodoviários no Brasil saltou 53% no primeiro trimestre de 2021 ante igual período do ano anterior, impulsionado especialmente pelos setores de construção e agronegócio, indicou relatório publicado hoje (29) pela plataforma online de cargas FreteBras.

Segundo o levantamento, realizado com base na análise de 1,6 milhão de fretes entre janeiro e março, tanto construção quanto agronegócio ampliaram seus volumes em 60% na comparação anual, apoiados pelas concessões de crédito imobiliário em um cenário de baixa taxa de juros e pelo aumento do PIB agropecuário, respectivamente.

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O resultado foi obtido mesmo com dificuldades representadas por problemas logísticos – como o impacto generalizado que o encalhe do navio Evergiven no Canal de Suez causou para o comércio global -, pelo avanço da Covid-19 no Brasil e pelo aumento do custo do transporte diante do valor mais alto do diesel, destacou a FreteBras.

No agronegócio, o crescimento de 60% em base anual ocorreu a despeito do atraso na colheita de soja, principal produto de exportação do Brasil, uma vez que fortes chuvas prejudicaram os trabalhos nos dois primeiros meses do ano, resultado em embarques 53% menores que os de igual período de 2020.

“Janeiro foi o pior mês desde 2014 (para a soja). O diferencial ficou em março, que teve uma recuperação histórica. Estados como Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás se adiantaram na colheita e o Brasil conseguiu exportar 24% mais soja do que no mesmo mês do ano passado”, disse em nota o diretor de operações da FreteBras, Bruno Hacad.

Os produtos mais transportados no período foram fertilizantes, com alta de 102% ante o ano passado, “em uma clara antecipação da expectativa de safra recorde este ano”, afirmou a companhia, que também chamou atenção para as movimentações de soja (+55%) e milho (+42%).

A FreteBras disse, com base na pesquisa, esperar uma recuperação ainda mais forte no segundo semestre do ano no Brasil, embora com menor fôlego do que o resto do mundo. Para a empresa, grande parte da retomada depende do sucesso da vacinação contra Covid-19.

“Qualquer previsão será altamente impactada pelo avanço do Plano Nacional de Imunização”, resumiu o relatório.

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PREÇO DO FRETE

Ainda de acordo com a FreteBras, o valor médio do frete no Brasil atingiu R$ 0,99 por quilômetro rodado por eixo no primeiro trimestre, alta de 1,99% na comparação anual, o que indica uma defasagem em relação ao aumento no preço do combustível.

Conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) compilados pela FreteBras, o valor médio do diesel nos postos subiu mais de 15% em todas as regiões do país nos três primeiros meses de 2021.

“O aumento no combustível é extremamente preocupante porque representa de 40% a 50% dos custos dos caminhoneiros, mas não está sendo refletido na mesma proporção no valor do frete”, disse Hacad. (Com Reuters)

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