BC considerou subir os juros em mais de um ponto, mostra ata do Copom

Com cenário de incertezas sobre a inflação, BC pensa em aumentar aperto da Selic para patamar "significativamente contracionista".

Redação
Compartilhe esta publicação:
Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Prédio do Banco Central em Brasília (DF)

Acessibilidade


O Banco Central ponderou subir os juros para além do ajuste de 1 ponto que acabou adotando, mas chegou à conclusão que considerando o cenário de incertezas sobre os choques na inflação, era melhor aumentar o ciclo de aperto na Selic para patamar “significativamente contracionista”.

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) publicada hoje (28), o BC também apontou que, ao cabo, a leitura foi de que a elevação em 1 ponto era adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2022 enquanto avalia com mais cautela o estado da economia após o impacto causado pela crise de Covid-19.

LEIA TAMBÉM: Manteremos política monetária normal tanto quanto possível, diz presidente do BC da China

“O Copom concluiu que, neste momento, a manutenção do atual ritmo de ajuste associada ao aumento da magnitude do ciclo de ajuste da política monetária para patamar significativamente contracionista é a estratégia mais apropriada para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023″, trouxe a ata.

Na semana passada, o BC aumentou a taxa básica de juros em 1 ponto percentual, ao patamar de 6,25% ao ano, e indicou que deverá repetir a dose na próxima reunião do Copom, em outubro, dando sequência ao seu agressivo ciclo de aperto monetário para domar a inflação.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Na ocasião, o BC já havia adotado um tom mais assertivo ao frisar que sua intenção era avançar “no território contracionista”, levando os juros a patamar em que atuam no sentido de esfriar a economia para conseguir com isso conter a inflação. Antes, o BC havia se limitado a dizer que era adequado levar a Selic para patamar acima do neutro.

Hoje (28), o BC jogou mais de luz sobre sua visão, ao explicitar que mira um nível “significativamente contracionista” para os juros básicos para que a inflação seja ancorada.

De acordo com o documento, três ponderações foram levadas em conta pelo Copom ao se debruçar sobre os custos e benefícios de acelerar o ritmo da elevação dos juros.

VEJA MAIS: Petrobras avalia elevar preços de combustíveis nas refinarias

Em primeiro lugar, o BC avaliou que o estágio do ciclo de ajuste é caracterizado por uma política monetária já efetivamente contracionista. Ou seja, que atua no sentido de esfriar a economia.

Em segundo, a autoridade monetária pontuou que simulações com trajetórias de elevação de juros que mantêm o ritmo atual de ajuste, mas consideram diferentes taxas terminais, sugerem que o atual ritmo de elevação na Selic é suficiente para atingir patamar significativamente contracionista e garantir a convergência da inflação para a meta em 2022, a despeito da assimetria no balanço de riscos.

“Finalmente, o peso de itens voláteis nas revisões das projeções de inflação de curto prazo e o ineditismo do processo de readequação econômica pós-pandemia reforçam o benefício de acumular mais informações sobre o estado da economia e a persistência dos choques em vigor”, destacou o documento.

Pelo cenário básico já divulgado na semana passada, as contas do BC são de inflação em 8,5% em 2021, 3,7% em 2022 e 3,2% em 2023, contra metas centrais de 3,75%, 3,5% e 3,25%, respectivamente, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos em todos os casos.

O horizonte relevante para a política monetária contempla o ano que vem e o próximo, sendo que para 2022 as expectativas estão “ligeiramente acima da meta”, reconheceu o BC.

“O Comitê ponderou que os riscos fiscais continuam implicando um viés de alta nas projeções. Essa assimetria no balanço de riscos afeta o grau apropriado de estímulo monetário, justificando assim uma trajetória para a política monetária mais contracionista do que a utilizada no cenário básico”, disse o BC, repetindo alerta sobre o impacto dos temores quanto à gestão das contas públicas em variáveis que afetam a inflação.

LEIA TAMBÉM: Confiança da indústria no Brasil cai pelo 2° mês consecutivo em setembro, diz FGV

Na pesquisa Focus mais recente, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, as expectativas são de alta do IPCA de 8,45% este ano, 4,12% ano que vem e 3,25% em 2023. Para 2022, portanto, o mercado segue piorando suas projeções, mantendo visão mais pessimista que a do BC.

Sobre a inflação, o BC reforçou na ata mensagem que já havia divulgado na semana passada, de que a inflação ao consumidor segue elevada e que a alta em bens industriais deve prosseguir no curto prazo.

Ao mesmo tempo em que destacou que os preços de serviços subiram a taxas maiores, mas que o movimento era esperado, o BC chamou a atenção sobre a persistência de pressões sobre componentes voláteis como alimentos, combustíveis e, especialmente, energia elétrica, que refletem fatores como câmbio, preços de commodities e condições climáticas desfavoráveis. (Com Reuters)

 

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga Forbes Money no Telegram e tenha acesso a notícias do mercado financeiro em primeira mão

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Compartilhe esta publicação: