Após aquisição pela Nestlé, foodtech Puravida quer sair da bolha

“União de 100% dos negócios vai nos permitir aproveitar sinergias”, disse o sócio Adrian Franciscono à Forbes

Monique Lima
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Foto: Puravida/ Divulgação
Foto: Puravida/ Divulgação

Adrian Franciscono fundou a Puravida em 2015 com Flávio Passos

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A maior empresa de nutrição do mundo, a Nestlé, encontrou no Brasil uma nova oportunidade de expansão dos negócios na área de nutrição e suplementos alimentares. Por meio da unidade Nestlé Health Science (NHSc), a multinacional suíça fechou um acordo para adquirir 100% do capital social da Puravida, por um valor não revelado. 

Fundada em 2015, a Puravida vai se unir ao portfólio de ciência e saúde da gigante de alimentos, ao lado de marcas como Nutren e Fiber Mais. Atualmente, a brasileira tem 160 produtos disponíveis no mercado, entre snacks saudáveis, alimentos orgânicos, alimentos à base de plantas, vitaminas e suplementos alimentares “clean label” (produtos com alimentos naturais e sem inclusão de aditivos).

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Adrian Franciscono, sócio da Puravida, conta que a ideia inicial dos fundadores era buscar uma segunda captação financeira como a obtida com o Acqua Capital, em 2020.

“Tivemos um incremento relevante de vendas durante a pandemia e começamos a repensar a estratégia de expansão dos negócios. Nossa ideia inicial era buscar um novo fundo de investimentos, como o Acqua, mas no meio do caminho conhecemos o pessoal da Nestlé e a conversa se desenvolveu”, diz Franciscono.

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A Nestlé queria ampliar a sua linha de produtos nas áreas de nutrição, saúde e bem-estar e, segundo o sócio, encontrou na Puravida um alinhamento de objetivos e modelo de negócios. Para a gigante suíça, são esperados ganhos em penetração na área de alimentação saudável no Brasil, além aumento nessa categoria de produtos.

Já para a Puravida, os fundadores esperam grandes sinergias que vão desde acesso ao conhecimento científico de produção, pesquisa e desenvolvimento, até a parte de logística e ganho de capilaridade para os pontos de vendas. “Essa união de 100% dos negócios vai nos permitir aproveitar sinergias que não seria possível de outra forma”, afirma Franciscono.

Do Brasil para o mundo

A Puravida não é a primeira empresa brasileira de alimentos nacionais que ganha o mundo por meio de uma gigante internacional. Em 2014, a curitibana Jasmine Alimentos foi adquirida pela francesa Nutrition et Santé. Três anos depois, a Unilever puxou para si a Mãe Terra.

Agora, chegou a vez da Puravida acompanhar as concorrentes. Franciscono explica que, num primeiro momento, o objetivo da empresa de alimentos saudáveis é expandir no território brasileiro, furando a bolha das regiões Sul e Sudeste. “Pensamos na expansão internacional também, mas isso deverá acontecer de uma forma orgânica num segundo momento”.

Atualmente, a empresa opera por meio de pontos de venda e comercialização online – vendas na web são responsáveis pela maior fatia das receitas (65%). Com a capilaridade da Nestlé, aumentar o número de pontos de venda para além dos atuais 3 mil é um dos objetivos que já está em vista.

Em 2021, o faturamento da Puravida foi de R$ 295 milhões, após crescer 42% em relação a 2020. Para este ano, a meta é ambiciosa: expandir as receitas em 46%.

Segundo os fundadores, embora a compra da Nestlé seja de 100% do capital social, a operação da brasileira vai continuar de forma independente, com os fundadores Adrian Franciscono e Flávio Passos à frente dos negócios.

“A manutenção do nosso padrão de qualidade e independência dos nossos negócios foi uma das prerrogativas para a conclusão do acordo. E a Nestlé aceitou prontamente ao entender que esse era o caminho mais sólido de crescimento”, diz Passos.

A aquisição ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a estimativa das empresas é de que seja concluída ainda no segundo semestre de 2022. Até lá, Nestlé e Puravida seguem separadas.

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