Finanças pessoais: especialista ensina mulheres a cuidarem do próprio dinheiro

Fernanda de Almeida
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Nomad Outing/Getty Images
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Normalizar o assunto entre mulheres é um dos caminhos para cuidar bem do dinheiro e alcançar a saúde financeira

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Aprender a cuidar das finanças é importante para qualquer profissional, mas é uma habilidade ainda mais crítica para mulheres. Quando se fala em salários, muitas vezes começamos em desvantagem. E muitas interrompem a carreira – voluntariamente ou não – depois de ter filhos.

Segundo um levantamento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), 15,1% das brasileiras têm saúde financeira ruim, número que cai para 8,3% em relação aos homens. A executiva Denise Damiani, fundadora de uma consultoria de negócios, com passagens por grandes consultorias de gestão, e autora do livro “Ganhar, gastar, investir”, dá aqui dicas para que mulheres alcancem essa saúde financeira, independentemente da idade ou de quanto ganham.

Para escrever o livro, ela conversou com mais de 600 mulheres de diferentes países, graus de estudo e situações socioeconômicas, e descobriu isto: “Não importa a educação, o cargo ou a riqueza. Todas enfrentam mais ou menos o mesmo problema em relação ao dinheiro”. “Fomos treinadas a acreditar que o dinheiro não faz parte do universo feminino”, diz Denise, que defende que normalizar o assunto entre mulheres é um dos caminhos necessários para mudar esse cenário.

Aqui, suas dicas para que você cuide bem do seu dinheiro.

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Ganhe seu próprio dinheiro

Se você não tem o seu próprio dinheiro, você não tem liberdade de ação. Tomar decisões como mudar de emprego, terminar um casamento ou mudar de país, tirar um ano sabático ou ter um filho, dependem de que você tenha a sua própria renda. “Por exemplo, se eu tenho um marido que não quer que eu trabalhe e quer manter a casa, que liberdade eu tenho? Se o dinheiro não é meu e os imóveis não estão no meu nome, a minha liberdade fica bastante limitada.”

Quanto eu ganho e quanto eu gasto?

Depois desse passo, é necessário controlar as questões que formam o tripé das finanças pessoais: quanto você ganha, quanto gasta e quanto investe. Parece básico, mas muita gente se perde logo de cara. “É comum que as pessoas não saibam nem quanto ganham nem quanto gastam”, diz Denise. Esse é o primeiro ponto para começar a entender sua situação financeira. “Como é que você vai ganhar mais e gastar menos se não sabe de onde está partindo?”

Faça planos objetivos

Depois disso, é hora de definir, com metas realistas, quanto você quer ganhar e gastar – e aí se planejar para isso. “Sem isso, você não tem como fazer planos”, diz Denise. “É fundamental que o ponto de partida não seja só um plano mental”, afirma a executiva. Esse plano tem que estar escrito, seja em uma planilha ou em um caderninho. O importante é o registro.

Gastar menos?

Independentemente dos valores, os gastos precisam ser maiores do que os ganhos. “Em geral, quando as pessoas aumentam seus ganhos, aumentam também os gastos. Mas o que gera riqueza não é só o quanto você ganha ou o quanto você gasta. É a diferença entre esses dois fatores”, diz Denise. “Se você ganha bem, decide gastar bastante e ainda sobra um monte de dinheiro para investir, tudo certo.”

Não existe uma proporção certa entre os tripés, mas o ideal é guardar mais à medida que seus ganhos aumentam.

Em seu livro, a planilha Visão do Futuro ajuda a leitora a visualizar sua situação financeira para cuidar do dinheiro. “Você coloca a idade que você tem agora, quanto você tem de patrimônio, quanto você ganha e quanto gasta. Tem gente que se parar de trabalhar aos 60 anos, vai ter dinheiro até os 110, e tem gente que precisa morrer aos 70 porque o dinheiro vai acabar”.

Antes de investir, procure um especialista

Quem pensa que precisa saber tudo sobre investimentos antes de investir, provavelmente nunca vai ver seu dinheiro rendendo. “Ninguém que não seja especialista vai ser profissional em investimentos, então não adianta você achar que vai aprender tudo”, diz a autora. Ela mesma, que trabalha ativamente com o assunto, não se considera uma especialista. Por isso, é importante conversar com alguém que tenha esse conhecimento.

Existem diversos grupos gratuitos que trabalham com educação financeira para mulheres, como o da própria Denise, que tem rodas de conversa, mentoria e até mesmo um fundo para investir, o Saphira, que destina 20% da sua taxa de administração para causas sociais que ajudam mulheres.

Entenda o básico sobre investimentos

É importante conhecer o mínimo sobre o assunto, até mesmo para se comunicar com esse profissional. “Não vai ser a leitura de um livro que vai te ensinar a investir”, diz Denise. Mas pode ajudá-la a entender o básico e sair-se bem na conversa com o gerente do banco. É importante saber como funciona o mercado, quais são as classes de ativos, o que é rentabilidade, liquidez, volatilidade, entre outros termos importantes.

Se a meta é gastar menos, trace um plano para isso. Mas Denise ressalta que de nada adianta ganhar muito e gastar pouco se a diferença não for investida de maneira adequada.

LEIA TAMBÉM: Mulheres investem menos, porém melhor

Tenha uma reserva de emergência

Ainda antes de investir, é importante ter uma reserva de emergência – um valor equivalente a um ano do seu custo de vida guardado em uma aplicação segura e de fácil retirada. Imprevistos acontecem – vide os ensinamentos trazidos pela pandemia –, mas você pode estar à frente deles. “Se você tem 20 anos, não precisa guardar tanto porque ainda tem a vida inteira para trabalhar, mas se tiver 60 anos e só tiver um ano dos meus gastos guardados, eu realmente preciso me preocupar”.

Torne o investimento um hábito

Investir uma vez na vida não vai adiantar muito: tem que ser hábito acompanhar a situação do seu dinheiro e cuidar dele. “Você tem que olhar no mínimo a cada seis meses, mas também não adianta olhar todos os dias porque dinheiro é igual grama, ele não cresce de um dia para o outro”.

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