O que é e como funciona o mercado secundário de renda fixa?

Investidores podem ter acesso a um leque mais amplo de títulos por meio dessa forma de negociação “paralela”

Isabella Velleda
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Yuichiro Chino/Reuters
Yuichiro Chino/Reuters

As negociações no mercado secundário de renda fixa se iniciam às 10h, e as melhores ofertam se esgotam rapidamente

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No mercado secundário de renda fixa, a negociação dos títulos ocorre diretamente entre os investidores, sem a participação da instituição emissora. O resgate antecipado de aplicações e o acesso a investimentos mais vantajosos do que aqueles encontrados no mercado primário estão entre as oportunidades que esse mercado oferece.

No caso do mercado de ações, o mercado primário é o ambiente em que as ações são disponibilizadas pelas próprias empresas aos investidores, como no caso de um IPO (oferta pública primária) ou follow-on. Já o mercado secundário é onde os investidores negociam essas ações entre si, como na Bolsa de Valores.

Leia mais: Renda fixa: entenda o que considerar na hora de escolher um título

A mesma lógica é aplicada à renda fixa. Aqui, o mercado primário é onde os títulos dessa modalidade, como Tesouro Selic, Tesouro IPCA, CDBs, CRIs e CRAs, são vendidos pelas instituições que os emitiram (bancos, corretoras ou o Tesouro Nacional, por exemplo). No mercado secundário, os investidores revendem esses títulos para outros investidores.

O acesso ao mercado secundário se dá através das corretoras. De maneira geral, quanto mais clientes uma corretora tiver, maior tende a ser a quantidade e variedade de produtos disponibilizados.

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Segundo especialistas consultados pela Forbes, existem dois motivos principais que podem levar os investidores a operar no mercado secundário.

Resgatar o investimento antes do vencimento

Imagine que você tenha comprado um CDB em 2017 com rendimento de 9% ao ano, vencimento em 2024 e liquidez apenas na data de vencimento. Porém, surgiu um imprevisto, e agora você precisa resgatar esse investimento o mais rápido possível. Nesse caso, você pode disponibilizá-lo no mercado secundário para que outro investidor o adquira.

No entanto, é preciso atenção. Mesmo se tratando de renda fixa, essa operação pode ser arriscada, tendo em vista que o título fica sujeito à marcação a mercado, como é a chamada a precificação diária dos títulos de renda fixa.

“É muito importante o investidor entender o cenário econômico atual”, explica Rodrigo Caetano, analista de investimentos da Toro Investimentos. “Caso o seu título não esteja condizente com o cenário de taxa de juros e inflação, por exemplo, a marcação a mercado do seu papel naquele momento pode não ser vantajosa.”

Ou seja, é possível perder dinheiro ao fazer o resgate antecipado de um título de renda fixa. Mesmo que o emissor tenha prometido um determinado retorno ao final do período de investimento, você abre mão dessa garantia ao retirar o seu dinheiro antes do previsto.

Por outro lado, se o cenário macroeconômico for favorável, também é possível lucrar com essa venda, obtendo uma rentabilidade superior àquela que seria auferida caso o investidor mantivesse o título em carteira até a data de vencimento.

Buscar oportunidades de investimento

Agora, imagine que estamos em 2020, em meio ao ciclo de baixa da Selic, e a maioria dos CDBs do mercado primário oferece rentabilidade de 2% ao ano. Porém, um investidor que adquiriu um título em 2017, quando a rentabilidade era de 9% ao ano, decide resgatar o seu investimento antes do prazo, disponibilizando-o no mercado secundário.

Os compradores desse mercado terão então a possibilidade de obter uma rentabilidade muito superior àquela praticada pelas instituições emissoras naquele momento.

Embora esse cenário não seja aplicável hoje, já que a Selic está a 13,25% ao ano, o mercado secundário continua oferecendo oportunidades. Caetano cita o exemplo de um investidor que não consegue encontrar um título público com o vencimento específico que ele deseja no mercado primário, mas encontra esse título no mercado secundário.

Ou, ainda, um investidor que não conseguiu comprar uma determinada debênture no momento em que houve a sua emissão no mercado primário, mas pode adquiri-la caso um investidor venda esse ativo no mercado secundário.

“Ainda assim, é preciso ficar atento ao risco de crédito da companhia emissora, no caso das debêntures, CRI e CRA e do banco emissor do CDB”, diz Matheus Jaconeli, analista de investimentos da Nova Futura Investimentos. “Existem títulos que possuem uma rentabilidade considerável, mas o risco é elevado demais.”

Bruno Brostoline, analista de renda fixa da Ativa Investimentos, destaca que é preciso ficar atento à liquidez do ativo – se ela for muito baixa, a compra pode não valer a pena. “Além disso, caso o investidor invista em um título prefixado ou CDI, há risco de obter um rendimento inferior à inflação”, acrescenta.

Geralmente, os títulos mais vantajosos se esgotam rapidamente. Portanto, para ter acesso às melhores ofertas, os especialistas recomendam conferir o mercado secundário no momento de abertura das negociações, às 10h.

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