Goldman Sachs rebaixa ações da Coinbase para 'venda' e papéis caem 3%

Volatilidade e turbulências do mercado de criptomoedas levaram vários bancos a rever suas recomendações para a exchange

Maria Gracia Santillana Linares
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Bitcoin, logo da Coinbase azul em celular e uma nota de dólar aparecem em uma única imagem
GETTY IMAGES

Equipe estabeleceu preço-alvo revisado de US$ 45,00, abaixo dos US$ 70,00 do início deste ano.

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O Goldman Sachs rebaixou as ações da Coinbase (COIN) de “neutra” para “venda” na manhã de ontem (27). Com isso, os papéis da corretora de criptomoedas fecharam em queda na segunda-feira e caem 3% hoje (28), por volta das 11h58 (horário de Brasília).

Os analistas do banco de investimentos tomaram a decisão após várias semanas de volatilidade e turbulência do mercado de criptomoedas.

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A equipe estabeleceu preço-alvo revisado de US$ 45,00, abaixo dos US$ 70,00 do início deste ano, citando como motivos a “baixa contínua nos preços de criptomoedas” e a queda maior nos níveis de atividade em todo o setor. Quando o Goldman iniciou a cobertura, o preço por ação da Coinbase era de US$ 220,00.

“Acreditamos que os níveis atuais dos criptoativos e os volumes de negociação implicam mais degradação na base de receita da Coinbase, que vimos cair cerca 61% ano a ano em 2022 e aproximadamente 73% na metade do ano”, diz o relatório.

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O rebaixamento acontece após a agência Moody’s rebaixar o Corporate Family Rating (CFR), um rating de longo prazo que reflete a probabilidade de inadimplência da dívida corporativa, da Coinbase de Ba2 para Ba3 e suas notas seniores sem garantia de Ba1 para Ba2 na semana passada.

Ambos os ratings conferem status de “junk”, ou não investimento, sendo Ba3 o rating mais baixo indicando “risco significativo”.

Na última quinta (23), a Moody’s também colocou os ratings da Coinbase sob revisão para novos rebaixamentos. As reclassificações acontecem após a corretora de criptomoedas reduzir drasticamente seu número de funcionários enquanto se prepara para a baixa do mercado.

No mês passado, a corretora rescindiu ofertas de emprego e congelou contratações, além de demitir cerca de 18% dos 1.100 funcionários.

O CEO Brian Armstrong reconheceu que a empresa havia “contratado demais” em uma mensagem aos funcionários após as demissões.

Apesar disso, os analistas do Goldman Sachs acreditam que esses passos não tenham sido suficientes.

O relatório acrescentou que, para sobreviver, a corretora precisará fazer reduções de custos para “impedir a queima de caixa”.

Depois que o mercado entrou no que muitos chamaram de o novo “inverno cripto”, analistas do banco de investimento acreditam que a Coinbase terá que escolher entre diluir ações e reduzir a “remuneração efetiva dos funcionários”, o que pode afetar negativamente a retenção de talentos.

Com isso, analistas do Goldman elogiaram a decisão da Coinbase de fundir a Coinbase e a Coinbase Pro em uma única plataforma. No relatório, o banco diz que a fusão “tem o potencial de reduzir os custos e facilitar o acesso aos preços mais baixos para seus usuários”.

O Goldman Sachs não está sozinho entre os gigantes de Wall Street na redução de suas expectativas para a Coinbase, que foi afetada pela atual desaceleração econômica nos Estados Unidos.

O JP Morgan também revisou sua classificação para a exchange no início deste mês, rebaixando a ação para “neutra” de “overweight” (acima da média do mercado) algumas horas antes de a empresa anunciar suas demissões.

A corretora financeira Redburn Partners também juntou-se aos bancos ao rebaixar a Coinbase de “compra” para “neutra”.

O banco de investimentos Oppenheimer e a JMP Securities, com sede em São Francisco, reiteraram suas classificações de “desempenho superior” no início do mês, mas cortaram suas metas de preço da Coinbase no início de maio.

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