Investidoras-anjo se unem para apoiar startups fundadas por mulheres

Em um ano, Sororitê já aportou R$ 3 milhões; meta para 2022 é chegar a R$ 10 milhões investidos

Vitória Fernandes
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Jaana Goeggel, Érica Fridman Stul, Flávia Mello e Mariana Figueira, fundadoras da rede de investidoras-anjo Sororitê

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Apenas 4,7% das startups do Brasil têm um time formado apenas por mulheres, e 0,04% delas conseguem investimentos para desenvolver a empresa. Foram dados como esses, levantados pelo Distrito, que impulsionaram a criação do Sororitê, uma rede de investidoras-anjo que apoia empresas fundadas por mulheres para conseguirem o primeiro aporte.

Liderada por Flávia Mello, Erica Fridman Stul, Mariana Figueira e Jaana Goeggel, a rede conta com mais de 70 investidoras com experiências em diferentes áreas que avaliam as startups em estágio inicial (pre-seed) de maneira abrangente.

“Quando criamos o Sororitê, precisávamos de um grupo que fosse como um espaço seguro para investidoras e empreendedoras, que valorizasse a experiência de cada uma e as deixasse seguras para perguntar o que era necessário, sabendo que juntas somos mais fortes”, diz Erica Fridman, co-fundadora da empresa.

Leia mais: O que é um pitch e como atrair a atenção do investidor?

Essa espécie de entrevista, que é decisiva na hora de aprovar uma empresa para o investimento, pode se tornar uma grande barreira para as fundadoras quando há um homem do outro lado da mesa.

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De acordo com a experiência das fundadoras da Sororitê, as questões direcionadas às mulheres buscam o fracasso, o lado negativo, enquanto os homens recebem tratamento muito mais positivo.

O estudo da plataforma Distrito também mostra que 61,4% das entrevistadas foram perguntadas se teriam condições de conduzir o negócio, enquanto 45,7% receberam indagações sobre o conhecimento de termos técnicos básicos.

Esse é um dos motivos que explicam por que tão poucas empresas com mulheres na liderança conseguem aportes de investidores.

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Para Mariana Figueira, também co-fundadora da rede, outro ponto importante é a falta de similaridade. Ela conta que, muitas vezes, os negócios criados por mulheres buscam solucionar problemas vividos no dia a dia delas que muitas vezes não são compreendidos por homens.

“Nós percebemos que muitas vezes as empreendedoras chegam até nós após serem rejeitadas por investidores homens e trazem um discurso de três minutos com explicações muito detalhadas sobre situações que nós, mulheres, entendemos sem precisar de duas palavras”, conta Figueira.

As startups chegam até a Sororitê por caminhos diversos. Muitas são trazidas por membros, outras se cadastram na plataforma da empresa ou são indicadas por redes de inovação que têm parceria com o grupo.

Depois que as novas empresas entram no radar, elas participam de reuniões nas quais as investidoras avaliam a fundadora de acordo com sua experiência na área na qual quer empreender, o tamanho do mercado, o diferencial da solução apresentada pelo negócio e a tração que a empresa tem.

Passando por essas etapas de avaliação, que normalmente são realizadas com poucas investidoras, a startup faz um vídeo para a comunidade conhecer a empresa e seus propósitos. Depois de aprovada, a fundadora faz um pitch para as investidoras de aproximadamente 20 minutos.

Ao fim, as investidoras-anjo avaliam se faz sentido para elas fazer um aporte ou não. Cada uma decide sozinha. É possível que apenas uma (ou algumas) das investidoras se interesse pela empresa e decida oferecer o valor pedido pela startup na proposta.

Em um ano de vida, a Sororitê levantou R$ 3 milhões para oito startups, entre elas HerMoney, Feel, SleeUp e Mimo. Para 2022, a perspectiva é atingir R$ 10 milhões.

 

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