Por que os EUA estão perdendo imigrantes empreendedores para outros países

Emmanuel Polanco/Reprodução/Forbes
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Empreendedores estrangeiros escalaram as muralhas do hostil sistema de imigração dos Estados Unidos para virarem bilionários, mas a dificuldade aumentou ainda mais, e a próxima geração pode não ter tanta sorte

John S. Kim, cofundador da Sendbird, que oferece bate-papo e mensagens em tempo real para sites e aplicativos móveis, mudou-se da Coreia do Sul natal para São Francisco há cinco anos.

Ele queria estar perto de seus clientes norte-americanos, como Yahoo, Reddit e Headspace, ter acesso ao capital de risco do Vale do Silício, contratar engenheiros norte-americanos e ampliar sua empresa aqui. Obteve facilmente um visto L-1, destinado a executivos estrangeiros não imigrantes, já que havia aberto o negócio na Coreia do Sul; entretanto, em 2019, ele tinha apenas uma extensão restante. Ele se candidatou a um green card para obter residência permanente legal – e recebeu uma carta dizendo que provavelmente o pedido seria negado. “O aviso de intenção de negar significa: ‘Vamos expulsá-lo; mude de ideia’”, diz ele. “Tínhamos arrecadado mais de US$ 100 milhões em financiamento, tínhamos uma receita real de dezenas de milhões de dólares, estávamos gerando empregos. Foi um tapa na cara, sem dúvida.”

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No fim das contas, Kim – cuja empresa hoje vale mais de US$ 1 bilhão e conta com a SoftBank e a Tiger Global entre os investidores – teve sorte. Passados dois meses, após discutir planos de contingência com seu CFO e seu diretor de recursos humanos e preencher pilhas de documentos adicionais, inclusive traduções das regras do serviço militar sul-coreano, ele obteve seu green card. Ele ainda se sente traumatizado com a experiência. “Você quer construir uma empresa, e não ser expulso”, diz Kim, que tem 40 anos e mora em São Francisco com a esposa e os dois filhos. “É como um anjo da morte pairando sobre você, quando não é cidadão.”

Antigamente um foco de empreendedorismo e fonte de esperança para os imigrantes, os Estados Unidos são hoje conhecidos por uma política de imigração complicada e altamente politizada que coloca obstáculos no caminho dos fundadores de empresas nascidos no exterior. O resultado, há anos, é que os imigrantes que querem abrir negócios no país se contorcem para se encaixar em uma das categorias de visto, como E-2 (destinado a investidores de países que têm tratados com os EUA) ou O-1 (voltado a pessoas com capacidade extraordinária), ou tentam improvisar algo com meia dúzia de outras categorias – nenhuma das quais foi realmente concebida para eles. A hostilidade escancarada do ex-presidente Donald Trump para com os imigrantes não está sendo repetida pelo atual governo, mas nem o presidente Joe Biden nem o novo Congresso tomaram as medidas necessárias para tornar os Estados Unidos um lugar mais acolhedor para recém-chegados altamente qualificados.

O problema básico é que os Estados Unidos não têm um visto de startup especificamente para fundadores, apesar de mais de uma década de tentativas de criá-lo. Durante anos, os Estados Unidos atraíram os melhores e mais brilhantes. Agora, no entanto, os empreendedores de todo o mundo têm opções em maior quantidade – e mais fáceis. Cerca de 25 países, entre os quais Singapura e o Reino Unido, estão cortejando empreendedores com vistos de startup criados na última década. “Não foram eles que tiveram a ideia. É uma ideia norte-americana que deixamos de pôr em prática”, explica Jeff Farrah, conselheiro geral da Associação Nacional de Capital de Risco (NVCA, na sigla em inglês).

“Há uma batalha mundial pelos talentos”, afirma Steve Case, o bilionário cofundador da AOL e da firma de investimentos Revolution, que tem falado abertamente sobre a importância de um visto de startup. “Queremos as melhores pessoas com as melhores ideias que queiram vir aos Estados Unidos, ficar nos Estados Unidos e montar sua empresa nos Estados Unidos. Caso contrário, corremos o risco de perder nossa liderança como nação mais inovadora e empreendedora do mundo.” Segundo ele, além de os imigrantes fundadores gerarem empregos em suas próprias empresas, existe um efeito cascata que leva a empregos adicionais na comunidade como um todo. “Sei que a imigração tem seus desafios, mas não vamos continuar sendo a nação mais inovadora se seguirmos tratando a imigração de forma difícil, caótica, irregular e cambaleante, sobretudo no que se refere aos empreendedores.”

