"Quero encorajar mulheres a serem mais ambiciosas", diz estilista Tory Burch

A Fundação Tory Burch sediou sua cúpula anual Embrace Ambition na terça-feira (13) na cidade de Nova York. Os palestrantes incluíram a atriz Mindy Kaling, o ícone esportivo Billie Jean King, além da atriz e ativista Julianne Moore

Amy Shoenthal
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A Fundação Tory Burch sediou sua cúpula anual Embrace Ambition na terça-feira (13) na cidade de Nova York. O tema deste ano foi “Enfrentar estereótipos e criar novas normas”

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A Fundação Tory Burch sediou sua cúpula anual Embrace Ambition na terça-feira (13) na cidade de Nova York. O tema deste ano foi “Enfrentar estereótipos e criar novas normas”, com o objetivo de fomentar discussões sobre a situação da mulher no trabalho, saúde mental, desigualdades exacerbadas pela Covid-19 e o crescente papel do ativismo social.

Os palestrantes incluíram a atriz Mindy Kaling, o ícone esportivo Billie Jean King, a atriz e ativista Julianne Moore, o cofundador do Fearless Fund Arian Simone, entre outros.

Perguntei a Burch e à presidente da fundação, Laurie Fabiano, sobre suas esperanças e destaques da cúpula.

Forbes: Por que você começou a Fundação Tory Burch em 2009?

Tory Burch: Começar a fundação estava no meu plano de negócios desde sempre. Me desafiei a construir uma marca que mudasse a dinâmica para as mulheres, principalmente as mulheres empreendedoras.

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Como uma mãe trabalhadora que foi criada por uma mãe incrível, eu entendi os obstáculos que as mulheres enfrentam. O acesso ao capital é um deles. 50% dos empreendedores são mulheres, mas recebem menos de 3% do capital de risco. Existem outras barreiras para a igualdade e o sucesso das mulheres: estereótipos e preconceitos sobre gênero, raça e sexualidade, acesso a creches e apoio familiar, e a lista continua.

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O sucesso empresarial tem muitos fatores. Eu queria dar às mulheres o que descobri ser inestimável em minha carreira: a confiança para sonhar grande, o capital para construir e a comunidade para crescer.

F: Quais os maiores desafios que você enfrentou como mulher nos negócios?

TB: Houve inúmeros desafios desde que comecei a empresa em 2004. No início, tive dificuldade de lidar com o malabarismo de ser uma mãe que trabalha. Eu também tive dificuldade em falar sobre e assumir minha ambição. E eu vi a forma como as mulheres nos negócios eram tratadas de forma diferente.

Também fui desafiada por muitas pessoas que questionaram minha visão de um negócio orientado por um propósito. Quando eu estava apresentando meu conceito para investidores em potencial, muitas vezes me disseram para nunca mencionar o fato de que eu queria iniciar uma fundação como parte da empresa.

F: Laurie, existem programas ou projetos específicos que a fundação financiou dos quais você se orgulha?

Laurie Fabiano: Estou particularmente orgulhosa do nosso programa Fellows, porque crescemos substancialmente nos últimos sete anos. Todos os anos, oferecemos oportunidades de mentoria para 50 fundadoras em estágio inicial, uma bolsa educacional, workshops e acesso a uma rede incrível.

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Eu realmente acredito que agora temos o melhor programa para mulheres empreendedoras, e estamos vendo dados que apoiam essa afirmação. Apenas 4,3% das empresas de mulheres nos EUA vão atingir US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) em vendas anuais, 29% das nossas Fellows atingiram esse marco, e esse número cresce a cada dia.

F: Tory, você vem trabalhando o ativismo em seu modelo de negócios há anos. Você pode comentar sobre o estado do ativismo social hoje e onde você gostaria que as pessoas concentrassem seus esforços?

TB: Começar uma fundação sempre fez parte do nosso diálogo interno, e é muito gratificante ver que há uma grande mudança acontecendo em torno dos negócios. As empresas estão sendo medidas por seu impacto e sendo responsabilizadas. As pessoas querem apoiar marcas e fundadores que se alinham com seus valores e representam algo autêntico. Sempre acreditei que as empresas têm o poder de serem veículos incríveis de mudança. Onde quer que uma empresa decida focar seu ativismo, é importante que ela seja consistente e fiel ao seu compromisso e pense no longo prazo.

