Ibovespa fecha em leve baixa de 0,29% e põe fim a sequência de 8 altas

Petrobras (PETR3, PETR4) sofre perdas com queda do preço do petróleo; frigoríficas são destaque do dia.

Amanda Péchy
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O Ibovespa fechou hoje (28) em leve baixa de 0,29%, a 118.737 pontos, quebrando uma sequência de oito altas seguidas. Analistas avaliam que o mercado está ensaiando correção após os ganhos da semana passada – o índice já fechou estável na última sessão.

Uma queda mais acentuada nos preços do petróleo também impactou negativamente a Bolsa. Xangai anunciou restrições rigorosas para conter infecções pelo coronavírus, o que pode enfraquecer a demanda por energia.

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Isso colocou um freio nas recentes disparadas do barril, que reage aos temores de que a guerra entre Rússia e Ucrânia impacte a produção e fornecimento de energia. O barril de petróleo Brent fechou em baixa de 9,15%, a US$ 103,48. As petroleiras brasileiras acompanharam o movimento da commodity: a Petrobras (PETR3, PETR4) recuou 2,63% e 2,17%, enquanto a PetroRio (PRIO3) perdeu 0,79%.

A Enauta (ENAT3) foi prejudicada, além disso, pelo anúncio de que não encontrou hidrocarbonetos após a perfuração de um poço na Bacia Sergipe-Alagoas. Suas ações chegaram a ter queda de 10% no pregão de hoje, mas se recuperaram um pouco e fecharam em baixa de 5,85%.

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Empresas fora do mundo das commodities também tiveram perdas acentuadas. A Locaweb (LWSA3) recuou 4,57% no mesmo dia que o Bradesco BBI rebaixou os papéis de “compra” para “venda“.

Para o banco, a atual trajetória de baixa da empresa ainda não acabou. A instituição também reduziu o preço-alvo de R$ 17 para R$ 7, em um momento em que os papéis da empresa são cotados na faixa de R$ 10 – só neste ano a baixa é de 20%.

O aumento das expectativas para inflação da pesquisa Focus publicada hoje (28) também impactou negativamente o setor financeiro e ações expostas à alta da inflação e à curva de juros. O Banco Pan (BPAN4) recuou 3,30%, o Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 0,96% e o Bradesco (BBDC4) fechou em baixa de 0,49%.

Na outra ponta do índice, os maiores ganhos são das frigoríficas. A Marfrig (MRFG3) liderou as altas do dia, ganhando 4,02%, em antecipação à uma assembleia promovida pela BRF (BRFS3) para discutir chapa apresentada pela Marfrig. Os papéis da BRF também avançaram, 2,29%.

Uma gigante da produção de carne bovina, com ativos também nos Estados Unidos, a Marfrig começou a comprar ações da BRF em maio de 2021, dizendo naquela oportunidade que o movimento visava apenas diversificar investimentos.

A empresa de alimentos Minerva Foods (BEEF3), a Ambev (ABEV3) e a JBS (JBSS3) surfaram nas altas da Marfrig e BRF, ganhando 3,66%, 2,93% e 1,64% no pregão de hoje.

“O setor de frigoríficos é impactado positivamente pela apreciação do dólar. Além disso, durante o final de semana, a Marfrig indicou Aldo Luis Mendes, ex-diretor do BC, a uma vaga do conselho de administração da BRF, refletindo que o frigorífico chegou a um acordo com a Previ”, diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Em Wall Street, os principais índices dos EUA fecharam em alta após um dia de desempenho misto. O setor de energia sofreu com a queda no preço do barril de petróleo – Exxon e Chevron perderam 2,47% e 1,67%, respectivamente –, e o setor financeiro recuou 0,30% em meio a expectativas de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, possa agir mais rápido para conter a inflação.

Autoridades monetárias indicaram que os próximos aumentos da taxa de juros devem ser na ordem de meio ponto percentual, ao invés do habitual 0,25 ponto percentual. A expectativa levou o rendimento do título referencial de dez anos dos EUA para acima de 2,5%.

Os papéis da Tesla sustentaram o índice de tecnologia Nasdaq. As ações subiram 8,03% após a fabricante de carros elétricos anunciar que vai buscar a aprovação de investidores para realizar desdobramento de ações.

O Dow Jones fechou em alta de 0,27% a 34.955 pontos; o S&P 500 ganhou 0,71%, a 4.575 pontos; e o Nasdaq avançou 1,31%, a 14.354 pontos.

O dólar recuperou um pouco o fôlego hoje (28), e fechou em alta de 0,53%, a R$ 4,7716.

O resultado interrompeu uma série de oito desvalorizações diárias consecutivas que levaram a moeda a mínimas desde março de 2020. Os mercados monetários passaram a precificar o ajuste mais agressivo do Fed, que é visto como fator de impulso global para a moeda norte-americana.

No cenário internacional, a perspectiva de uma reunião presencial entre representantes da Ucrânia e da Rússia – a primeira em mais de duas semanas – ficou no radar dos mercados. Kiev, no entanto, minimizou as chances de um grande avanço nas negociações de paz.

O início da reunião, que ocorrerá na Turquia, está previsto para amanhã (29), segundo o Kremlin. (Com Reuters)

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