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“HÁ OUTROS LUGARES NO MUNDO INTEIRO ONDE O EMPREENDEDORISMO DECOLOU… PORTANTO, OS FUNDADORES TÊM MAIS OPÇÕES. E, NA MEDIDA EM QUE NOSSAS POLÍTICAS DE IMIGRAÇÃO NÃO SÃO MUITO RECEPTIVAS, AS PESSOAS NÃO QUEREM VIR.”
JERRY YANG (TAIWAN): Patrimônio líquido de US$ 2,4 bilhões, Yahoo

Os empreendedores nascidos no exterior são o segredo do sucesso desta nação. Cerca de 3,2 milhões deles operam empresas nos Estados Unidos, o que representa 22% do total de imigrantes; a título de comparação, apenas 14% da população em geral é formada por donos de empresas. Eles detêm um número desproporcional de patentes de novas tecnologias, empregam 8 milhões de pessoas e estão representados como fundadores em mais da metade de todos os unicórnios financiado por capital de risco, inclusive a Databricks. Uma análise da lista de bilionários da Forbes encontrou 77 empresários estrangeiros que criaram empresas norte-americanas que, em conjunto, têm faturamento superior a US$ 528 bilhões e geram mais de 775 mil empregos. Entre os pesos-pesados corporativos com fundadores imigrantes estão Google, Tesla e Yahoo. “Se eu tivesse que me preocupar com visto, talvez o Yahoo não tivesse surgido”, diz Jerry Yang, o bilionário cofundador do Yahoo, que emigrou de Taiwan quando criança e era cidadão naturalizado na época em que abriu a empresa.

Continuar atraindo e mantendo todos esses talentos é primordial para o futuro dos Estados Unidos. Em seus últimos dias, o governo Obama preparou um novo programa denominado Regra do Empreendedor Internacional, o qual permitiria que fundadores estrangeiros com pelo menos US$ 250 mil em financiamento permanecessem nos Estados Unidos sem visto – mas o programa foi engavetado no governo Trump. Em maio, o governo Biden anunciou que está trazendo a regra de volta, mas ela continua sendo uma medida paliativa, sem um caminho claro para a residência permanente ou a cidadania.

Some-se a tudo isso as políticas anti-imigração dos anos Trump e o tempo de espera cada vez mais longo para obter um green card com base em um emprego – superior a cinco anos, em média, e ainda mais para pessoas de países como a Índia, que tem muitos candidatos, mas nenhuma vaga adicional alocada –, e os EUA correm o risco de perder seu status de lugar certo para abrir uma empresa. Nos primeiros três anos do mandato de Trump, até 2019 (os dados de 2020 ainda não estão disponíveis), o número de empresários imigrantes cresceu um total de 4,1%, em comparação com um salto de 11,3% nos três anos anteriores, de acordo com dados da New American Economy, um grupo de pesquisa e defesa da imigração, com base na Pesquisa sobre a Comunidade Norte-Americana do Departamento do Censo. Em 2019, o número de empresários nascidos no exterior diminuiu em 4,4 mil no país, a única queda anual desde o ano 2000.

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“Os Estados Unidos perdem competitividade gradativamente. É como um pneu vazando ar”, explica Vivek Wadhwa, que é pesquisador na Faculdade de Direito de Harvard e autor do livro “The Immigrant Exodus: Why America Is Losing the Global Race to Capture Entrepreneurial Talent”, publicado em 2012. “O fato é que os melhores e mais brilhantes não vêm mais para cá.”

Ou vêm, mas não se incomodam em abrir empresas. “Conheço muitos doutores por Stanford que querem abrir empresa, mas não têm o status”, diz Xiaoyin Qu, imigrante chinês que já esteve na lista 30 Under 30 da Forbes. Ele recebeu um green card quando trabalhava no Facebook e saiu da empresa para fundar a Run the World, que promove eventos virtuais. “Conheço pelo menos 20 pessoas do Facebook que querem abrir empresa, mas não podem porque não têm visto.”

Os EUA não estão facilitando nada. Em conversas com mais de duas dezenas de fundadores estrangeiros, eles falaram dos problemas que enfrentaram e das decisões difíceis que tiveram de tomar. Alguns esperaram anos para abrir empresa por causa de seu status de imigração; outros se mudaram para o exterior devido a dificuldades com o visto no país.

