Dólar abaixo de R$ 5: moeda tem quinta queda diária seguida e marca nova mínima

A divisa norte-americana à vista recuou 0,57%, a R$ 4,91, menor patamar para fechamento desde 24 de junho de 2021 (R$ 4,90).

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Gary Cameron/Reuters
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No ano, a desvalorização do dólar é de 11,80%

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O dólar caiu pela quinta sessão consecutiva hoje (22), fechando no menor patamar em nove meses e bem abaixo da marca psicológica de R$ 5, diante de manutenção de fluxos estrangeiros para o Brasil, o que tem sido visto como oportunidade de investimento em meio ao alto patamar do juro e à disparada dos preços das commodities.

A divisa norte-americana à vista recuou 0,57%, a R$ 4,9153, menor patamar para fechamento desde 24 de junho de 2021 (R$ 4,9062). Na mínima intradiária do pregão, o dólar chegou a perder 0,77%, a R$ 4,9053.

Com esse desempenho, o dólar registrou seu quinto recuo diário seguido — a maior sequência do tipo desde uma série de sete baixas finda em 22 de abril de 2021–, acumulando queda de 4,71% no período.

Até agora, no ano, a desvalorização da moeda norte-americana é de 11,80%, com o real liderando os ganhos globais em 2022 entre uma cesta de mais de 30 rivais.

Na B3, às 17:04 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,47%, a R$ 4,9325.

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“O Brasil se beneficia de uma confluência de fatores: quase nenhuma exposição direta à Rússia em termos de troca, altos preços de commodities impulsionando termos de troca positivos, Selic perto de seu pico e exposição substancial a commodities”, disseram em relatório estrategistas do BofA (Bank of America).

“À medida que a Rússia e a Ucrânia perdem seu status de produtores globais dominantes, a principal beneficiária com exportações semelhantes parece ser a América Latina.”

Os preços de várias commodities, do milho ao petróleo, dispararam desde o final de fevereiro, quando o início da guerra no Leste Europeu levantou temores globais de interrupção da oferta desse tipo de produto. Além do real, outras divisas de países exportadores de commodities têm se beneficiado dos custos mais altos, como pesos colombiano e chileno, sol peruano e rand sul-africano.

Por aqui, “o alto diferencial de juros (do Brasil em relação a economias avançadas), com oportunidade no ‘carry trade‘”, é combustível adicional para o real, escreveram analistas da Levante Investimentos, referindo-se a estratégias que buscam lucrar com moedas que oferecem rendimentos elevados.

O BofA, que espera que a Selic chegue a 13,25% neste ano, ante patamar atual de 11,75%, ressaltou que o ciclo de aperto monetário do Brasil foi bem adiantado em relação ao de outros bancos centrais importantes, incluindo o Federal Reserve, que elevou os juros em 0,25 ponto percentual na semana passada pela primeira vez desde 2018.

Juros mais altos nos EUA tendem a beneficiar o dólar globalmente, já que elevam a rentabilidade de se investir na dívida norte-americana, considerada livre de riscos.

O real, no entanto, tem resistido bem ao início do aperto monetário na maior economia do mundo, mesmo diante de discussões entre autoridades do Fed sobre eventualmente aumentar a dose de alta dos juros para 0,5 ponto, se necessário.

No relatório, o BofA afirmou que, historicamente, “países e setores ligados a commodities tendem a se sair bem no primeiro ano de aumentos de juros pelo Fed”, destacando a boa performance do Ibovespa no início de ciclos anteriores de aperto nos EUA.

A entrada de agentes estrangeiros na bolsa brasileira também pode ser fator de impulso para o real, já que significa, em teoria, maior direcionamento de dinheiro para o mercado local. No acumulado de 2022, o principal índice da bolsa paulista sobe 11,8%.

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