Ibovespa cai 2,11% com avanço da inflação e expectativa de alta da Selic

IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou o maior resultado para outubro dos últimos 26 anos.

Diana Lott
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O Ibovespa fechou em queda de 2,11%, a 106.419 pontos, sob o impacto de dados macroeconômicos que decepcionaram os investidores. As leituras mensais e em 12 meses do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) vieram bem acima das estimativas de analistas consultados pela Reuters, e a geração de empregos medida pelo Caged, do Ministério do Trabalho, ficou abaixo do esperado.

O resultado da prévia da inflação, que atingiu o maior patamar para o mês de outubro em 26 anos, gerou uma onda de revisões das estimativas de grandes bancos. O índice saltou 1,20% em outubro, ante alta de 1% no mês anterior, a mais elevada para qualquer mês desde fevereiro de 2016, segundo dados divulgados pelo IBGE desta terça-feira. 

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Com o resultado, o indicador acumula alta de 8,30% no ano. Em 12 meses, a taxa foi a 10,34%, acima dos 10,05% registrados no mesmo período até setembro. O dado também veio bem acima das medianas apuradas em pesquisa da Reuters, que indicavam alta de 0,97% no mês e de 10,09% em 12 meses.

Instituições como Credit Suisse, Goldman Sachs e Citi passaram a ver um aumento mais forte da taxa Selic no curto prazo e crescimento econômico menor em 2022. O JPMorgan, por sua vez, baixou a zero a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2022, ante taxa de 0,9% no cenário anterior, citando pressão sobre a atividade decorrente de “eventos recentes e decisões de política”. 

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O banco frisou, no entanto, que o momento pode ser de oportunidade: “Continuamos a defender que o mercado oferece um ponto de entrada interessante, talvez o melhor que encontraremos por um tempo”, afirmam seus estrategistas em relatório a clientes.

O mercado espera com ansiedade o desfecho da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que se encerrará amanhã (27) com o anúncio da nova taxa básica de juros. A expectativa de analistas é que a Selic tenha aumento de 1,50 ponto percentual, passando de 6,25% a 7,75% ao ano. 

O dólar subiu 0,27%, a R$ 5,5716 na venda, também sob o impacto dos dados da inflação e das projeções para a taxa de juros. Outro fator que pesa sobre o câmbio são as incertezas políticas em torno do orçamento de 2022, principalmente as relacionadas ao teto de gastos e ao pagamento dos precatórios. 

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou na tarde desta terça que a PEC (proposta de emenda constitucional) dos Precatórios “provavelmente” estará pronta para votação amanhã (27). O deputado não descartou a possibilidade de que o teste seja modificado, mas lembrou que podem haver impedimentos regimentais para mudanças mais expressivas.

Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta modesta nesta terça-feira, com o Dow Jones e o S&P 500 atingindo novos recordes de 35.756 e 4.574 pontos, após subirem 0,04% e 0,18%, respectivamente. O Nasdaq cresceu 0,06%, a 15.235 pontos. 

O Facebook Inc foi o maior obstáculo para o S&P 500 e o Nasdad. As ações da companhia limitaram os ganhos dos dois índices após a divulgação do balanço do terceiro trimestre e o alerta de que as mudanças na política de privacidade da Apple afetariam negativamente o seu negócio digital. (Com Reuters)

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