Depois de concluir um mestrado em Carnegie Mellon, Genia Trofimova, hoje com 35 anos, voltou para a Estônia, país favorável às startups, e fundou a plataforma de coaching virtual Introwise. Dois anos depois, criou uma entidade nos Estados Unidos para poder participar de uma temporada na aceleradora Techstars, em Seattle. Ela está de volta à Estônia, mas dá um pulo na empresa norte-americana quando pode. Em sua última viagem aos Estados Unidos, Trofimova, que viaja com visto temporário de negócios B-1 (que não permite ao detentor trabalhar nos Estados Unidos), conta que ficou detida no aeroporto por cinco horas: “Eles me disseram que eu não parecia uma fundadora”.

Peyman Salehian, um iraniano de 34 anos, pensou em ir aos Estados Unidos para fazer pós-graduação depois de fundar sua primeira empresa, mas foi atraído pela Universidade Nacional de Singapura. Depois de concluir o doutorado lá em engenharia química e biomolecular, ele fundou a empresa de biologia sintética Allozymes com um amigo no fim de 2019. Pensou em se mudar para os EUA e recebeu ofertas de capital para startup, mas decidiu ficar em Singapura e obter financiamento de um grande investidor local. A Allozymes ainda está no começo, tendo levantado um quarto de milhão de dólares. “O investidor interessado em nós [nos EUA] queria que fôssemos aos Estados Unidos imediatamente e constituíssemos a empresa lá, mas não podíamos fazer isso”, lembra Salehian. “Conversamos com os advogados, mas não há [uma versão norte-americana do] EntrePass [visto de trabalho de Singapura para empresários estrangeiros], e qualquer outro tipo de visto leva mais tempo.”

Enquanto isso, Nilay Parikh, de 30 anos, chegou da Índia nove anos atrás para fazer mestrado em engenharia aeroespacial na Universidade do Sul da Califórnia e hoje trabalha em uma empresa de software de Chicago com um visto H-1B, o principal visto de três anos para funcionários de grandes empresas. Parikh teve a ideia de abrir uma startup que usaria inteligência artificial para aumentar a segurança das fábricas, mas não pôde fazer isso nos Estados Unidos devido às regras de imigração e não quis esperar até conseguir um green card. Sua solução: ele manteve o emprego nos Estados Unidos, mas constituiu a empresa, chamada Be Global Safety, na Holanda.
“Definitivamente, é muito complicado”, diz ele. “Eu estava cogitando Canadá, Dubai, Alemanha e Holanda.” Esta última venceu, segundo ele, porque oferece recursos para empresas de IA e porque Roterdã, cidade que ele ainda não visitou devido às restrições às viagens referentes à pandemia, é um polo aeroespacial e dispõe de um porto importante.

Noubar Afeyan, o bilionário fundador da Flagship Pioneering – firma sediada em Cambridge, Massachusetts, que criou a Moderna, fabricante de vacinas contra a Covid-19 –, diz que as dificuldades com vistos atrasaram a abertura de várias de suas startups, em alguns casos por meses. “A incerteza sobre se a pessoa conseguiu ou não [um visto] nos fez desacelerar as coisas”, diz Afeyan, de 58 anos, neto de refugiados armênios que nasceu no Líbano e se tornou cidadão norte-americano em 2008. “O ambiente está cada vez mais difícil e imprevisível.”

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É difícil quantificar coisas que nunca aconteceram ou contar empresas que não chegaram a ser fundadas, mas uma análise feita em 2013 pela Fundação Kauffman concluiu que um visto de startup teria liberado a demanda empresarial reprimida, resultando em até 1,6 milhão de novos empregos em 10 anos. Publicado em 2020 pelo Departamento Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês), um documento de trabalho sobre os motivos de as restrições à imigração serem ruins para o empreendedorismo nos EUA mostra que os imigrantes apresentaram probabilidade 80% mais alta de abrir um negócio do que os nascidos nos EUA e que o número de empregos gerados por essas empresas fundadas por imigrantes foi 42% superior em comparação com as empresas fundadas pelos norte-americanos natos, em relação a cada população.

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“AS PESSOAS QUE QUEREM TRAZER NÃO SÓ DINHEIRO, MAS TAMBÉM SUA CAPACIDADE DE CRIAR EMPRESAS COM EMPREGOS, DEVERIAM TER UMA MANEIRA DE ENTRAR. O PAÍS PODE SE BENEFICIAR DE UMA MENTALIDADE MAIS DE IMIGRANTE.”
NOUBAR AFEYAN (LÍBANO): Patrimônio líquido de US$ 1,2 bilhão, Flagship Pioneering

Os empreendedores são um aspecto de um debate muito mais amplo sobre o problemático sistema de imigração dos EUA, mas são essenciais para o crescimento econômico do país. “Ao inibir e impedir que imigrantes empreendedores venham aos EUA, estamos colocando nosso país propositalmente em desvantagem competitiva”, diz Brad Feld, diretor administrativo do Foundry Group e cofundador da aceleradora Techstars.

