Entenda as variações nos preços dos títulos do Tesouro Direto

Como todos os ativos, essa oscilação depende da perspectiva de risco dos investidores sobre os papéis negociados.

Iasmin Paiva
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EdsonSouza/GettyImages
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Essa oscilação vale para o Tesouro Direto, uma dívida do governo, mas para outros papéis de renda fixa emitidos por diferentes instituições também

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O universo dos investimentos em renda fixa é conhecido por duas características principais: a segurança e a liquidez. Afinal, como o próprio nome diz, a rentabilidade do ativo não se altera se ele for mantido até a data de vencimento.

Os preços dos títulos de renda fixa, no entanto, não são fixos. Sejam os papéis de dívida do governo, como o Tesouro Direto, de bancos ou de instituições privadas, esses papéis sofrem oscilações durante todo o período em vigência no mercado, ou seja, até a data do vencimento. Essa variação nos preços é calculada segundo a marcação a mercado.

Ainda que tenham uma rentabilidade pré-determinada no momento da compra, muitas vezes o mesmo ativo, oferecido pela mesma instituição, pode sofrer variações em poucos meses.

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Como todos os ativos do mercado, essa oscilação depende da perspectiva de risco dos investidores sobre os títulos negociados no país, o que, por sua vez, depende do cenário político e macroeconômico, e de como eles mudam as expectativas de fluxos de caixa no futuro, mais especificamente no momento de vencimento do ativo.

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A variação do mercado em títulos de renda fixa

A marcação a mercado é o mecanismo que determina quanto custa um determinado título de dívida do governo no momento presente. Ela transforma a perspectiva de pagamento de um ativo que só seria liquidado no momento do vencimento, com um determinado fluxo de caixa futuro, a um preço que pode ser negociado antes dessa data.

Antonio Von Moorsel, Head do Advisory da Acqua-Vero, resume esse processo em três passos: encontrar um valor futuro; identificar a taxa apropriada para o desconto (a praticada no mercado no momento da venda); e trazer o valor futuro a um valor presente, utilizando a taxa de risco apropriada para o desconto.

Por exemplo: um investidor compra um ativo (hipotético) do Tesouro Direto prefixado com uma rentabilidade de 10% ao ano. Ao calcular a sua taxa de rendimento no futuro, determina-se que, no vencimento, ele vai valer R$ 1.000 (passo 1).

Em seguida, o investidor identifica a taxa apropriada de desconto, que está sendo negociada pelo mercado no momento presente. Ele comprou a 10% a.a., mas outra pessoa comprou o mesmo investimento à taxa de 12% a.a., que se tornou a melhor taxa disponível, e, portanto, é a que será considerada pelos demais investidores interessados no título (passo 2).

Então é preciso trazer esse rendimento para o valor presente, porque o investidor deseja vendê-lo antes de seu vencimento (passo 3). Assim, desconta-se desses R$ 1.000 a taxa contratada pelo investidor na compra do título, de 10%, chegando a R$ 900; e compara com o desconto da taxa apropriada do mercado, de 12%, a R$ 880.

Portanto, se o investidor vender o ativo no momento em questão, ele terá um rendimento R$ 20 menor do que o esperado pelo título, devido à marcação a mercado. Ou seja, até mesmo os ativos mais seguros disponíveis não escapam da lei da oferta e demanda, ainda que essa lógica funcione um pouco diferente nesse caso.

Mas o cenário oposto também pode acontecer, e o mesmo título passar a ser vendido com uma rentabilidade de 5% ao ano que, trazendo ao valor presente, poderia ser vendida por R$ 950, um rendimento R$ 50 maior do que o esperado.

Von Moorsel explica que esse processo acontece porque os ativos de renda fixa, diferentemente das ações, “são negociados pela taxa com a qual o investidor será remunerado, e não propriamente pelo preço do ativo”.

O especialista conta também qual o macete básico dessa conta. “Taxa e preço funcionam de modo inverso. Quando a taxa [negociada no mercado] sobe, o preço cai; e quando a taxa cai, o preço sobe.”

Usando o mecanismo a favor do investidor

É importante ressaltar que todos os ativos do Tesouro, sejam eles prefixados ou indexados à inflação (IPCA+) ou à Selic, sofrem essa oscilação em alguma medida. Porém, nos títulos prefixados a marcação exerce mais influência, seguido pelos ativos indexados.

Isso ocorre porque, no último caso, outras variáveis influenciam o preço presente do ativo, como a inflação ou o CDI, indicador que o título acompanha, diminuindo o impacto da marcação.

Por outro lado, essa oscilação só vai acontecer se o título que o investidor tem em carteira for resgatado antes da data de vencimento. Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP Investimentos, conta que, ao chegar na data do vencimento, o investidor recebe exatamente aquilo que foi combinado quando comprou o ativo.

“Se o investidor não precisa do dinheiro imediatamente, e se a tendência é que em algum momento o ativo pare de variar e volte ao valor contratado, não tem motivos para resgatar, porque essa é uma questão natural do título.”

O interesse nos títulos prefixados, nesse sentido, depende do conhecimento sobre o objetivo de determinado papel para cada investidor. “Se o objetivo é poder sacar a qualquer momento, não tem como prever se aquele papel vai ter valorizado ou desvalorizado bem na hora da emergência, então o ideal é colocar em um ativo bem conservador”, explica Camilla.

“Não adianta colocar reservas de emergência em títulos pré-fixados ou indexados ao IPCA + X%, porque essa rentabilidade pré-definida vai oscilar, então os pós-fixados são mais interessantes nesse caso.” E conclui: “a questão é entender o mecanismo para adequar cada investimento alinhado com os objetivos pessoais, se aproveitar dele quando possível”.

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