Shell projeta perdas de US$ 5 bilhões por saída da Rússia

ExxonMobil, TotalEnergies, JPMorgan e Citigroup também esperam perdas por conflito na Ucrânia .

Robert Hart
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Andrew Boyers/Reuters
Andrew Boyers/Reuters

As perdas contábeis não afetarão os lucros da empresa, que devem ser anunciados no início de maio

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A gigante britânica de energia Shell disse hoje (7) que espera um prejuízo de até US$ 5 bilhões no 1º trimestre de 2022 por causa de sua decisão de deixar a Rússia. A estimativa é uma das primeiras consequências financeiras da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin – a Shell faz parte de uma série de empresas que decidiram cortar relações com Moscou.

A companhia afirmou que as perdas devem totalizar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões em baixas de ativos, créditos e contratos na Rússia no 1º trimestre de 2022. A estimativa anterior era de US$ 3,4 bilhões.

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As perdas contábeis não afetarão os lucros da empresa, que devem ser anunciados no início de maio, segundo a Shell. Às 16h30 desta quinta-feira, as ações da companhia caíam mais de 2% em na Bolsa de Londres.

A Shell não é a única empresa de energia a ser impactada: a BP pode perder até US$ 25 bilhões por deixar a Rússia, valor decorrente de perdas cambiais e do abandono de suas ações na gigante petrolífera russa Rosneft, que responde por cerca de um terço de sua produção de petróleo e gás.

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A ExxonMobil também está se preparando para perdas na Rússia que podem chegar a US$ 4 bilhões. A companhia norte-americana abandonou um projeto de perfuração.

A TotalEnergies, da França, foi criticada por não suspender totalmente as operações na Rússia. A companhia também decidiu não reduzir seus valores como alguns de seus concorrentes fizeram, uma decisão que o CEO Patrick Pouyanne defendeu argumentando que fazê-lo efetivamente significava entregá-los a Putin “de graça”.

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Poucas semanas depois do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, a Shell comprou uma remessa com desconto de petróleo da Rússia e se justificou argumentando que era necessário manter a estabilidade do abastecimento de combustíveis à Europa. A empresa foi fortemente criticada pela decisão e, pouco depois, voltou atrás e pediu desculpas, prometendo parar de comprar petróleo e gás russos e encerrar suas operações por lá.

Embora as companhias de energia enfrentem bilhões em baixas contábeis relacionadas a ativos na Rússia, o aumento nos preços do petróleo e do gás faz com que muitas delas esperem lucros significativos.

A Shell disse que os lucros do comércio de petróleo devem ser “significativamente maiores” neste trimestre e os lucros do gás natural líquido devem superar os dos últimos três meses de 2021. Parlamentares dos Estados Unidos criticaram o setor por suposta especulação enquanto os norte-americanos lutam com os altos preços dos combustíveis nas bombas, apesar da queda nos preços do petróleo.

O setor de energia não é o único vulnerável à crise da Rússia. O setor de finanças, por exemplo, pode recuar em bilhões. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, disse que o banco pode perder cerca de US$ 1 bilhão devido à guerra e o Citigroup alertou para uma possível perda de quase US$ 5 bilhões.

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