Um dos motivos pelos quais tantos outros países oferecem privilégios e vistos de startup é que eles precisam oferecê-los para atrair empreendedores talentosos. Historicamente, os Estados Unidos não tiveram de se preocupar com isso. As universidades norte-americanas sempre atraíram gente de fora, e milhares de estudantes de instituições de elite como MIT, Stanford e Carnegie Mellon abrem empresas depois que formam. Na década de 1990 – quando o refugiado soviético Sergey Brin cofundou o Google e o imigrante francês Pierre Omidyar fundou o eBay –, mais de 90% do capital de risco mundial ia para empresas norte-americanas, de acordo com pesquisa publicada pelo Centro de Empreendedorismo Norte-Americano.

Agora, porém, as empresas de capital de risco do Vale do Silício vêm investindo globalmente, e os investidores estrangeiros estão buscando recriar os ecossistemas de startups dos EUA em outros lugares. Hoje, pouco mais da metade do financiamento de risco mundial – ou US$ 164 bilhões de um total de US$ 321 bilhões – vai para empresas norte-americanas, de acordo com a NVCA. O empresário indiano Kunal Bahl, fundador da gigante do comércio eletrônico Snapdeal, foi embora dos Estados Unidos em 2007, quando não conseguiu obter um visto H-1B depois de se formar na Faculdade Wharton. Esse mercado eletrônico emprega hoje cerca de 4 mil pessoas, a maior parte na Índia. “As regras de imigração com as quais trabalhamos têm quatro décadas”, comenta Elizabeth Goss, uma advogada de imigração de Boston. “Os empreendedores são geradores de empregos.”

Para aumentar as preocupações, há o efeito da pandemia nas universidades norte-americanas. Há muito tempo, fazer graduação ou pós-graduação nos Estados Unidos é uma das principais vias de entrada no país para os empresários nascidos no exterior. A Covid-19 impactou isso. O número total de estudantes internacionais, tanto presenciais quanto online, caiu 16% no outono de 2020, segundo um relatório encabeçado pelo Instituto de Educação Internacional. Obviamente, esses números vão se recuperar até certo ponto após a Covid, mas talvez não aos níveis pré-pandemia.

“É preciso pensar nas pessoas que não conseguiram visto para estudar nos Estados Unidos e, portanto, não estarão em posição de fundar uma empresa posteriormente”, diz Pierre Azoulay, um professor da Faculdade de Administração Sloan do MIT que estuda empreendedores imigrantes e é um dos autores do estudo do NBER.

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“COMO IMIGRANTE, AS CONDIÇÕES NÃO SÃO EQUITATIVAS, MAS O TRABALHO MAIS ÁRDUO LHE DÁ VANTAGEM AO LONGO DOS ANOS.”
EREN OZMEN (TURQUIA): Patrimônio líquido de US$ 1,2 bilhão, Sierra Nevada

Em 2008, o capitalista de risco Feld começou a reivindicar um novo visto de startup para empreendedores depois de ver uma série de fundadores não norte-americanos da Techstars passar por dificuldades para abrir empresa no país. Em 2010, os então senadores Richard Lugar (republicano de Indiana) e John Kerry (democrata de Massachusetts) apresentaram a primeira legislação sobre vistos de startup – mas não conseguiram aprová-la. Outro visto de startup foi incluído no abrangente projeto de reforma da imigração de 2013; também mofou. De lá para cá, houve iniciativas bipartidárias sob a responsabilidade de Jerry Moran (republicano do Kansas) e Mark Warner (democrata da Virginia) no Senado e de Zoe Lofgren (democrata da Califórnia) e Luis Gutiérrez (ex-deputado democrata de Illinois) na Câmara. Nenhuma virou lei. Lofgren, que supervisiona o subcomitê de imigração, está trabalhando em um novo visto.

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O maior obstáculo é libertar um possível visto de startup da paralisia tóxica das políticas de imigração dos Estados Unidos. “Não temos predadores naturais na selva que digam que queremos ter menos empreendedorismo, e não mais empreendedorismo, mas não temos sido capazes de separar isso do debate mais amplo sobre a imigração”, diz Farrah, da NVCA.

