Coinbase demite mais de mil funcionários em meio à queda das criptomoedas

"Crescemos muito rápido", disse o CEO e bilionário Brian Armstrong, que fez fortuna no mercado cripto

Jonathan Ponciano
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Jamel Toppin/Forbes
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As ações da Coinbase caíram 6% nas negociações de pré-mercado de hoje (14)

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O bilionário CEO da corretora de criptomoedas Coinbase anunciou hoje (14) planos de demitir cerca de 18% dos funcionários da empresa para reduzir custos diante de uma possível recessão. A exchange se junta a outras empresas de tecnologia que optaram por tomar medidas semelhantes após a recente queda generalizada das ações e criptomoedas.

Em um documento regulatório divulgado nesta terça-feira, a Coinbase disse que planeja demitir aproximadamente 1.100 funcionários em resposta às “condições atuais do mercado e esforços contínuos de priorização de negócios”. A empresa disse que espera ter 5 mil funcionários depois de concluir os cortes nas próximas duas semanas.

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“Crescemos muito rápido”, escreveu o CEO Brian Armstrong em uma postagem na terça-feira, acrescentando que os custos trabalhistas cresceram “muito para permitir o gerenciamento efetivo desse mercado incerto” e alertando que a economia “parece estar entrando em recessão após mais de dez anos de boom econômico.”

Os funcionários que deixarem a empresa receberão pelo menos 14 semanas de indenização, quatro meses de seguro-saúde e recursos para procura de emprego, disse a Coinbase. Serão gastos entre US$ 40 milhões (R$ 204 milhões) a US$ 45 milhões (R$ 229,5 milhões) com as despesas de reestruturação e rescisões.

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Em uma carta aos acionistas no mês passado, a Coinbase alertou que a queda nos preços das criptomoedas e a volatilidade que começou no final do ano passado “impactaram diretamente” o balanço do primeiro trimestre e reduziram o volume de negócios para US$ 309 bilhões (R$ 1,5 trilhão, uma queda anual de 8%), resultando no primeiro prejuízo trimestral da empresa desde o seu IPO.

As ações da Coinbase caíram 6% nas negociações de pré-mercado, e recuaram mais de 85% em relação à alta de fechamento em novembro.

“Os mercados em baixa são desafiadores para navegar e exigem uma mentalidade diferente… Uma recessão pode levar a outro inverno cripto e pode durar um longo período”, disse Armstrong, cuja fortuna é estimada em US$ 2,2 bilhões (R$ 11,2 bilhões). Ele apontou ainda que a receita comercial (a maior fonte de receita da empresa) diminuiu significativamente durante os últimos períodos de queda do mercado de criptomoedas.

A Coinbase estreou no mercado público em abril de 2021, após um ano divisor de águas para as criptomoedas, mas os esforços do Federal Reserve (banco central dos EUA) para combater a inflação – que podem retardar o crescimento econômico – deflacionaram as avaliações de ativos e atingiram particularmente o setor de criptomoedas.

O preço do bitcoin despencou quase 20% na madrugada de segunda-feira (13), para menos de US$ 21 mil (R$ 107,1 mil), depois que a empresa de empréstimo de criptomoedas Celsius suspendeu saques devido às “condições extremas de mercado”.
A Binance também foi forçada a interromper saques, enquanto a empresa de criptomoedas BlockFi anunciou que estava demitindo 20% de sua força de trabalho devido ao ambiente de mercado desafiador.

O valor geral do mercado de criptomoedas caiu cerca de 70%, para US$ 929 bilhões (R$ 4,7 trilhões), de uma alta histórica de cerca de US$ 3 trilhões (R$ 15,3 trilhões) em novembro, e US$ 2 trilhões (R$ 10,2 trilhões) no início do trimestre. Enquanto isso, o índice Nasdaq, de tecnologia, despencou cerca de 32% este ano.

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