Bitcoin: o que acontecerá com a criptomoeda após queda para US$ 22 mil?

Analistas acreditam que os próximos meses ainda devem trazer instabilidade e quedas para o mercado cripto

Charles Bovaird
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Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

A criptomoeda caiu acentuadamente desde que atingiu uma alta histórica de quase US$ 69 mil (R$ 353,5 mil) no final do ano passado

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Os preços do bitcoin sofreram sérias perdas recentemente que levaram a criptomoeda para o nível mais baixo dos últimos 18 meses enquanto os ativos de risco enfrentam condições difíceis de mercado.

A moeda digital mais popular entre os investidores caiu abaixo de US$ 21,5 mil ontem (13), de acordo com os números do TradingView. Naquele momento, o ativo estava sendo negociado em seu menor valor desde o início de dezembro, revelam dados do site.

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A criptomoeda caiu acentuadamente desde que atingiu uma alta histórica de quase US$ 69 mil (R$ 353,5 mil) no final do ano passado. Após as últimas movimentações dos preços, vários analistas deram suas opiniões sobre até que ponto eles acham que o bitcoin deve chegar.

Impacto da inflação

Vários observadores do mercado destacaram nas análises os últimos números de inflação dos EUA e como esperam que os dados afetem os ativos de risco no futuro.

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Dados do governo norte-americano mostraram que nos 12 meses até maio, o Índice de Preços ao Consumidor para Todos os Consumidores Urbanos (IPC-U) aumentou 8,6% (sem ajuste sazonal).

Richard Usher, chefe de OTC Trading do BCB Group, falou sobre esses desenvolvimentos. “As negociações do bitcoin sofreram nas últimas 48 horas com os números altos de inflação nos EUA divulgados na última sexta-feira [10]”, afirmou.

“[O resultado da inflação] levou a uma venda sustentada em todos os ativos de risco e foi exacerbado pelo mercado cripto com o ETH quebrando seu suporte de longo prazo e vários rumores de empresas de criptomoedas sob pressão”, acrescentou Usher.

Ele previu que, daqui para frente, essa situação causará turbulências inevitáveis. “A partir daqui, o bitcoin está entrando em um período em que dois mundos colidem. Os vendedores de curto prazo por trás do tom negativo ao risco estão se deparando com investidores de médio prazo que veem níveis próximos de US$ 20 mil como um bom valor de longo prazo.”

“Isso deixará as negociações voláteis e agitadas, na minha opinião.”

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Anthony Denier, CEO da plataforma de negociação Webull Financial, também avaliou o impacto dos dados mais recentes do CPI dos EUA.

“Os números da inflação foram divulgados na semana passada, e foram os maiores nos últimos 40 anos. Assim, mais altas de juros são esperadas no curto prazo, o que é ruim para os ativos de risco”, observou ele.

“Quando as taxas de juros sobem, as cadernetas de poupança e títulos pagam rendimentos mais altos sobre os investimentos”, enfatizou Denier.

“Esses rendimentos crescentes em ativos menos arriscados significam que os investidores não correm tanto risco para obter um bom retorno, o que resulta em menos compradores de ativos de risco. No mercado de hoje, isso inclui ações de crescimento e criptos, então podemos continuar esperando quedas no curto prazo.”

Análise técnica

Outros especialistas do mercado ofereceram análises técnicas, destacando os principais níveis de suporte e resistência.

“O recente declínio fez com que o bitcoin ficasse abaixo de seu importante nível de suporte perto de US$ 30 mil”, disse Julius de Kempenaer, analista técnico sênior da StockCharts.com.

“Isso significa que esse nível agora começará a atuar como resistência na subida, limitando o potencial de alta”, afirmou. “Mas, ao mesmo tempo, o intervalo abriu caminho para preços muito mais baixos”, disse Kempenaer.

“Há um pouco de suporte a ser encontrado na área de US$ 16,5 mil a US$ 19,5 mil, mas o suporte principal está chegando apenas em torno de US$ 12 a US$ 13 mil”

Scott Melker, que é investidor, analista de criptomoedas e apresentador do The Wolf Of All Streets Podcast, também fez sua contribuição.

“Existem alguns níveis óbvios, embora deva-se notar que as linhas em um gráfico são apenas suposições neste ambiente macro”, afirmou.

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“Os negociadores estão observando a tendência semanal pouco acima de US$ 22 mil como uma área provável de suporte, considerando que este foi o fundo de todos os mercados de baixa anteriores. Duas velas consecutivas nunca fecharam abaixo dessa linha”, disse Melker.

“O próximo suporte óbvio é por volta de US$ 20 mil, o maior nível visto no mercado de alta de 2017”, observou ele.

Ao falar sobre o que acontecerá com os preços do bitcoin daqui para frente, Melker ofereceu uma resposta ponderada.

“É difícil prever o que vem a seguir, já que esse cenário dependerá do contágio de possíveis colapsos de plataformas, números de inflação, apertos do Fed e outros fatores.”

“Agora não é hora de fazer suposições, mas sim de se preparar para a situação e enfrentar a tempestade.”

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