Ibovespa descola do exterior após queda de commodities e fecha em baixa de 0,88%

A Vale (VALE3) caiu 2,87%, terceira queda seguida, puxada pelo recuo de 5,23% do minério de ferro na China.

Amanda Péchy
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O Ibovespa fechou hoje (15) em queda de 0,88%, a 108.959 pontos, na contramão das bolsas internacionais. A queda dos preços das commodities, causada pelo avanço das negociações entre Rússia e Ucrânia, pesou sobre o principal índice brasileiro, assim como novas restrições contra a Covid-19 introduzidas pela China.

A China impôs restrições em diversas cidades para conter mais de 15 mil novos casos de coronavírus detectados em 28 províncias. A preocupação geral é de que o novo confinamento traga problemas para a cadeia produtiva e pressione mais uma vez a inflação global.

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A Vale (VALE3) registrou a terceira queda consecutiva, de 2,87%, puxada pelo recuo de 5,23% do minério de ferro em Qingdao. A CSN Mineração (CMIN3) fechou em baixa de 5,30%, e os papéis da Usiminas (USIM5) tiveram desempenho negativo de 4,29%.

A expectativa em torno da reunião de amanhã (16) de política monetária do Banco Central brasileiro também está no radar dos investidores. Os efeitos da guerra na Ucrânia agravaram a inflação pré-existente, reforçando a expectativa de que o Copom (Comitê de Política Monetária) realize novo aumento na Selic, de um ponto percentual.

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O petróleo também caiu nesta terça, fechando com recuo de 7,50%, a US$ 95,22 – esta foi a primeira vez desde o início do conflito na Ucrânia que o barril ficou abaixo da marca de US$ 100. As ações das petrolíferas acompanharam: a Petrobras cedeu 1,86% (PETR3) e 2,42% (PETR4), a 3R Petroleum perdeu 0,63% e a PetroRio chegou a cair 4% ao longo do dia, mas conseguiu se recuperar e fechou com leve alta de 0,64%.

Do lado positivo, os papéis das companhias áreas se beneficiaram da queda do petróleo. A Azul (AZUL4) liderou as altas do pregão, com avanço de 6,91%. A Gol (GOLL4) também subiu 3,14% depois de anunciar que retomará voos para os Estados Unidos.

No cenário corporativo, a Magazine Luiza (MGLU3) divulgou ontem os resultados do balanço financeiro do 4º trimestre de 2021, que ficaram abaixo das expectativas do mercado. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 79 milhões, Ebitda 53,5% menor e retração de 18,4% do SSS (vendas das mesmas lojas).

A empresa teve a maior queda do pregão de hoje e fechou em baixa de 8,26%.

Os índices de Wall Street foram menos afetados pelos efeitos da guerra da Ucrânia sobre as commodities e pelas preocupações da Covid na China. O Dow Jones fechou em alta de 1,82% a 33.544 pontos; o S&P 500 ganhou 2,14%, a 4,262 pontos; e o Nasdaq avançou 2,92%, a 12,948 pontos.

O mercado norte-americano aguarda as decisões de política monetária do Federal Reserve, banco central dos EUA, que também deve aumentar os juros amanhã (16).

Operadores veem chance de 91% de um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Fed. No entanto, o foco provavelmente estará nas projeções que mostrarão até que ponto as autoridades devem elevar os custos dos empréstimos neste ano, em 2023 e em 2024.

“Estamos falando sobre o aumento dos juros de juros há cerca de um ano. Então, finalmente obter essa resposta e seguir em frente seria uma coisa boa para o mercado”, diz Christopher Grisanti, estrategista-chefe de ações da MAI Capital Management, em Nova York. (Com Reuters)

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