Ela criou um negócio global com base em pole dance

Formada em Yale, Cami Árboles é fundadora da plataforma MBSC, que dá aulas de pole dance a ioga para um público global de mais de 2.500 alunos

Karin Eldor
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Tanima Mehrotra
Tanima Mehrotra

A dançarina Cami Árboles viralizou na internet com um vídeo em que praticava a pole dance após se formar em Yale, uma das principais universidades do mundo

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Depois de se formar em Yale no início de 2020, a dançarina Cami Árboles se sentiu presa e insegura sobre seu próximo passo na carreira. Foi no início da pandemia,  o que a forçou a adiar seus planos de mergulhar nas artes cênicas em Nova York e se mudar para sua cidade natal, Los Angeles.

Quando sua cerimônia de formatura em Yale foi feita no Zoom em maio de 2020, Árboles comemorou o marco com uma performance no pole dance, a dança feita em torno de um poste, com o chapéu e a beca de formanda e compartilhou em seu Instagram.

O momento se tornou viral: a imprevisibilidade do post mostrava o paradoxo entre o pole dance e a Ivy League, grupo de alunos das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos.

O pole dance virou um guia para Árboles e deu firmeza a ela durante esse período desestabilizador: “O pole era a única coisa que eu poderia estar ansiosa para fazer, mesmo que tudo estivesse indo mal. Eu poderia pelo menos ir ao pole todos os dias por algumas horas e aprender um novo truque, e isso me daria o impulso de serotonina que eu precisava para continuar meu dia.”

Árboles não parou por completo a paixão pelas artes cênicas: passou a dar aulas de pole dance (afinal, foi uma ótima oportunidade para espalhar seu amor pelo esporte para outras pessoas), o que levou ao lançamento da plataforma MBSC (Mind, Body, Spirit Collective), agora global, um espaço com sede em Los Angeles destinado a ajudar mulheres e pessoas não-binárias a recuperar o controle de seus corpos por meio do movimento. 

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A verdade é que o empreendedorismo não é um grande esforço para Árboles – ela acredita que ser fundadora equivale a ser uma contadora de histórias: “Construir uma marca é compartilhar sua história de uma maneira que outros possam acessar.”

“Sempre pensei que a arte é o estudo do mundo. Portanto, para ser um bom artista e um bom contador de histórias, você deve aprender o máximo possível sobre o mundo. E isso vai estar em cada história que você contar, ou cada obra de arte que você criar.”

Transição de carreira

Apesar de sua paixão pelas artes, Árboles decidiu ir para a área da ciência e se formou em pré-medicina em Yale. Ela logo percebeu sua paixão pela performance e migrou para uma especialização em artes performáticas. Ela se concentrou nos esportes e no movimento e se tornou uma instrutora de ioga com certificado.

Árboles estava focada em sua tese de último ano (sobre Frida Kahlo), contratou um agente e estava firme no objetivo de se tornar uma artista. Até que a pandemia mudou tudo.

Quando sua tese de conclusão de curso – “e basicamente tudo” – foi cancelada, Árboles chegou ao fundo do poço: “Senti toda a minha vida que estava realmente me preparando para algo muito específico. Eu me sentia muito pronta para isso. E então tudo escorregou debaixo de mim.”

Foi um momento desestabilizador para ela – e para muitos –, mas Árboles logo aprendeu que os obstáculos, muitas vezes, são oportunidades disfarçadas.

Sua tia disse a ela para fazer uma coisa durante esse período confuso e de decepções: permanecer ativa. E foi exatamente o que ela fez.

Ela se inclinou para o desconforto, colocou seus objetivos originais de carreira de lado e começou a dar aulas de ioga online e de pole dance gratuitamente, via Instagram Lives.

Foi essa mudança de direção que levou à popularidade do seu negócio.

Entre sua longa lista de momentos dos quais se orgulha, Árboles teve a honra de ensinar a cantora SZA a fazer pole dance, para o vídeo “Good Days” . 

Árboles aprendeu o poder das afirmações positivas, o que também faz parte do currículo do MBSC (além de pole dance e ioga). “Eu sempre digo a mim mesma que tudo o que eu acredito sobre mim, no final das contas, se torna a minha realidade. Então, de certa forma, eu tenho algum controle sobre isso.”

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Empreendedora e dançarina

Lançado oficialmente em julho de 2020, o MBSC passou de ter uma única instrutora para uma equipe de mais de seis instrutores em tempo integral, ensinando tudo, desde pole dance a ioga, para um público global de mais de 2.500 alunos.

Quando Árboles começou o negócio, ela estava fazendo reservas para as aulas manualmente por meio de suas mensagens no Instagram. Rapidamente ficou claro que as pessoas estavam querendo o que ela estava oferecendo e felizes em pagar por isso. Gerenciar as listas e pagamentos manualmente se tornou demais para Árboles e ela lançou oficialmente o site MBSC como uma plataforma e, literalmente, como um movimento.

Hoje, os seguidores e o alcance do MBSC são globais, e o coletivo se tornou um fenômeno de quebra de fronteiras, com membros em mais de 48 países, incluindo Canadá, Austrália, França, Holanda e Nova Zelândia. Há também um alto poder de permanência dentro da comunidade: a maioria dos membros – mais de 60% – são assinantes recorrentes.

Com aproximadamente 200 mil seguidores no Instagram, entre seu perfil pessoal e o MBSC, Árboles também se tornou uma voz destemida, inspiração e influenciadora, graças à sua capacidade de metamorfose (ela posa em posturas inspiradas em diferentes móveis) e como uma mulher que antes se sentia desconfortável com seu corpo, mas que hoje o expõe de diferentes formas.

Christine Do
Christine Do

“Não devemos ficar muito apegados a uma ideia de nós mesmos ou do que deveríamos ser, pois estamos sempre evoluindo”, diz Cami Árboles

Árboles aprendeu a lidar com o desconforto e inspira outras mulheres a fazerem o mesmo. Seu papel como influenciadora também a levou a participar de uma campanha da marca de moda íntima Knix chamada Big. Strong. Woman, também estrelada pela modelo Ashley Graham para o Dia Internacional da Mulher.

Ela também lançou uma collab de vestuário com a Street Grandma, uma marca de streetwear sustentável fundada por uma mulher em Los Angeles. A parceria se chama “Research Capsule” e, como os pilares do MBSC, promove a importância do amor próprio e apresenta uma dançarina de pole fazendo física – uma referência  aos dias de pré-medicina de Árboles em Yale.

Exatamente dois anos depois que seu momento de beca no pole dance viralizou nas redes sociais, Árboles participou recentemente de sua cerimônia de formatura em Yale no campus. 

“Aqui está o que incomoda as pessoas sobre o pole dance – é um ato de dualidade, como uma arte que também é atlética. ‘Como uma mulher ousa ter um corpo e ser expressiva, autoconfiante e muito atlética?’ Eu amo esta frase: ‘Os humanos são contradições ambulantes.’”

Ela nunca teria previsto que seu momento provocativo no pole dance teria tanto impacto, mas destacou a dicotomia entre empoderamento feminino e as visões misóginas. “Você nunca sabe exatamente o que vem a seguir para você. É meu trabalho seguir o fluxo com o que chega na minha vida e fazer o meu melhor todos os dias. Foi o que eu fiz no ano passado. E minha vida tomou uma direção radicalmente diferente. Mas sou muito grata por tudo.”

Outra lição poderosa que Árboles aprendeu: “Sempre ouça a sua intuição. Fim da história.”

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