Mercado bilionário: conheça 4 mulheres que lideram marcas promissoras de sexual wellness no Brasil

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Marília Ponte fundou a Lilit com um investimento inicial de R$ 200 mil

“Falar de sexual wellness é se importar com a saúde e o bem-estar feminino”, diz Marina Ratton, fundadora da marca de cosméticos íntimos Feel. A empreendedora, que lançou seu negócio em outubro de 2020, revela ter percebido um campo promissor de atuação ao conhecer o mercado de sextech e entender que há muita demanda para um setor ainda em lentidão. “Comecei a conversar com mulheres e descobrir necessidades íntimas em temáticas que abordamos muito pouco, como puerpério e menopausa. É um assunto que ainda gera desconforto e vergonha e eu decidi que era a hora de fazer a minha parte.”

Assim como a Feel, o mercado de sexual wellness – ou bem-estar sexual – é extremamente novo. Embora 2019 tenha tido um crescimento de 8% em relação ao ano anterior – segundo a Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico) – 2020 foi o grande ano do setor. Em meio à pandemia, a procura por produtos de sexualidade feminina aumentou expressivamente no Brasil. De acordo com um levantamento feito pelo portal Mercado Erótico, mais de um milhão de vibradores foram vendidos entre março e junho, um volume 50% maior quando comparado à mesma época do ano anterior.

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O impacto foi sentido por Izabela Starling e Heloisa Etelvina, fundadoras da loja de produtos eróticos Panty Nova. “Fundamos a empresa em 2018 e já tivemos uma estreia movimentada, tanto pelo interesse dos consumidores quanto pela imprensa. Tivemos saldo positivo logo de início, mas 2020 realmente foi diferenciado: de março a abril, crescemos 400% nosso volume de vendas”, revela Izabela. “É inegável que a pandemia tenha trazido mais interesse no assunto.”

Mais do que efeitos pontuais em pequenos e médios negócios, o potencial do sexual wellness também foi reconhecido pelo mercado de tecnologia e inovação de grandes centros. Na última São Paulo Tech Week, em 2020, havia um espaço exclusivo para debate de oportunidades e tendências no segmento. Parte desse movimento é explicado pelos últimos dados do instituto Allied Market Research sobre o setor, que tem a previsão de alcançar um faturamento de US$ 108 bilhões em 2027 no mercado global. Para os mais imediatistas, os números também impressionam: o segmento movimenta mais de US$ 50 bilhões por ano em todo o mundo.

O varejo também enxerga essa nova temática com bons olhos. Seguindo a tendência de grandes players internacionais, como Amazon e Walgreens, a AMARO tem dedicado uma categoria de seu site para marcas de sexual wellness. A Feel, em apenas dois meses de lançamento, conseguiu fechar 2020 com um contrato dentro da varejista. “Decidimos ampliar nosso portfólio de produtos para acompanhar mais momentos da vida das mulheres. No primeiro semestre deste ano, estrearemos no segmento de bem-estar sexual, trazendo uma seleção de marcas parceiras inovadoras no mercado feminino”, conta Denise Door, diretora de marketing da AMARO.

Como se não fosse o bastante para a felicidade da fundadora, Marina Ratton revela também ter sido aprovada no GB Ventures, programa de aceleração de startups do Grupo Boticário. “Ser reconhecida por um grande varejo é uma excelente chancela”, destaca a empreendedora.

Parte desse sucesso do sexual wellness também pode ser explicado pela mudança de liderança. Considerado um grande tabu por tantas décadas, o assunto envergonhava muitas mulheres, o que fazia com que o controle do segmento ficasse em mãos masculinas. “As experiências de compra no setor eram ruins. O que você comprava não era exatamente o que estava descrito”, conta Izabela sobre sua experiência como consumidora, o que impulsionou sua vontade de empreender. “Segundo uma pesquisa da Abeme, quase 80% dos consumidores de produtos eróticos são mulheres. Então, por que não vemos essa representação no mercado?”, questiona a empresária. “Quem mais consome são mulheres, então, elas têm que produzir. De mulheres para mulheres.”

De acordo com uma pesquisa feita pelo Sebrae e pela Global Entrepreneurship (GEM), em parceria com o IBQP, 50% dos empresários que estão tentando abrir um negócio ou que já têm um empreendimento com até cinco anos de mercado são mulheres. No total, são 26,5 milhões de brasileiras que comandam o próprio negócio. Junto a esse avanço, a quebra do tabu sobre a sexualidade feminina nas gerações mais jovens fez com que empreendedoras se levantassem para entender suas necessidades e entregar soluções no mercado. “As marcas do segmento cumprem um propósito de educação sexual, algo ainda deslegitimado no Brasil”, destaca Marina. “O ônus de não falar da natureza feminina é muito caro.”

Conheça, na galeria abaixo, cinco marcas brasileiras de sexual wellness lideradas por mulheres:

  • Feel, Marina Ratton

    Talvez a empresa mais recente do segmento, a Feel foi fundada em outubro de 2020 e esgotou os estoques de produtos nas primeiras duas semanas de lançamento. “Fiz uma programação para três meses de vendas, mas acabou tudo, cerca de 500 produtos, em apenas duas semanas”, conta Marina Ratton. Para ela, esse sucesso é fruto de meses de conversas com mulheres que conheceu no programa de aceleração de startups B2 Mamy, focado em empreendedorismo feminino. “Entrevistei muitas pessoas e criei uma comunidade muito forte com elas. Nem precisei de investimento com influencers, o marketing foi no famoso boca a boca”, brinca.

