Baixa das criptomoedas pode durar dois anos, dizem especialistas

Na visão dos analistas, as moedas digitais devem voltar a se valorizar com a melhora no mercado de ações

Jeff Kauflin
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Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

Ausência de marco regulatório permanece como um dos principais desafios para a expansão do setor no país

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As criptomoedas são famosas por suas oscilações selvagens de preços e, em sua curta história, passaram por vários ciclos de verões escaldantes seguidos por invernos frios e longos. A última recessão começou no início de 2018 e durou cerca de dois anos e meio.

Nos últimos três meses, com o aumento da inflação e as preocupações com a recessão se espalhando, o bitcoin caiu de uma alta de US$ 48 mil ( R$ 225,9 mil) para cerca de US$ 21 mil (R$ 105,4 mil). Hoje, alguns dos principais investidores acham que teremos outro período doloroso e prolongado de preços baixos.

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“Os próximos dois anos serão muito difíceis”, diz Avichal Garg, sócio-gerente da Electrical Capital, um fundo de investimento em criptomoedas com mais de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) em ativos.

Suas visões fundamentais sobre a promessa da indústria não mudaram. “Novos desenvolvedores de software estão chegando e estamos vendo cada vez mais fundadores de alta qualidade. Vemos executivos da Web2 do Facebook e do Google chegando em um ritmo mais rápido”, diz ele.

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Mas um grande fator deixou os apoiadores particularmente nervosos: “É a primeira vez que cripto e Web3 existem em um ambiente macroeconômico de mercado em baixa, onde teremos potencialmente uma recessão no próximo ano”, diz Garg. (O bitcoin foi criado no início de 2009, pouco antes do fim da crise financeira.)

Alex Pack, sócio-gerente da Hack VC, um fundo de risco de criptomoedas de US$ 200 milhões ativos (R$ 1 bilhão), concorda. “Um a dois anos é o que todo mundo está dizendo… E é isso que estamos dizendo às nossas empresas de portfólio – certifique-se de ter dois anos de pista.”

Além das preocupações econômicas mais amplas e do recente colapso da “stablecoin” TerraUSD, grandes dúvidas se espalharam sobre a plataforma de empréstimo de criptomoedas Celsius. Após o recente congelamento dos saques, muitos estão questionando sua solvência.

Leia mais: Bitcoin: o que acontecerá com a criptomoeda após queda para US$ 22 mil?

“Sempre seja cético, mesmo em um mercado em alta, quando qualquer uma dessas plataformas promete taxas de juros realmente altas”, diz Linda Xie, co-diretora do fundo cripto Scalar Capital. “Às vezes isso parece bom demais para ser verdade, e é porque é. Pode haver muita alavancagem e atividades de alto risco acontecendo nos bastidores.”

Apesar dos muitos motivos de apreensão, os investidores em criptomoedas parecem estar mais otimistas até agora do que durante a última recessão de 2018 a 2019. “Havia uma preocupação genuína entre muitos investidores e construtores de que a criptomoeda como uma classe de ativos não voltaria de seus picos de 2017”, diz Pack.

Esse medo evaporou em dezembro de 2020, quando o bitcoin chegou a US$ 20 mil (R$ 100,4 mil). Pack e Xie acham que a indústria está em um lugar mais forte agora porque há mais casos de uso de criptomoedas e usuários.

Por exemplo, NFTs (tokens não fungíveis) de arte digital atraíram milhões de compradores. Aplicativos de “finanças descentralizadas”, como software que permite que as pessoas ganhem juros sobre depósitos, cresceram de forma constante, embora alguns também tenham se extinguido de maneira espetacular.

O que precisa acontecer para que os preços se recuperem?

O mercado de ações precisa se recuperar, dizem alguns. “Precisamos ver as ações se recuperarem antes que o capital real volte para o bitcoin”, diz Joshua Lim, diretor administrativo e chefe de derivativos da corretora de criptomoedas Genesis.

Tarun Chitra, investidor em ativos digitais e CEO da startup de modelagem de risco de criptomoedas Gauntlet, tem uma visão semelhante: “Espero que as ações de criptomoedas e de crescimento continuem correlacionadas por 12 a 18 meses”.

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