Ibovespa encerra em alta e dólar dispara após Fed anunciar aumento de juros

“Está em grande parte alinhado com o que o mercado esperava", diz analista.

Isabella Velleda
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O Ibovespa fechou hoje (15) em alta de 0,63%, a 107.431 pontos, após o comunicado de política monetária do Federal Reserve, banco central norte-americano, vir em linha com as expectativas do mercado. A autoridade monetária anunciou que irá acelerar a redução de estímulos à economia como reação à inflação mais elevada do que o esperado.

“A notícia é positiva. Significa que o país está conseguindo andar com as próprias pernas, sem a bengala de tantos pacotes de estímulos feitos em tempos passados. Lógico que isso ainda dependerá de dados da atividade nos trimestres seguintes. Mas, se forem positivos, [isso significaria] um crescimento sem ser artificial e sem as muitas distorções causadas por tantos incentivos”, diz João Beck, economista e sócio da BRA.

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Em Wall Street, os índices inverteram o sentido e encerraram no azul. O Dow Jones subiu 1,08%, a 35.927 pontos; o S&P 500 ganhou 1,63%, a 4.709 pontos; e o Nasdaq registrou avanço de 2,15%, a 15.565 pontos.

O tom positivo surgiu após o Federal Reserve sinalizar que encerrará em março suas compras de títulos adotadas para apoiar a economia norte-americana durante a pandemia, abrindo o caminho para três aumentos de 0,25 ponto-percentual nas taxas de juros até o fim de 2022.

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“Está em grande parte alinhado com o que o mercado esperava. Talvez os mercados estivessem esperando algo até mais hawkish [austero] do que isso”, comenta Gregory Daco, economista-chefe da Oxford Economics.

Em novas projeções econômicas divulgadas após o término da reunião de política monetária, as autoridades previram que a inflação norte-americana ficará em 2,6% no próximo ano, em comparação com a taxa de 2,2% projetada em setembro. Além disso, há expectativas de que a taxa de desemprego caia para 3,5%.

O dólar fechou em alta de 0,21%, negociado a R$ 5,7055 na venda, em reação à notícia de que o Federal Reserve irá antecipar uma alta dos juros. O reajuste aumenta a rentabilidade dos títulos da dívida norte-americana, considerados um dos investimentos mais seguros –o movimento faz crescer o fluxo de recursos estrangeiros que deixam os mercados emergentes, como o Brasil, e migram para o país.

Além da decisão do Fed, analistas apontam outro fator que contribuiu para a cotação de hoje: a saída sazonal de recursos do mercado doméstico, o que ajudaria a explicar parte da valorização recente do dólar. “O final do ano tem uma sazonalidade ruim [para o câmbio]. Temos visto saídas de recursos principalmente do setor corporativo, como pagamentos de dividendos. Isso acontece no último trimestre do ano, é normal”, diz David Beker, chefe de economia no Brasil do Bank of America. (Com Reuters)

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