Itaú, Bradesco e Santander: após balanços, veja qual é a aposta dos analistas

Bancos registraram perdas nas últimas semanas depois de divulgarem resultados mistos .

Vitória Fernandes
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Manusapon Kasosod/Getty Images
Manusapon Kasosod/Getty Images

Resultados dos bancos movimentam o mercado

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A temporada de balanços financeiros do 4º trimestre de 2021 se iniciou há menos de duas semanas e já mexeu com o mercado de forma expressiva. Os resultados de três dos principais bancos do país, Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11), movimentaram o setor bancário como um todo na semana passada e causaram perdas.

A Forbes conversou com analistas do mercado para entender quais são as perspectivas das três companhias e responder à pergunta dos investidores: em qual ação eles apostam?

Santander

O Santander foi o primeiro a reportar o desempenho do último trimestre do ano. O lucro do banco registrou queda de 10,6% na comparação anual, totalizando R$ 3,8 bilhões, montante 9% abaixo das expectativas do mercado. O valor, apesar de ter decepcionado os investidores, não foge muito do registrado no mesmo período de 2019, antes da pandemia. Na época, foram R$ 3,7 bilhões.

O índice de inadimplência total acima de 90 dias apresentou alta de 0,61 pontos percentuais no período e o retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 19,49% no trimestre

A carteira de crédito do banco cresceu de R$ 411,6 milhões para R$ 462,5 milhões, alta de 12,4%.

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“O desempenho da carteira de crédito foi impulsionado pelo crescimento de 5% dos financiamentos para pessoas físicas, com expansão em todas as modalidades deste segmento”, afirma Leo Monteiro, analista de research da Ativa Investimentos.

“Para o segmento de pessoas jurídicas, verificou-se uma variação positiva de 0,2%, em função de um pior desempenho nas linhas de comércio exterior, crédito imobiliário, repasses e crédito rural.”

No dia da divulgação dos dados, 2 de fevereiro, as ações do banco recuaram 2,99%.

Bradesco

Os resultados financeiros do Bradesco também não agradaram ao mercado. A empresa encerrou o último trimestre do ano com lucro recorrente de R$ 6,6 bilhões, queda de 2,8% em relação ao mesmo período de 2020 e 5% abaixo das perspectivas. O resultado foi igual ao do último trimestre de 2019, antes da pandemia.

A inadimplência total acima de 90 dias se manteve nos menores patamares da série histórica, com melhora de 0,5 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre de 2020.

A carteira de crédito do banco totalizou R$ 812,7 bilhões no ano, alta de 18,3% em comparação ao ano anterior.

“Os dados vieram pouco abaixo do esperado, mas levaram a um movimento de realização por parte dos formadores de preço, com queda de 8,58% nas ações no dia da divulgação. Desde então os papéis do banco apresentaram leve recuperação técnica, ainda acumulando prejuízos desde a divulgação dos resultados”, afirma Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3.

Para o analista da Guide Investimentos Rodrigo Crespi, nem tudo foi ruim. “No lado positivo, os resultados advindos de seguros, previdência e capitalização, onde o Bradesco é um dos principais players do país, alcançaram R$ 3,5 bilhões, 54,6% acima do 4o trimestre de 2020, uma linha de resultado significativa para o banco”, explica.

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Itaú Unibanco

O Itaú, ao contrário de seus concorrentes, brilhou os olhos dos analistas e subiu mais de 6% no pregão de sexta-feira (11). O banco reportou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões nos últimos três meses do ano, 6% acima do consenso do mercado. O resultado foi 32,9% maior na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em 2019, pouco antes da pandemia, o lucro do banco foi de R$ 7,2 bilhões. A margem financeira do Itaú contribuiu de forma considerável com o lucro, segundo os analistas ouvidos pela Forbes.

“O resultado foi impulsionado principalmente por uma forte expansão na receita com juros, parcialmente diminuída por um aumento de provisão para crédito duvidoso”, afirmaram os analistas da Genial em relatório.

“O banco aumentou em sete pontos percentuais o índice de cobertura em comparação com o 3º trimestre de 2021, para 241%. Ao contrário do que vimos em Bradesco e Santander, a inadimplência caiu em 0,1 ponto percentua, para 2,5%.”
A carteira de crédito do Itaú apresentou bom desempenho no trimestre, crescendo 6,7% na comparação anual.

Perspectivas para o próximo trimestre

Apesar da maioria dos balanços não ter trazido boas notícias, a perspectiva dos analistas ainda é positiva. As ações do Itaú continuam com recomendação de compra de todas as gestoras e analistas consultados pela Forbes. Crespi, da Guide, afirma que o banco deve pagar bons proventos este ano.

“Para o ano de 2022, esperamos uma continuidade de menores alíquotas em função do aumento da taxa de juros de longo prazo (TJLP). A TJLP é calculada com base na Selic, que por sua vez é usada no cálculo da capacidade de se pagar JCP. Com a Selic mais elevada em 2022, temos uma TJLP superior. Sendo assim, o Itaú provavelmente irá pagar mais juros sobre capital próprio. Quando há a possibilidade de se pagar mais JCP, o benefício fiscal aumenta, reduzindo a alíquota efetiva de imposto”, explica ele.

Leo Monteiro, da Ativa, afirma que a inadimplência do Itaú deve piorar em 2022.

“Os índices de cobertura ainda se encontram em patamares elevados em relação à média histórica, o que deve, por hora, garantir que o banco não realize provisões adicionais. Além disso, gostamos das iniciativas de modernização, que devem continuar tornando-o competitivo mesmo com o crescimento dos bancos digitais e fintechs”, afirma.

O Bradesco também conseguiu conservar a recomendação de compras, apesar do balanço ter decepcionado investidores. Para 2022os analistas da Genial afirmam que o resultado deve ser beneficiado pelo alto índice de cobertura, nível confortável de capital e melhora nos resultados da seguradora, que devem voltar para patamares mais normalizados.

“Contudo, esperamos ver uma pressão ainda mais forte na margem com mercado ano a ano, que retraiu 23,1% em 2021. A pior perspectiva com a deterioração mais rápida da inadimplência, reduzem nosso otimismo para o Bradesco para 2022”, comentam.

Para Dennis Esteves, da Blue3, os números um pouco mais fracos já estavam precificados para os papéis do Bradesco. “O guidance continua construtivo, com múltiplos atraentes para o final de 2022, bom provisionamento e apetite para cresce”, avalia.

O Santander, por sua vez, divide opiniões dos analistas. Genial recomenda a compra dos papéis, enquanto a Ativa passou sua recomendação para neutro.

Para os analistas, a mudança da liderança, com a saída de Sérgio Rial da presidência, afetou a empresa. Sob Rial, o banco atingiu uma rentabilidade de 20,67% em 2021, acima dos pares do setor.

“Para 2022 esperamos um crescimento mais brando da carteira em função do cenário macroeconômico adverso. Devemos ter um ambiente de PIB fraco, juros altos e inflação sob pressão. Acreditamos que a continuidade da precificação da carteira deve ajudar a manter os spreads, fazendo a margem total crescer na mesma velocidade do crescimento da carteira”, disse a Genial.

Na visão do analista da Guide, o aumento da inadimplência para 1,32% no 4º trimestre e a diminuição do índice de cobertura da carteira de crédito do Santander evidenciam a deterioração no panorama do crédito no Brasil e a diminuição do spread.
Em geral, o cenário continuará conturbado em 2022, mas as ações dos bancos seguem entre as preferidas dos investidores.

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