Federal Reserve sobe juros dos EUA em 0,75% pela segunda vez consecutiva

Taxa de juros norte-americana subiu 0,75 ponto percentual para um intervalo entre 2,25% e 2,50%.

Monique Lima
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Chris Wattie/Reuters
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Taxa de juros norte-americana sobe para intervalo entre 2,25% e 2,50%.

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O Federal Reserve (banco central norte-americano) elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,75 ponto porcentual pela segunda vez consecutiva, para um intervalo entre 2,25% e 2,50% ao ano — o maior valor da taxa no país desde dezembro de 2018.

O resultado foi unânime e veio em linha com as expectativas do mercado e com a sinalização dada pelo Fed e seus membros desde o último encontro, em junho. Uma alta de 0,75 ponto percentual não acontecia nos Estados Unidos desde 1994. Não há registro recente de dois reajustes seguidos dessa magnitude.

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Este já é o quarto aumento de juros nos EUA desde o início de 2022. As taxas saíram de um valor próximo a zero em janeiro e devem terminar o ano entre 3,25% e 3,50%, segundo o banco central.

Veja os últimos aumentos dos juros:

  • Março: alta de 0,25 p.p. (0,25% – 0,50%)
  • Maio: alta de 0,50 p.p. (0,75% – 1,00%)
  • Junho: alta de 0,75 p.p. (1,50% – 1,75%)
  • Julho: alta de 0,75 p.p. (2,25% – 2,50%)

Para o próximo encontro do Fed, que será realizado em setembro, o mercado avalia que o aumento será de 0,50 ou 0,25 ponto percentual. Em relatório divulgado junto com a decisão, os membros do banco sinalizam que mais altas devem acontecer, sem antecipar a magnitude.

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“O Comitê está preparado para ajustar a orientação da política monetária [dos EUA] conforme for apropriado e de acordo com os riscos que possam impedir o objetivo de devolver a inflação aos 2% ”, diz o comunicado oficial do Fed.

Já nos últimos dois encontros de 2022, a expectativa do mercado é de elevação de 0,25% em cada uma das datas. Se concretizado e os juros dos EUA terminarem o ano na faixa de 3,25% a 3,5%, será o maior nível desde janeiro de 2008, período anterior à crise financeira global.

Fed corre atrás da inflação

O tom agressivo do banco central dos EUA com o aumento dos juros é uma tentativa de combater a inflação norte-americana, que chegou a patamares vistos pela última vez na década de 1980. À época, a alta dos preços assolava diversos países no mundo – como acontece novamente agora.

De acordo com os últimos indicadores de inflação do país, registrados em junho, o índice de preços ao consumidor (CPI) chegou a 9,1% no acumulado de 12 meses, valor visto pela última vez em 1981. Já o índice de preços ao produtor (PPI) era de 11,3% no mesmo período.

A preocupação do mercado é que a atual política monetária resulte em recessão econômica ou estagflação – cenário em que não há crescimento econômico, mas a inflação permanece elevada.

Em comunicado do Fed com a divulgação dos juros, a autoridade monetária afirmou que “a inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de alimentos e energia e pressões mais amplas sobre os preços.”

E acrescentou que “está atento aos riscos inflacionários” e leva em consideração “leituras sobre saúde pública, condições do mercado de trabalho, expectativas de inflação e desenvolvimentos financeiros e internacionais”.

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