Sem uma legislação federal, surgiram vários programas específicos para suprir essa falta. A iniciativa Global EIR, fundada em 2015 e sediada em Nova York, atua em parceria com cidades como Detroit e Pittsburgh para criar de empreendedores imigrantes em residência. Até o momento, a Global EIR trabalhou com mais de 100 fundadores, que levantaram cerca de US$ 500 milhões e geraram cerca de mil empregos. Para ter uma noção do tamanho das oportunidades que estamos perdendo, imagine isso multiplicado por 100 por um programa formal de visto de empreendedor.

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“QUANDO EU ESTAVA COM O VISTO H-1B, TIVE VÁRIAS IDEIAS DE NEGÓCIOS QUE NÃO PUDE IMPLEMENTAR PORQUE ESTAVA PRESO [AO MEU EMPREGADOR] NÃO SÓ PELO H-1B, MAS TAMBÉM PELO PROCESSO DE DOIS ANOS PARA OBTER MEU GREEN CARD.”
MARK JONES (CANADÁ): patrimônio líquido de US$ 1 bilhão, Goosehead Insurance

Um ponto positivo: a Regra do Empreendedor Internacional. Trata-se da política que o governo Biden ressuscitou em maio e que permite ao Departamento de Segurança Interna conceder “liberdade condicional” a empreendedores estrangeiros que tenham pelo menos US$ 250 mil em financiamento. Pela regra, os fundadores, que precisam comprovar que trazem algum benefício, podem trabalhar em suas startups por dois anos e meio, com possibilidade de uma prorrogação. Quando a regra foi proposta, no governo de Barack Obama, havia uma previsão de cerca de 3 mil candidatos por ano – com potencial para gerar até 430 mil empregos nos Estados Unidos em 10 anos. Então, Trump a destruiu e, em quatro anos, foram só 28 candidatos e apenas um aprovado.

Yiannis Yiakoumis, que foi da Grécia aos Estados Unidos e concluiu um doutorado em engenharia elétrica em Stanford, foi o único candidato bem-sucedido. Em 2017, ele cofundou a Selfie Networks, que tem sede em São Francisco e melhora a segurança e o desempenho de redes com base em sua pesquisa acadêmica. Ele já tinha um visto O-1, mas este não permitia que sua esposa trabalhasse; então, quando soube da possibilidade de liberdade condicional, ele se inscreveu em 2018. “Não tínhamos nada a perder”, diz Yiakoumis, de 39 anos. “Achávamos que ninguém nem olharia para aquilo.” Demorou um ano, mas ele foi aprovado, para surpresa geral.

Glen Wang, de 30 anos, que nasceu na China e se formou na Universidade de Chicago, está com os pais em Calgary, no Canadá, enquanto prepara seu pedido de liberdade condicional. No fim de 2019, ele cofundou a The Third Place, uma startup de São Francisco que ajuda restaurantes a aumentar o volume de negócios por meio da criação de pedidos de entrega recorrentes e que ele levou à aceleradora Y Combinator. Contudo, seu visto H-1B anterior o vinculava a seu antigo empregador, a empresa de educação online Khan Academy. “Juridicamente, é bem complicado trabalhar em tempo integral em sua própria startup antes de ter algum tipo de status que a formalize”, afirma ele.

Sophie Alcorn, uma advogada de imigração do Vale do Silício, prevê entrar com vários pedidos para empreendedores em breve. “Alguns dos fundadores estão fora dos Estados Unidos, mas não podem entrar, enquanto outros estão aqui, mas não podem trabalhar na empresa da qual são donos”, diz ela. “Estou escolhendo a dedo aqueles que já levantaram milhões de dólares.”

A regra ressuscitada é um grande passo, mas não é um visto. Ela é permitida sob supervisão presidencial como uma questão humanitária e pode ser suspensa por um futuro governo. Também não existe um caminho direto da liberdade condicional à residência permanente para os fundadores que queiram ficar. Isso só seria possível com a criação de um visto de startup.

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“Espero que o Congresso aja antes que seja tarde demais”, diz Steve Case. “Será que pode acontecer algo nos próximos anos? É melhor que aconteça; do contrário, acho que nosso país, em termos de ser o líder da economia da inovação, está em risco.”

O partidarismo na política de imigração deixou o visto de startup muito tempo no limbo e sempre fora de alcance. Todavia, considerando-se que os Estados Unidos estão buscando maneiras de ajudar a economia a se recuperar após a pandemia, ele não deveria demorar tanto. Afinal, outros países estão felizes em receber esses aspirantes ao sonho americano.

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