Ibovespa acompanha exterior e recua ao menor patamar desde novembro de 2020

Risco de calote da chinesa Evergrande contaminou mercados, e queda nos preços das commodities afetou ações de grandes companhias brasileiras.

Diana Lott
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O Ibovespa fechou hoje (20) em forte queda de 2,33%, a 108.842 pontos, menor patamar desde novembro do ano passado. O risco de calote da incorporadora Evergrande contaminou os mercados europeus, norte-americano e brasileiro e disparou um movimento de venda em todo o mundo. Investidores temem que a inadimplência da gigante chinesa prejudique o crescimento do país asiático e comprometa o seu sistema financeiro.

A Evergrande tem que pagar US$ 83,5 milhões em juros em 23 de setembro, e mais US$ 47,5 milhões em 29 de setembro. A incorporadora disse no domingo (19) que começou a reembolsar com imóveis os investidores em seus produtos de gestão de fortunas. As ações da companhia fecharam em queda de 10,2% na Bolsa de Hong Kong nesta segunda-feira, chegando ao nível mais baixo desde maio de 2010.

No Brasil, o dólar subiu 0,87%, a R$ 5,3327 na venda, com a aversão a risco no exterior levando à desvalorização da moeda brasileira.

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A expectativa de nova alta da Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que acontece na quarta-feira (22), afetou o desempenho das ações de bancos. Itaú (ITUB4) e sua holding, Itaúsa (ITSA4), fecharam com queda de 2,41% e 1,47%. Os papéis do Bradesco (BBDC4) recuaram 3,75%; o Santander (SANB11) registrou baixa de 2,96%; e o Banco do Brasil (BBAS3), de 2,90%. Juntos, os cinco respondem por 26,6% do Ibovespa.

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Também pesou sobre a Bolsa brasileira a baixa nos preços das commodities, principalmente do minério de ferro e do petróleo. “O preço do minério de ferro caiu mais de 8%, acumulando uma baixa de 55% em apenas dois meses. A queda é resultado da política chinesa de diminuição da produção de aço, visando metas ambientais, além da desaceleração do setor de construção [no país]”, afirma Filipe Fradinho, analista da Clear Corretora.

Petrobras (PETR3 e PETR4), Vale (VALE3) e a holding da mineradora, Bradespar (BRAP4), recuaram 1,06%, 1,40%, 3,19% e 3,95%, respectivamente. Juntas, elas correspondem a 24,6% da carteira teórica do Ibovespa.

Além do cenário externo desfavorável, o impasse em torno do orçamento do governo federal de 2022 tem afetado o desempenho da Bolsa. Executivo e Congresso ainda não chegaram a um acordo para solucionar o pagamento de precatórios, que somam R$ 89 bilhões.

A maior queda do dia foi da Braskem (BRKM5), que recuou 11,54%, após o jornal Valor Econômico noticiar que a Novonor (ex-Odebrecht) planeja negociar na Bolsa sua participação na companhia, que corresponde a 50,1% do capital votante e de 38,3% do capital total.

A Copel (CPLE6) fechou na contramão do mercado, com valorização de 4,68%. A Companhia Paranaense de Energia anunciou na sexta-feira (17) a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 1,437 bilhão.

Em Wall Street, os principais índices fecharam em baixa. O Dow Jones recuou 1,78%, a 33.970 pontos. O Nasdaq teve queda de 2,19%, a 14.713 pontos. O S&P 500 caiu 1,70%, a 4.357 pontos, com todos os seus 11 setores registrando baixas.

O movimento de venda foi causado não só pela situação da Evergrande, mas também pela proximidade da reunião das autoridades do Fed, o banco central norte-americano, programada para se iniciar amanhã (21). Os investidores esperam indicações sobre o futuro da política monetária dos Estados Unidos, que atualmente conta com um programa de compra mensal de títulos no valor de US$ 120 bilhões. (Com Reuters)

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