    Formada em design de moda, a empreendedora se preocupou muito com a apresentação do produto. “Fiz questão de um design amigável que não fizesse com que as consumidoras se sentissem envergonhadas. Esse fator, além das fórmulas naturais, é o que mais atrai novas clientes.” Mais do que o reconhecimento das consumidoras, Marina revela estar se preparando para a primeira rodada de investimentos no mês de março. A captação será pela Wishe, grupo de investimento focado em startups inovadoras lideradas por mulheres, e promete impulsionar ainda mais a marca. Sobre o interesse do mercado, a empresária diz com humor: “Tem que surgir mais umas cinco Feels para dar conta da demanda.”

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  • Lilit, Marília Ponte

    O mito de Lilith representa uma mulher livre e emancipada. Segundo a origem mitológica, é a figura que surge do mesmo barro de Adão para exigir igualdade e liberdade. Foi inspirada nessa história que Marília Ponte, no início de 2019, fundou a Lilit, sua marca de sexual wellness. Seu investimento inicial foi de R$ 200 mil e a empresa faturou quase R$ 450 mil logo no primeiro ano, uma resposta positiva para a jovem empreendedora, que decidiu largar seu emprego anterior e se aventurar no mundo dos negócios após enxergar o potencial e o propósito do mercado de sextech no mundo.

    Para ela, que cresceu aprendendo que meninas não falam de sexo, ter uma mulher na liderança em uma empresa de produtos íntimos era essencial. Assim como Izabela Starling, da Panty Nova, Marília acredita que as mulheres precisam estar à frente dos produtos para suas necessidades. “A revolução do sexual wellness que o Brasil precisa não está relacionada apenas ao surgimento de uma nova geração de produtos e serviços voltados para o prazer feminino, mas principalmente, à construção de um novo discurso sobre sexualidade, protagonizado por empreendedoras dispostas a questionar o modelo atual da indústria”, destaca a empreendedora.

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  • Panty Nova, Izabela Starling e Heloisa Etelvina

    Lançada em 2018 pelas empreendedoras Izabela Starling e Heloisa Etelvina, a Panty Nova nasceu de uma visão de consumidoras descontentes. “Fomos casadas durante dois anos e sabíamos da demanda. Conversando com amigas, confirmamos que esse mercado implorava por uma mudança”, relembra Heloisa. De uma inquietação, largaram seus empregos anteriores para caminhar no empreendedorismo. “A gente acreditou na ideia”, destaca Izabela.

    Inicialmente focadas na importação de vibradores – atualmente a marca também conta com uma linha de cosméticos própria -, elas conquistaram o gosto popular muito rápido. “Não tínhamos assessoria, mas logo no primeiro mês de lançamento já fomos chamadas por vários portais para falarmos sobre a empresa”, diz Heloisa. Após esse início promissor, ela conta que a divulgação foi feita, basicamente, por recomendações entre amigas. “O Instagram não deixa empresas que vendem sex toys impulsionarem suas publicações. Além disso, no início, as pessoas que trabalhavam com internet tinham medo de falar sobre o assunto, o que atrapalhava as possíveis parcerias.” Hoje, apenas três anos depois, a marca já conta com um grande time de influenciadores. “As pessoas ainda têm vergonha, mas vamos evoluindo aos poucos.”

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  • Sophie Sensual Feelings, Chris Marcello

    Publicitária paulistana, Chris Marcello trabalhou 30 anos como executiva de marketing de grandes empresas, como Avon, O Boticário, Tupperware Brands e Jequiti Cosméticos. Cinco anos atrás, ainda no início da ascensão do mercado de sexual wellness no Brasil, a empreendedora enxergou futuro no segmento e decidiu largar tudo para fundar sua própria empresa, focada em cosméticos sensuais veganos. Desde meados de 2015, ela acompanha o crescimento exponencial do setor, que cada vez se mostra mais promissor, ainda mais quando se trata de produtos naturais, livres de parabeno e cruelty free.

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Feel, Marina Ratton

Talvez a empresa mais recente do segmento, a Feel foi fundada em outubro de 2020 e esgotou os estoques de produtos nas primeiras duas semanas de lançamento. “Fiz uma programação para três meses de vendas, mas acabou tudo, cerca de 500 produtos, em apenas duas semanas”, conta Marina Ratton. Para ela, esse sucesso é fruto de meses de conversas com mulheres que conheceu no programa de aceleração de startups B2 Mamy, focado em empreendedorismo feminino. “Entrevistei muitas pessoas e criei uma comunidade muito forte com elas. Nem precisei de investimento com influencers, o marketing foi no famoso boca a boca”, brinca.

Formada em design de moda, a empreendedora se preocupou muito com a apresentação do produto. “Fiz questão de um design amigável que não fizesse com que as consumidoras se sentissem envergonhadas. Esse fator, além das fórmulas naturais, é o que mais atrai novas clientes.” Mais do que o reconhecimento das consumidoras, Marina revela estar se preparando para a primeira rodada de investimentos no mês de março. A captação será pela Wishe, grupo de investimento focado em startups inovadoras lideradas por mulheres, e promete impulsionar ainda mais a marca. Sobre o interesse do mercado, a empresária diz com humor: “Tem que surgir mais umas cinco Feels para dar conta da demanda.”

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