Free Free lança NFT e expande sua atuação para outros países

A ONG já apoiou mais de 15 mil mulheres diretamente no Brasil e agora está expandindo para a Europa e criando uma comunidade no metaverso.

Fernanda de Almeida
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Philippe Kliot
Philippe Kliot

Yasmine Sterea, fundadora e CEO da Free Free, que trabalha pela liberdade física, emocional e financeira de mulheres

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Aos 28 anos, depois de uma carreira de sucesso no jornalismo de moda, Yasmine Sterea engravidou de uma menina, o que a fez mudar o rumo da carreira. Com a chegada de Violeta e as questões da maternidade, nasceu também a Free Free, em 2018, organização que trabalha pela liberdade física, emocional e financeira de meninas e mulheres com um trabalho que envolve acolhimento, educação e incentivo por meio de workshops e campanhas. “Eu realmente queria dar às mulheres o apoio que a minha mãe não teve”, diz Yasmine. Sua mãe tirou a vida aos 42 anos, quando ela tinha 21, e criar uma ONG de proteção às mulheres foi uma maneira de homenageá-la.

Em sua atuação com a Free Free, Yasmine trabalha ao lado do Ministério Público, faz parcerias com empresas e já chegou a impactar mais de 15 mil mulheres diretamente e 20 milhões de pessoas indiretamente. Agora, a Free Free está transbordando para fora do Brasil e anunciando outras novidades. “O Free Free virou um benchmark de sucesso e o próximo passo é levar o que a gente aprendeu no Brasil para outros locais. E, além disso, aprender com novos locais para levar para o Brasil”.

 

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Empreendedorismo social, moda e justiça

A Free Free vai ampliar os trabalhos com ONGs, comunidades e organizações que já eram feitos no Brasil, mas não vai deixar de atuar por aqui. As mulheres impactadas têm acesso a ciclos sobre liberdade financeira, direito da mulher, empreendedorismo, saúde mental e reconhecimento de diferentes tipos de abusos. Primeiro, elas são acolhidas e, depois, passam por um processo mais prático que as ajuda a criar soluções para suas vidas dali em diante.

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O diferencial, explica Yasmine, é que essas pautas, muitas vezes tratadas de forma pesada, são trabalhadas com uma metodologia que dá leveza, sem tirar a seriedade do assunto. O mestrado pelo Istituto Marangoni, referência em moda, e a formação em justiça social pela Harvard ajudaram a CEO a desenvolver um método que também utiliza a moda como ferramenta para recuperar a autoestima de mulheres em situação de abuso. “Essa metodologia está presente em tudo que a gente faz, desde workshops para mulheres na periferia até para grandes lideranças femininas”.

A Free Free também faz consultorias para empresas, como a Vivara, e campanhas de conscientização sobre diversos temas. No ano passado, foi feita uma ação com o Seu Jorge chamada “De Dentro de Casa Pra Rua”, que trazia o homem para conversas sobre a importância de começar as mudanças dentro de casa.

O foco do trabalho não é em assistencialismo, apesar de a Free Free fechar parcerias para a distribuição de alimentos, o que foi feito com a PepsiCo, que doou 34 toneladas de alimentos no ano passado. “É óbvio que isso é importante, mas não é o nosso trabalho principal”, diz. O foco é dar ferramentas para que as mulheres possam (re)começar a construir suas vidas.

Free Free no exterior

A organização vai atuar primeiro na Europa, em países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Romênia e depois também terá trabalhos nos Estados Unidos. A escolha dos países, explica Yasmine, está relacionada às suas culturas machistas, apesar de não serem cenários de extrema pobreza – com exceção da Romênia, que é o berço do avô paterno de Yasmine, e um lugar com o qual ela guarda uma história afetiva.

Yasmine vai ficar baseada entre Brasil e Portugal e, logo depois de chegar na Europa, recebeu a notícia de que a Rússia havia invadido a Ucrânia. Ela sentiu que precisava fazer algo a respeito. “Eu venho de uma família de refugiados, e a Romênia está recebendo muitos refugiados agora, e a maioria mulheres porque os homens entre 18 e 60 anos não podem sair do país”, diz. A atuação do Free Free na Europa terá um programa especial de acolhimento a refugiadas do mundo todo, o “Filhas da Mãe Terra”, com foco, neste momento, nas mulheres ucranianas.

Os resultados de uma pesquisa lançada em parceria com a Dra. Joan Johnson-Freese, nova integrante do conselho consultivo da Free Free e professora da Universidade Harvard, vão ajudar a mapear as necessidades dessas mulheres para, em seguida, criar soluções efetivas para apoiá-las. A organização está criando um programa de voluntariado para ampliar o número de colaboradoras, chamadas de “multiplicadoras”, pelo mundo.

NFT da Free Free

A Free Free também está criando, em parceria com o profissional de tecnologia Gee Van Donselaar, uma comunidade no metaverso, e lançará ainda este ano algumas coleções de tokens não-fungíveis, NFTs. “Quando uma pessoa compra um NFT, ela está investindo naquele projeto e fazendo um investimento para si mesma. Você começa a fazer parte daquele grupo e se engajar naquela causa”, diz.

A Free Free House, casa em São Paulo que recebia mulheres para conversas e eventos antes da pandemia, também vai migrar para uma plataforma da comunidade, que está sendo construída no Twitter. Segundo Yasmine, será possível acessar tudo o que estiver acontecendo lá por meio de um link, o que também vai facilitar a participação de mulheres do país e até do mundo todo. “A gente sempre trabalhou com inovação, então soluções como essa, que conseguem nos conectar com mais mulheres e novos grupos, vão ajudar a alavancar o nosso impacto”.

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