Do varejo ao mercado de ações: a trajetória dos fundadores da Blue3

A gestora credenciada da XP Investimentos conta com R$ 17 bilhões em custódia e mais de 24 mil clientes

Vitória Fernandes
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Divulgação/Blue3
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Wagner Vieira (esq,) e Leone Cabral se conheceram em 2000 e fundaram a Blue3 em 2009

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A amizade de Leone Cabral e Wagner Vieira começou muito antes de qualquer um deles pensar em trabalhar com finanças. Em 2000, quando se conheceram, os dois eram vendedores da varejista Pernambucanas de Franca, cidade do interior de São Paulo. Mais de duas décadas depois, eles estão à frente de uma das principais corretoras ligadas à XP, a Blue3, que tem R$ 17 bilhões em custódia e mais de 24 mil clientes.

Em 2002, quando Cabral decidiu deixar a varejista para trabalhar no Santander, Vieira tinha a intenção de seguir um plano de carreira na loja de departamentos. Mas tudo mudou quando Cabral puxou o amigo para atuarem juntos na sala de ações do banco. “Eu costumo falar que a Blue3 nasceu naquele momento, quando começamos a trabalhar juntos, atender clientes, fazer reuniões e nos tornamos uma das principais salas de ações do país”, conta Vieira.

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Porém, a permanência na instituição financeira tradicional tinha prazo de validade. Conhecendo cada vez mais sobre o mundo dos investimentos e liberdade financeira, os dois acompanhavam a trajetória de amigos trabalhando em corretoras e perceberam que aquele caminho poderia ser mais promissor.

Assim, eles decidiram pedir demissão de forma estratégica, um de cada vez, para começar a estruturar o negócio. Cabral tocou a obra do escritório de 30m², enquanto Viera tentava trazer clientes para o novo projeto.

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“Nós saímos com uma mão na frente e outra atrás, mas com muita experiência da sala de ações. Com ela, ganhamos um vale-compras de R$ 10 mil na Submarino, que foi o nosso suporte para a compra de quatro computadores, um bebedouro e uma máquina de café. Foi assim que nasceu a Blue3, em 2009”, explica Vieira.

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Foi uma movimentação arriscada, já que não tinham como garantir um capital de giro para aguentar os meses seguintes. Deu certo. No ano passado, a corretora recebeu da XP o prêmio de “Melhor Escritório de Investimentos do Brasil”. Também no ano passado, a XP investiu na Blue3 para transformá-la em corretora. Com o acordo, a XP passou a deter 49,9% no novo negócio, enquanto a Blue3 manteve 50,1%. Os valores envolvidos não foram divulgados.

Desafios

Para chegar ao topo, a empresa superou desafios ao longo do caminho. O primeiro foi conseguir trazer os clientes dos grandes bancos para a companhia e fazer com que eles confiassem seu dinheiro em plataformas modernas.

Também logo no início do processo, os sócios foram pegos de surpresa pela crise de 2008, que os forçou a vender um carro para pagar as contas da companhia e ver muitos de seus clientes perdendo dinheiro.

O terceiro desafio foi conseguir trabalhadores que apoiassem a causa. Cabral e Wagner saíram atrás de gerentes de bancos que topassem mudar o rumo de sua carreira para aprender mais sobre o mercado financeiro. Com a falta de experiência de muitos deles, o processo de treinamento precisou de muito empenho e investimento.

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O quarto obstáculo foi a experiência do cliente. A dificuldade, que surgiu com o crescimento da base de consumidores da empresa, se tornou prioridade dos sócios, que buscam a fidelização.

“No final das contas, 1% a mais ou a menos na rentabilidade do cliente não faz tanta diferença, mas ele ter um assessor bacana, com uma empresa que tem credibilidade e que seja fácil de ter contato muda tudo. Então, hoje nós enxergamos a Blue3 muito nesse aspecto de tentar manter o nosso cliente extremamente fidelizado”, conta Cabral.

Perspectiva

A Blue3 ainda é considerada como uma empresa de agentes autônomos, como muitas outras que existem no mercado. Porém, os sócios afirmaram que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), aprovou recentemente a mudança da empresa para instituição financeira, agora podendo ser chamada de corretora. Porém, a decisão ainda terá que ser aprovada pelo Banco Central.

Independentemente da nomenclatura, a perspectiva dos sócios é continuar aumentando a sua base de colaboradores, elevar o número de clientes e trazer tecnologias de segurança de dados cada vez melhores para dar garantia aos consumidores.

A empresa, que está presente em 14 cidades e tem mais de 700 funcionários (deles, 146 são sócios), pretende abrir mais duas unidades até o final do ano.

“Nós precisamos continuar avançando, ganhando participação no mercado, abrindo outros escritórios… Na minha cabeça, o dinheiro vai sair dos bancos no próximo 5 anos e vai vir para plataformas abertas e eu quero que venha para a Blue3, não quero que vá para outro lugar”, complementa Vieira.

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