Empresas com CEOs mulheres pagam menos para outras líderes

Estudo sugere que, depois de eleger uma mulher para a posição mais alta, as empresas não fazem esforço para manter outras mulheres na liderança.

Kim Elsesser
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Se a empresa deu lugar a uma CEO, deixa de incentivar outras mulheres pois já cumpriu “cota de diversidade”

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O número de CEOs do sexo feminino tem aumentado lentamente na última década: apenas 6% dos CEOs das 500 maiores empresas dos Estados Unidos são mulheres. Pode parecer lógico que altas gestoras se beneficiariam de ter uma CEO mulher no comando de sua organização, mas um novo estudo sugere exatamente o contrário. Uma CEO mulher pode ser uma má notícia para gestoras seniores, pelo menos quando o assunto é salário. Os pesquisadores acreditam que as empresas com uma CEO não investem em outras lideranças do sexo feminino.

O estudo, publicado no Journal of Applied Psychology, analisou 20 anos de dados salariais das equipes de alta administração das 1.500 maiores companhias americanas (as empresas públicas dos EUA são obrigadas a divulgar informações sobre a remuneração de seus CEOs e dos outros quatro gerentes mais bem pagos – esses foram os dados usados ​​pelo estudo). Os pesquisadores descobriram que “se uma alta gerente feminina é liderada por uma CEO mulher, sua remuneração é aproximadamente 16% menor do que seria se a empresa tivesse um CEO homem”. É importante observar que essa discrepância salarial é uma média e certamente não se aplica a todas as empresas. Os altos executivos homens ganhavam o mesmo, independentemente de trabalharem para um CEO homem ou mulher.

Cota de diversidade cumprida

Por que essas gerentes ganham 16% menos quando uma mulher está no comando da empresa? Os pesquisadores testaram duas teorias. Uma possibilidade sugere que as mulheres no poder são mais críticas em relação às subordinadas e, portanto, uma CEO do sexo feminino pode estar inclinada a pagar menos a outras mulheres. Mulheres em posições de autoridade que tratam mal suas funcionárias são frequentemente chamadas de abelhas rainhas. Os pesquisadores concluíram, no entanto, que os dados não sugeriam que as CEOs estavam se comportando como abelhas rainhas, e que provavelmente elas não eram responsáveis ​​por gerentes do sexo feminino receberem menos.

Em vez disso, eles encontraram evidências de que as organizações com uma CEO mulher têm menos incentivo para reter outras gerentes seniores. As empresas são geralmente a favor da diversidade de gênero e muitas vezes fazem um esforço para marcar presença feminina na alta administração. As políticas de diversidade de gênero normalmente incluem pagar mais a uma alta gerente feminina para atraí-la e retê-la. No entanto, se essa mesma organização já tiver uma CEO mulher, ela pode ser um símbolo suficiente dos objetivos de diversidade de gênero da empresa. Como resultado, pode haver menos interesse em reter outras gerentes seniores. Os pesquisadores explicam: “Uma CEO pode, portanto, tornar redundante a presença de outras mulheres na alta administração para fins de diversidade, permitindo que a empresa pague menos do que pagaria se tivesse um CEO do sexo masculino”.

Em outras palavras, uma vez alcançada a diversidade de gênero nos níveis mais altos da organização, há pouco esforço para manter outras mulheres no topo. As empresas não estão interessadas na verdadeira equidade de gênero, mas em ter o número mínimo de mulheres necessário para parecer um ambiente diverso.

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Duas mulheres são “suficientes”

Essa noção de que as organizações lutam pela mínima diversidade de gênero necessária para evitar críticas e reações adversas foi encontrada em outras pesquisas. Um estudo examinou todos os diretores dos conselhos de empresas do S&P 500. Os pesquisadores descobriram que os conselhos estavam mirando em diversidade para agradar críticos em potencial, nomeando exatamente duas mulheres para a diretoria. Na verdade, 45% dos conselhos incluem exatamente duas mulheres. Uma vez que as organizações tinham duas mulheres em seu conselho corporativo, parecia que tinham pouco incentivo para adicionar uma terceira. Os autores do estudo chamaram esse fenômeno de “tokenismo”.

Corinne Post, professora de administração da Villanova University, que não participou do estudo sobre gênero dos CEOs e remuneração de altos executivos, propôs uma explicação mais generosa para o motivo pelo qual as gerentes podem ganhar menos com CEOs do sexo feminino. Ela diz que as organizações que têm CEOs mulheres podem estar mais comprometidas com a equidade de gênero e, portanto, ser mais propensas a acelerar o desenvolvimento da carreira de mulheres. Assim, as mulheres que são encaminhadas rapidamente para a alta administração podem ganhar menos do que outros funcionários do mesmo nível simplesmente porque não gastaram tanto tempo para chegar lá.

Independentemente de qual teoria esteja correta, a raiz do problema é que ainda há poucas CEOs e gerentes do sexo feminino. À medida que a presença de mulheres na alta administração se torna mais comum, espera-se que quaisquer decisões sobre o rápido crescimento de mulheres na carreira ou como atingir metas de diversidade não sejam mais relevantes.

 

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