A trajetória da Olga Ri, foodtech que captou R$ 30 milhões

Fundadores fizeram transição de carreira para abrir uma empresa especializada em delivery de saladas

Fernanda de Almeida
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Beatriz Samara e Bruno e Cristina Sindicic fundaram a Olga Ri em 2016 e acabam de receber o terceiro aporte, de R$ 30 milhões

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Quando Bruno e Cristina Sindicic eram crianças, viam os colegas comerem bolo e salgadinho no intervalo da escola, enquanto abriam as lancheiras com cenoura, pepino e tomate. A relação com a comida natural e saudável, portanto, é de longa data. E foi fundamental para que, em 2016, os irmãos decidissem abrir uma foodtech especializada em delivery de saladas. A ideia veio de Bruno, que convidou a irmã, Cristina, e que estendeu o convite a uma amiga, Beatriz Samara. 

Hoje, a Olga Ri está expandindo para o Rio de Janeiro e tem planos de abrir um restaurante físico em São Paulo com o seu terceiro aporte, de R$ 30 milhões.

O investimento foi liderado pela Kaszek, empresa de venture capital que apostou pela terceira vez na startup e também já investiu no Nubank, Loggi e Quinto Andar. Outros fundos como a Chromo Invest, Calila, Aram Capital e a Scale-Up Ventures também participaram, além dos investidores-anjo Guilherme Bonifácio, cofundador do iFood, e Diego Libânio, do Zé Delivery, e do cineasta Fernando Meirelles.

Fundada por duas mulheres e um homem gay, a empresa tem a diversidade como um dos seus principais pilares: 60% dos líderes são mulheres, 21% são LGBT e 70% do time é feminino. A Olga Ri também tem parceria com o TransEmprego, projeto de empregabilidade de pessoas trans, e chegou a acompanhar funcionários durante a transição.

Tudo começou em uma cozinha na Vila Olímpia da mãe dos irmãos Sindicic, que tinha uma marca de conservas, onde Cristina e Beatriz preparavam as saladas e vendiam para amigos que trabalhavam no mercado financeiro. “A gente tinha que entregar um produto de qualidade e que a gente gostaria de consumir para não passar vergonha”, diz Cristina. No início, eram 10 saladas por dia; no ano passado, o faturamento foi de R$ 21 milhões. 

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O caminho das fundadoras da Olga Ri

Beatriz e Cristina são arquitetas, trabalharam juntas no ramo e chegaram a dividir apartamento em um intercâmbio em Barcelona  – o que foi a prova de que também poderiam dividir um negócio. “A gente é muito complementar, por isso que dá tão certo”, diz Cristina, que nunca tinha pensado em empreender, até receber o convite do irmão. 

Beatriz, por outro lado, já colocava em prática seu lado empreendedor, vendendo brigadeiros na faculdade e, depois, abriu o próprio escritório de arquitetura. “Inconscientemente, eu já tinha essa vontade de fazer algo partindo do zero”, afirma.

Depois de dois anos, a Olga Ri recebeu a primeira rodada de investimento, também liderada pela Kaszek. “Até então, a gente nunca tinha investido em marketing, então tudo que a gente tinha conquistado era no boca a boca, porque a gente tinha uma salada muito gostosa”, diz Cristina. A partir daí, começaram a investir não só em marketing, mas em tecnologia e em buscar talentos para a empresa. 

Hoje, Cristina ocupa o cargo de CCO, à frente da comunicação da empresa; Beatriz, o de CPO, tocando as áreas de produto e funcionários; e Bruno é o CEO. O empreendedorismo mudou e moldou suas vidas: “Antes, eu ia trabalhar todos os dias e aquilo não fazia sentido, não tinha um propósito profissional”, afirma Cristina. 

Mas abrir a própria empresa traz inseguranças e responsabilidades. “As pessoas acham que tem um pouco menos de pressão por a gente ter sido fundadora da companhia, mas pelo contrário, é uma ‘autopressão’, porque a gente tem um time que depende de nós”, diz a fundadora. 

O maior desafio, segundo Beatriz, é justamente este: a liderança, já que a formação em arquitetura preparou muito pouco para a realidade que elas enfrentam hoje. Ela chegou a fazer uma pós em liderança corporativa, mas é no dia a dia da empresa que observa sua evolução profissional. 

Diferencial e expansão da marca

As fundadoras apostam na construção de uma cultura forte, com valores compartilhados entre os funcionários, como uma forma de facilitar a liderança de suas equipes. 

Hoje, o mercado de restaurantes e marcas de delivery saudável tem muitos players, mas elas acreditam no diferencial do seu negócio: a construção de marca, que vem sendo feita durante os seis anos de empresa, e o foco na operação. “É muito fácil vender uma salada gostosa para cinco pessoas, mas imagina pensar isso numa escala com cinco cozinhas e manter o padrão”, diz Cristina.

O novo aporte será destinado para tecnologia e construção de time a fim de melhorar a logística e contribuir para a experiência dos seus mais de 14 mil clientes mensais. Além disso, a empresa vai inaugurar pelo menos 12 novos espaços no modelo cloud kitchen (exclusivos para delivery) em São Paulo, na Vila Olímpia, Jardins, Mooca, Lapa e Santana, e também deve expandir para o Rio de Janeiro, ABC paulista e Osasco. 

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