F: Por que você decidiu fazer o Embrace Ambition Summit?

TB: Há um padrão duplo generalizado em torno da ambição das mulheres. No início da minha carreira, um jornalista perguntou se eu era ‘ambiciosa’, e a palavra me deixou desconfortável. Depois que a entrevista foi publicada, um amigo me perguntou por que eu me esquivei da pergunta e percebi que estava jogando com um estereótipo que tantas mulheres internalizam – que é de alguma forma pouco atraente ou intimidador ser uma ‘mulher ambiciosa’. 

Lançamos nossa cúpula em 2018 para abordar esse duplo padrão e incentivar as mulheres a serem ambiciosas em tudo o que fazem, sejam CEOs ou mães que ficam em casa. Desde então, virou uma plataforma para discutir todos os preconceitos e estereótipos que nos impedem – de raça, gênero, idade, sexualidade e outros grandes problemas que enfrentamos hoje.

Uma coisa que sempre digo é que precisamos trazer mais homens para a conversa sobre as questões femininas, caso contrário nunca faremos progressos. Quando as mulheres são empoderadas, todos se beneficiam.

F: Quais foram seus objetivos específicos para a cúpula deste ano? 

TB: O fato de ainda estarmos falando sobre as mulheres abraçarem a ambição é um indicador claro de que as coisas precisam mudar. Precisamos fazer mais do que conscientizar. Precisamos descobrir as soluções que realmente mudarão a cultura, para que a próxima geração não lide com os mesmos problemas com os quais estamos lidando hoje.

Conversamos sobre todas as questões difíceis que acontecem ao nosso redor – direitos das mulheres, violência armada, um país perigosamente dividido e muito mais. Sou apaixonada por unir as pessoas, encontrar um terreno comum e inspirá-las a agir.

F: Como você escolheu alguns dos palestrantes e temas?

LF: Todos os tópicos giram em torno de preconceitos inconscientes. Os palestrantes foram escolhidos com base em quem melhor comunica esses tópicos. Nosso objetivo era fazer com que as pessoas aprendessem alguma coisa, fossem motivadas a mudar seus próprios comportamentos que pudessem ser influenciados por preconceitos inconscientes e defendessem os outros.

F: Em quais conversas você se inspirou mais?

TB: Foram várias. Estou admirada com a ativista trabalhista Dolores Huerta. Minha amiga Billie Jean King discutiu seu trabalho para empoderar as mulheres por meio do esporte, e Julianne Moore se juntou a nós no palco com um representante da Everytown para falar sobre a reforma das armas.

Ouvimos tanta sabedoria, tanta verdade. Defensores da reforma das armas nos lembrando de que precisamos pressionar por mudanças todos os dias, um atleta paralímpico nos lembrando que não há maneira certa ou errada de aparecer na linha de partida, um refugiado nos lembrando que o mundo pode tirar muito de você, mas não pode levar a sua ambição.

Minha parte favorita era observar todos na multidão e ver suas reações, ver o que falava com eles. Espero que eles tenham saído cheios de esperança, cheios de poder e prontos para abraçar sua ambição.

F: A Fundação está trabalhando em novas iniciativas/programas?

LF: Nosso mais novo programa é o Women of Color Grant Program em parceria com a Fearless Fund e a The Cru, duas organizações que já vinham fazendo um trabalho incrível. Era óbvio que as mulheres negras foram desproporcionalmente impactadas pela pandemia e nossas três organizações conseguiram montar um programa de doações que rendeu dinheiro às empreendedoras rapidamente. Já distribuímos US$ 2 milhões (R$ 10,2 bilhões) em doações e planejamos anunciar outra muito em breve.

F: Que conselho você daria para aspirantes a empreendedoras?

TB: Abrace sua ambição, desenvolva uma visão clara, seja ágil. Tenha uma casca incrivelmente grossa! Lembre-se de que não existe sucesso da noite para o dia e apoie as outras mulheres ao seu redor. Há espaço para todas. Quando você ajuda outras pessoas a brilhar, você brilha.

 

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