Em queda, bitcoin pode chegar a US$ 15 mil; entenda por que não é hora de pânico

Especialistas acreditam que as criptomoedas já passaram por períodos piores

Kamran Rosen
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Picture Aliiance/Getty Images
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O bitcoin, a referência para todas as outras criptomoedas, caiu cerca de 60% desde sua máxima histórica

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O medo mais uma vez tomou conta dos mercados de criptomoedas com a queda da stablecoin terraUSD (UST) e sua moeda de suporte luna (LUNA) aumentando em US$ 64 bilhões a desaceleração que fez as criptomoedas perderem impressionantes US$ 1 trilhão em valor de mercado em apenas cinco semanas.

O bitcoin, a referência para todas as outras criptomoedas, caiu cerca de 60% desde sua máxima histórica de US$ 68.990, rompendo o nível considerado de suporte de US$ 30 mil e recuando brevemente até US$ 25.400 antes de voltar a subir.

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Essas movimentações podem parecer apocalípticas para alguns investidores de bitcoin (55% dos quais só começaram a investir na moeda no ano passado), no entanto, muitos veteranos da indústria estão otimistas, argumentando que o bitcoin está realmente no caminho certo.

“Os preços que estamos analisando agora, usando regressões logarítmicas e esses tipos de modelo, estão completamente alinhados com isso”, diz Benjamin Cowen, apresentador do Into The Cryptoverse, uma popular plataforma de análise técnica de criptomoedas. “Poderíamos voltar para US$ 15 mil e ainda estar alinhados com isso.”

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Cowen (que avaliou o bitcoin em US$ 25 mil em janeiro) reconhece que as previsões técnicas de preços podem se alterar facilmente, mas confia no fato de que o bitcoin já viu extrema volatilidade várias vezes antes – e ainda não quebrou o modelo.

“Se você observar os movimentos anteriores e os mercados de baixa do bitcoin, os retrocessos foram cada vez menos intensos. O primeiro recuo foi de 94%. O segundo foi em torno de 87%. O terceiro foi de 84%. Então o de agora – de US$ 69 mil para US$ 25 mil – representa pouco mais de 60% de recuo.”

“Agora, se o bitcoin cair mais de 84%, significa claramente que a estrutura do mercado está mudando completamente”, acrescenta.

Cowen não está sozinho em sua análise. Jeffrey Ross, diretor administrativo da Vailshire Capital, descreveu o bitcoin a US$ 20 mil como uma “grande oportunidade” para os investidores, afirmando que seu fundo é um forte comprador à medida que o preço da moeda cai.

“Eu olho para coisas com uma média móvel de 200 semanas, que está em US$ 21 mil agora. No passado, quando o bitcoin atingiu o seu pior nível, ele tocou esse patamar. Ele pode recuar mais, mas haveria um monte de pessoas, inclusive eu, que estariam encostando o caminhão comprar o máximo possível”, disse Ross. “Então eu não acho que a movimentação duraria muito tempo.”

Cowen e Ross reconheceram que esta é a primeira vez que o bitcoin se insere em um ambiente com aperto monetário do Fed (banco central norte-americano), o que pode prolongar o tempo da recuperação, enquanto o mercado mantém uma postura defensiva.

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Também vale notar que os 13 anos do bitcoin coincidiram com a mais longa corrida de valorização dos índices, o que significa que os modelos de análise podem não se manter à medida que o ambiente macro muda.

No entanto, mesmo olhando além dos aspectos técnicos, Ross apontou a força contínua de métricas on-chain (que comparam a capitalização de mercado atual com o valor realizado), como a taxa de adoção do bitcoin (aproximada por novos endereços com saldo diferente de zero), como impulsionadores do crescimento exponencial do valor da rede.

“Segundo a Lei de Metcalfe, o valor de uma rede é igual ao número de usuários ao quadrado. Então, à medida que a taxa de adoção do [bitcoin] cresce de forma linear, o preço ou o valor da rede cresce de forma exponencial.”

“Assim como a internet, como a adoção de telefones celulares, como as mídias sociais, o bitcoin basicamente segue essa curva S de adoção. É o que eu acho que vai acontecer.”

De fato, embora o preço do bitcoin tenha visto cinco grandes redefinições de valor até o momento, a propriedade de moedas e o volume de transações durante esse período continuaram a crescer de forma constante.

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De acordo com um relatório da plataforma de dados on-chain Chainalysis, a adoção global de bitcoin aumentou 881% entre o 3º trimestre de 2020 e o 3º trimestre de 2021, em grande parte impulsionada pelo crescimento fora dos EUA e da China. Estima-se que atualmente entre 16% e 22% da população adulta dos EUA tenha alguma exposição ao bitcoin.

Enquanto isso, o bitcoin (e as criptomoedas em geral) continua chamando a atenção dos reguladores dos EUA, com o Congresso apresentando 50 projetos de lei relativos à regulamentação e tributação de ativos digitais.

Muitos especialistas, incluindo o primeiro evangelista do bitcoin e CEO da MicroStrategy, Michael Saylor, acreditam que isso é uma coisa boa; uma garantia necessária para estimular novos investimentos institucionais.

No curto prazo, espera-se que o preço do bitcoin permaneça instável, com muitos analistas citando durações anteriores do mercado de baixa de 12 a 18 meses. E, embora tentar cronometrar com precisão o fundo seja amplamente visto como uma tarefa tola, uma coisa é certa: se você acredita no valor de longo prazo do bitcoin, as reduções de preço de curto prazo podem realmente ser uma coisa boa.

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