Após nova alta da Selic, veja as expectativas de grandes bancos

O Bank of America não vê o BC promovendo mais dois aumentos nos juros.

Reuters
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Amanda Perobelli/Reuters
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Banco Central passou a enxergar alta de 5,4% do IPCA em 2022

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Os principais credores privados globais já antecipam um fim iminente para o ciclo de aperto monetário do Banco Central, depois que a autarquia indicou na quarta-feira redução no ritmo de aperto monetário a partir de seu próximo encontro, em março.

Ao fim de sua reunião de política monetária da véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu os juros em 1,50 ponto percentual pela terceira vez consecutiva, a 10,75% ao ano, decisão em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters.

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Em relatório divulgado na noite de quarta-feira, o Credit Suisse afirmou que tanto a elevação de 1,50 ponto da Selic quanto a indicação de aperto de menor magnitude em março vieram em linha com suas projeções.

“Mantemos nossa expectativa de que a taxa de juros Selic será elevada em 100 pontos-base em março e 50 pontos-base em maio”, chegando a 12,25% ao ano, disseram no documento Solange Srour, economista-chefe do Credit Suisse no Brasil, e Lucas Vilela, economista.

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O Citi compartilha dessa visão, afirmando em relatório da véspera manter a projeção de que os juros básicos chegarão a 12,25% ao fim do atual ciclo de aperto, após alta de 1 ponto percentual em março e 0,50 ponto em maio.

O credor norte-americano disse, no entanto, enxergar riscos crescentes de necessidade de juros terminais mais altos do que o atualmente esperado, afirmando que a elevação das projeções de inflação do BC e a sinalização de aperto mais tímido em março podem desancorar ainda mais as expectativas de inflação.

Segundo o comunicado de quarta-feira, o Banco Central passou a enxergar alta de 5,4% do IPCA em 2022, acima dos 4,7% calculados no último encontro do Copom e também acima do teto da banda de tolerância definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem centro em 3,50% e extremos em ​​2,00% e 5,00%.

Para 2023, a projeção de inflação do BC está em 3,2%, mesmo patamar estimado pelo Copom de dezembro e abaixo da meta de 3,25% definida para o ano.

Para o BNP Paribas, os juros já estão perto dos níveis necessários para levar a uma convergência da inflação e suas expectativas de volta aos objetivos do Banco Central, mas há necessidade de manter a Selic elevada por mais tempo.

Assim como Credit Suisse e Citi, o BNP espera alta de 1 ponto percentual em março e de 0,50 ponto em maio na taxa básica de juros, para 12,25%, revisando levemente para cima expectativa anterior de patamar final de 12%. O banco francês não projeta cortes na Selic até 2023.

Por sua vez, Alberto Ramos, diretor de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs, afirmou em relatório esperar elevação de 1 ponto no próximo encontro do Copom. Isso, “dependendo da evolução da inflação e dos respectivos balanços de risco, pode proclamar o fim do ciclo de alta de juros”, segundo o especialista.

Ele afirmou que a desaceleração no ritmo de elevação da Selic telegrafada pelo Bacen é justificada por “um perfil de crescimento real do PIB abaixo da tendência, pano de fundo incerto da Covid, efeitos defasados do aperto monetário recente e uma taxa de câmbio mais bem ancorada”.

O Bank of America não vê o BC promovendo mais dois aumentos nos juros. David Beker, chefe de economia no Brasil do BofA, disse em relatório divulgado no fim da quarta-feira que o comunicado do BC “reforça nossa visão de que o ciclo de aperto monetário está se aproximando de seu fim”.

Segundo Beker, a taxa Selic deve ser elevada em mais 0,50 ponto percentual em março, encerrando a era de aperto monetário pelo Bacen com juro em 11,25% ao ano.

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