Calote de US$ 206 milhões da incorporadora Fantasia agrava problemas do setor imobiliário chinês

A agência de classificação de risco Fitch Ratings tinha rebaixado, no mesmo dia, a nota da incorporadora de ‘B’ para ‘CCC-’.

Russell Flannery
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NORA TAM/SOUTH CHINA MORNING POST VIA GETTY IMAGES
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Pan Jun, presidente da Fantasia, no Four Seasons Hotel em Hong Kong em 2016

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A incorporadora chinesa Fantasia Holdings afirmou, em documento publicado na noite de ontem (4), que deixou de pagar US$ 206 milhões em dívidas vencidas nesta segunda-feira. “A empresa não fez o pagamento no dia”, informou a companhia em comunicado. O anúncio levanta novas preocupações a respeito da condição financeira e da transparência do setor imobiliário chinês.

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, tinha rebaixado, no mesmo dia, a nota da incorporadora de “B” para “CCC-”, após ser relatado na mídia que a Fantasia perdeu o pagamento de uma emissão de bônus de US$ 100 milhões, com vencimento em 28 de setembro. “O título foi garantido pela empresa, mas não parece ter sido incluído nos relatórios financeiros”, afirmou a Fitch. “De acordo com a Fantasia, ela transferiu os fundos para a conta relevante em 28 de setembro, e os detentores dos títulos receberam a quantia no dia seguinte.”

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“Acreditamos que a existência desses títulos significa que a situação de liquidez da empresa pode estar mais apertada do que esperávamos anteriormente. O atraso no pagamento também levanta dúvidas sobre a capacidade da Fantasia de pagar seus vencimentos em tempo hábil. Além disso, este incidente lança dúvidas a respeito da transparência das divulgações financeiras da empresa. ”

“No momento deste comentário, a Fitch não foi capaz de determinar se a Fantasia transferiu os fundos para o reembolso de seus títulos em dólares dos EUA, com vencimento em 4 de outubro de 2021. O não pagamento dos títulos levaria a novos ratings negativos.”

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Após a classificação negativa feita pela Fitch no início do dia, Fantasia disse na noite de ontem que não havia feito o pagamento da dívida vencida em 4 de outubro. A empresa tem ainda US$ 1,9 bilhão em títulos offshore e 6,4 bilhões de yuans em dívida onshore com vencimento ou opção de venda até o final de 2022, disse a Fitch.

Os problemas de Fantasia vêm no mesmo momento em que o China Evergrande Group, incorporador imobiliário mais endividado do mundo, com mais de US$ 305 bilhões em dívidas, não consegue fazer os pagamentos devidos aos credores, agitando os mercados de capitais em todo o planeta.

As ações da China Evergrande negociadas em Hong Kong e seu braço de serviços Evergrande Property Services foram suspensas em ontem (4), em meio a relatos de que a desenvolvedora chinesa Hopson Development, controlada pelo bilionário Chu Mang Yee, iria investir US$ 5 bilhões na Evergrande Services.

O índice benchmark Hang Seng, de Hong Kong, caiu 2,2% para seu menor fechamento em quase um ano na segunda-feira. As ações da Fantasia foram suspensas desde 29 de setembro na Bolsa de Valores de Hong Kong.

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Citando as divulgações da empresa Fantasia, a Fitch observou ontem que a incorporadora tinha no final de agosto US$ 200 milhões em dinheiro em contas offshore, “o que seria suficiente para cobrir os títulos em dólares dos EUA com vencimento em outubro”.

Segundo a Fitch, porém, que a empresa confirmou à agência que US$ 102 milhões do saldo de caixa offshore foram utilizados para pagar um título privado não divulgado anteriormente, em 28 de setembro. A Fantasia disse que pretendia transferir os fundos necessários para pagar os US$ 208 milhões devidos em 4 de outubro para contas de administração, “mas a Fitch não teve como verificar se isso foi feito”.

Foi depois do corte na classificação de Fitch que a Fantasia anunciou que o saldo da dívida de 4 de outubro não havia sido pago. Isso levanta a expectativa de uma redução maior na classificação da dívida pendente e de questões sobre a transparência de outras dívidas do setor imobiliário chinês.

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