Ex-executivo da Blackrock diz que inverno cripto favorecerá bitcoin

Edward Dowd comparou a queda das criptomoedas à crise das pontocom de 2000

Dan Runkevicius
Compartilhe esta publicação:
Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Pelos cálculos do Goldman Sachs, hoje o bitcoin responde por cerca de um quinto do mercado de “reserva de valor”

Acessibilidade


Após as quedas do mês passado, as criptomoedas estão em recuperação.

Na semana passada, o preço do bitcoin subiu 12,1% e o do ethereum, 35,5% XRP avançou 8%, cardano 14,6%, dogecoin 11,8%, BNB 13,6%, solana 15,2% e luna 2.0, da Terra, 4,9%.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

Em uma entrevista recente, Edward Dowd, ex-diretor administrativo da Blackrock, comparou o mercado de baixa das criptomoedas ao colapso das empresas pontocom. Ele considera que é necessário uma limpeza do mercado, o que dará origem a equivalentes criptos dos gigantes da internet de hoje.

A Amazon das criptomoedas

No podcast de Layah Heilpern, Down destacou o bitcoin como um dos principais candidatos a se tornar a principal criptomoeda no longo prazo.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Traçando paralelos com a era pontocom, o ex-executivo da Blackrock chamou o bitcoin de “a Amazon das criptomoedas”. Ele prevê que o bitcoin se tornará muito mais estável após o atual mercado de baixa. E, assim que sua volatilidade diminuir, a maioria dos investidores o adotará como uma alternativa ao ouro.

Em teoria, é uma tese viável. Como escrevi no ano passado: “Na forma, o bitcoin é provavelmente a coisa mais distante do ouro que você pode ter. Mas, como investimento, os dois são muito parecidos. Como o ouro, o bitcoin tem pouca utilidade. Seu suprimento é limitado – não pela natureza, mas pela tecnologia. E seu valor depende em grande parte da oferta e da demanda, e não da política monetária”.

Mas, até agora, o bitcoin tem sido o oposto do ouro.

Durante a pandemia, o bitcoin e as principais altcoins se tornaram uma classe de ativos beta cada vez mais correlacionada, o que apenas amplifica os movimentos das ações. Isso sinaliza que os investidores ainda veem a criptomoeda como um investimento especulativo, em vez de um ativo de segurança semelhante ao ouro.

Olhando para o futuro

Pelos cálculos do Goldman Sachs, hoje o bitcoin responde por cerca de um quinto do mercado de “reserva de valor”.

Uma das razões pelas quais os investidores demoram a adotá-lo para seu propósito original é a volatilidade. “A razão é que, para a maioria dos investidores institucionais, a volatilidade de cada classe importa em termos de gestão de risco do portfólio. Quanto maior a volatilidade de uma classe de ativos, maior o capital de risco consumido por essa classe de ativos”, escreveu o JPMorgan em nota.

Em outras palavras, quanto maior a volatilidade da classe de ativos, menos capital os gestores de portfólio podem alocar a ela.

O que aconteceria se a previsão de Edward Dowd acontecesse, ou seja, a volatilidade do bitcoin desaparecesse e a criptomoeda alcançasse o ouro em termos de demanda de reserva de valor?

Leia mais: Gigantes e micro investidores mantêm o bitcoin à tona

Se o bitcoin chegasse aos mesmos patamares dos investimentos privados em ouro, o JPMorgan prevê que seu preço pode chegar a US$ 146 mil no longo prazo. Enquanto isso, Cathie Wood, da Ark Invest, estimou que a criptomoeda poderia até ultrapassar os US$ 500 mil se os investidores institucionais dedicassem apenas 5% de seus portfólios para o bitcoin.

Dito isso, essas metas de preço não serão atingidas da noite para o dia, se é que se tornarão realidade. Mesmo Dowd, que acredita muito no bitcoin, acha que a limpeza do mercado de criptomoedas levará tempo.

Será que os investidores trocarão os cinco mil anos de história do ouro pelo bitcoin em breve? Será que eles alocarão uma parte significativa de seu portfólio em bitcoin? Estas são as perguntas que determinarão o futuro da criptomoeda.

Compartilhe esta publicação: