Preto Zezé, da CUFA, fala sobre economia digital: "Chegou a hora de sistematizar a inteligência da favela"

Entre as iniciativas da entidade estão a provisão de renda mínima por aplicativo e projetos de conectividade.

Angelica Mari
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O CEO da organização: ampliando o diálogo com a iniciativa privada para criar soluções inovadoras sob o olhar da favela

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Uma das organizações não-governamentais em maior evidência durante a pandemia, a Central Única das Favelas (CUFA) avança para criar negócios em comunidades em parceria com grandes empresas e posicionar a inteligência das favelas como um ativo crucial para a recuperação econômica do Brasil.

Desde a emergência da Covid-19, a CUFA levantou mais de R$ 170 milhões em doações, trabalhando em mais de 5 mil favelas com suas múltiplas iniciativas, que incluem a provisão de renda mínima por aplicativo e projetos de conectividade, tocando aproximadamente 5,5 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade em território nacional.

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Segundo Preto Zezé, presidente da entidade, a pandemia trouxe uma grande mudança para o modelo da organização, baseada na necessidade de mudança da matriz econômica da favela, que tem a economia informal e paralela como base predominante. Ativa há duas décadas, a CUFA passou a atuar em áreas como fornecimento de itens de primeira necessidade – todos os seus espaços físicos foram transformados em centros de logística e distribuição – como parte de seu processo interno de transformação.

“Nunca tínhamos [executado] este tipo de ação, de pedir dinheiro ou alimentos: sempre fizemos nossas ações e tocamos a nossa vida. Mas a pandemia fez a gente mudar nossa articulação de matriz produtiva, transformando nossos espaços”, aponta o líder da CUFA, em entrevista à Forbes.

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A crise também demandou um novo posicionamento, conta Zezé, cuja organização lançou uma campanha de mobilização envolvendo pessoas públicas, lideranças, artistas e influenciadores, assim como empresas. “A ideia é trazer um olhar para a favela como o território mais sacrificado [durante a pandemia], com aumento no desemprego, pequenos negócios que quebraram, de baixa na economia, mas que também concentra muita potência”, conta.

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Neste processo, a CUFA conseguiu juntar uma grande rede de pessoas, muitas delas assistidas pelos programas da organização, que se tornaram lideranças engajadas nas causas de redução da desigualdade e promoção de desenvolvimento econômico para grupos em situação vulnerável. Segundo Zezé, são centenas de ativistas, presentes em localidades desde tribos indígenas no Acre até comunidades no extremo sul do país.

“Temos um um ativo de mobilização e engajamento da sociedade fundamental, que dialoga com os poderes e pauta uma agenda específica”, diz o CEO, acrescentando que lideranças da CUFA entregaram 14 propostas de engajamento a autoridades em diversas esferas governamentais e a grupos empresariais.

No que diz respeito ao trabalho com empresas, entre as diversas companhias que fizeram parcerias com a CUFA nos últimos meses estão a Ticket, Grupo Pão de Açúcar, Magazine Luiza e Volvo. “Se pensarmos em grandes empresas no Brasil, dificilmente encontrará uma que não tenha tido uma relação conosco durante a pandemia”, diz Zezé.

“Nessa aproximação, passamos a conhecer mais o setor privado, e por outro lado as empresas passam a conhecer um tipo de prática diferenciada do terceiro setor – e eu acho que isso traz um contato com inteligências e saberes importantíssimos que o país precisa”, ressalta.

FAZENDO NEGÓCIOS

Com sua rede de mobilização e o diálogo com detentores de poder ampliados, uma das prioridades para a CUFA em 2021 é aumentar a capacidade de fazer negócios por meio de canais digitais.

“Algumas empresas estão passando de doadoras de alimento para desenvolver business com a gente”, diz Zezé, ressaltando o poder de influência da favela na internet e o valor disso para as marcas. “Este é o grande ativo: estar, pertencer, dialogar e ser parte desse território e ser gente nascida e criada nesses lugares.”

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Cerca de 30% de pessoas da favela geram renda através de aplicativos, segundo dados da organização de pesquisa da CUFA com o Instituto Locomotiva, o Data Favela. Segundo Zezé, este elemento compõe um cenário propício para ampliar e fomentar iniciativas de tecnologia na favela para que pessoas fortaleçam seus negócios e também gerem valor para o setor privado.

“Chegou a hora de a gente sistematizar toda a inteligência dessa gente que enfrentou essa pandemia. Vemos isso como tendência: a maior tecnologia será conseguir converter esse movimento de solidariedade nesse momento difícil em uma ação permanente”, aponta. “Temos várias frentes de negócio surgindo, não temos tempo para esperar a pandemia passar: estamos nos virando dentro do olho do furacão.”

Ao longo da pandemia, a CUFA tem desenvolvido “um grande mutirão social de enfrentamento das desigualdades do país”, usando todas as tecnologias às quais tem alcance, tanto para negócios, quanto para apoiar seu trabalho nos âmbitos político, social, esportivo e cultural.

Falando sobre projetos que nasceram na pandemia, Zezé cita exemplos como transferência de renda através do aplicativo PicPay com reconhecimento facial como um dos destaques que permitiu à organização alcançar seus objetivos mais rapidamente e com maior segurança para a população.

“Não tinha fila, não tinha contaminação [pela Covid-19] e o dinheiro ficava ali no bairro, principalmente ia para a mão das mulheres. Isso mostra o poder de tecnologia que ativa a proteção social de crianças, de idosos e deixa o dinheiro no território”, pontua o CEO. “A discussão, portanto, precisa ser sobre como vamos fortalecer e ampliar ainda mais estas redes”.

Segundo Zezé, a dificuldade em implementar estratégias de amplo alcance que atendam às necessidades da favela com tecnologia está relacionada a uma percepção da comunidade enquanto população carente, ao invés de potente. O líder cita Konrad Dantas, mais conhecido como Kondzilla, dono do maior canal do YouTube no mundo, como um grande exemplo.

“[Kondzilla] é um cara que veio de uma favela de Santos, e se tornou o maior canal do planeta de música urbana, e tem muito a ensinar. Mas enquanto não se enxergar esse cara como um grande business, ninguém vai conseguir incorporar e dialogar com essa inteligência. O problema é a lógica atual do Brasil, de negar a inteligência que está vindo desses território”, argumenta.

E continua: “Na medida em que você vira essa chave, começa a ver a produção de cinema, audiovisual, comunicação, negócios, criação de startups. Você começa a ver uma porrada de coisas que, muitas vezes, já estão sendo feitas lá [na favela], sem ter o mesmo rótulo criado pelo asfalto.”

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Um dos grandes trunfos da favela no contexto digital é, segundo Zezé, a comunicação que consegue fazer pontes entre diferentes públicos: “Eu brinco muito com o Celso [Athayde, presidente da Favela Holding e fundador da CUFA] sobre a nossa capacidade de ser poliglota: a gente fala ‘favelês’ pro asfalto e traduz o homem do asfalto pra favela, de forma qualificada e que não se resume ao que vemos no noticiário policial, tragédia, dificuldades, coisas ruins”, ressalta.

Zezé cita mais dados do Data Favela para ilustrar o argumento de que a favela, antes da pandemia, produzia R$ 119 bilhões anualmente, o equivalente ao produto interno bruto do Paraguai e da Bolívia juntos e do Uruguai sozinho – e reforçar a tese de que organizações do setor privado devem se atentar ao potencial dessa população.

“Não estamos falando sobre um território que sofre, que morre, que tem deficiência, e sim de gente trabalhadora, que produz, consome, gera riqueza e agora está precarizado. Inclusive, a saída da recessão econômica do país passa por investir dinheiro nos pequenos negócios dessas pessoas, liberar crédito, apoiar as iniciativas que elas estão realizando, para que as pessoas tenham dignidade”, aponta o líder da CUFA. “Ninguém se sente digno recebendo uma cesta básica: as pessoas querem trabalhar e ter o seu próprio sustento.”

Exemplos de projetos criados pela CUFA que segue esta visão é a agência de live marketing Comunidade Door, que atua nas favelas, e a empresa de micro-influenciadores Digital Favela. “Ao invés de empresas fazerem suas ativações através de um grande artista, ela faz através desse cara que tem a sua mídia de 1 ou 2 mil seguidores orgânicos e leais lá no seu território, que dialoga diretamente com essas pessoas”, explica o CEO. “Além de projetar influência desses locais, [empresas podem] dividir essa renda que ia pra uma pessoa só, para milhares Brasil afora.”

Para além dos projetos comerciais tocados pela CUFA, existe um leque de outras iniciativas relacionadas ao mundo digital lideradas pela entidade, com foco em públicos como mulheres negras, apontadas por Zezé como a camada da sociedade mais prejudicada pela crise. Para atender estas mulheres – que em sua maioria são solteiras, estão com filhos impedidos de ir à escola e, muitas vezes, cuidam de pessoas idosas – a CUFA também lançou mão de tecnologia para preencher algumas das lacunas trazidas pela pandemia.

Com prioridade em atender o recorte específico de mulheres com filhos, a organização criou o Mães da Favela, que compreende a mobilização de recursos financeiros, cestas físicas e digitais, bem como conectividade. Em parceria com empresas como a Claro e o Instituto Me Maker, mais de meio milhão de chips foram distribuídos para mães nos territórios atendidos pela entidade, e um programa de seis meses voltado para o lazer e educação remota de crianças também foi criado.

CONVERGÊNCIA

O Brasil é vítima de uma “síndrome de urna” que impede o foco na agenda de desenvolvimento que realmente interessa, diz o CEO. Para avançar o atual cenário, a CUFA deve continuar a construção do que Zezé define como “espaços de convergência”.

“Temos que mobilizar um grande movimento de engajamento para convergências de alternativa, estamos falando de uma agenda pública, levando em conta que sociedade, governo e setor privado têm a possibilidade de apresentar uma agenda construtiva para o país”, ressalta.

Em relação ao contato com o ecossistema de inovação, Zezé diz que a CUFA tem trabalhado para oferecer a possibilidade de empresas – como as do cluster tecnológico da região da Avenida Faria Lima, em São Paulo – conhecerem o ambiente de negócios e tecnologias sociais que a favela desenvolveu nesse período da pandemia.

“Vamos resolver [com as startups] questões da educação, saúde, dos negócios nas favelas, no sentido dessa nova realidade, pois a pandemia não acabou, e continua mais forte do que nunca; o desemprego chega aos 14 milhões de pessoas, há a dificuldade enorme da questão sanitária e a incerteza sobre o auxílio emergencial”, ressalta o CEO da CUFA.

“Neste ambiente super incerto, também há muita mobilização e oportunidades de inovação. Dali, sairão iniciativas muito importantes para o país”, acrescenta Zezé. “Inclusive, temos que pensar que, a qualquer momento, um unicórnio pode surgir na favela.”

Os diversos prismas da agenda de desenvolvimento da organização também incluem a capacitação da favela para a economia digital, e um movimento de “hackear” o conhecimento dos stakeholders da rede da CUFA para adaptação às realidades da favela.

“O mercado para desenvolvedores, por exemplo, é uma área de crescimento fortíssimo, mas é algo ainda que parece que não é pro nosso povo: ainda tem gente oferecendo curso de serigrafia [na favela]. Não sou contrário a essa atividade profissional, todo trabalho é digno, mas há uma outra demanda, outras ambições, outra perspectiva”, aponta Zezé. “O Brasil tem que virar a chave se quer realmente se desenvolver: não é mais possível se comportar como um país analógico.”

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O QUE MAIS ME CHAMOU A ATENÇÃO NESTA SEMANA:

NOVA FASE

Crédito: Raul Spinassé
Raul Spinassé

Crédito: Raul Spinassé

Itala Herta, cofundadora da Vale do Dendê, concluiu seu ciclo na aceleradora baiana. A empreendedora soteropolitana agora está totalmente focada na DIVER.SSA, startup focada em fomentar o empreendedorismo feminino de impacto social nas regiões Norte e Nordeste.

“Este processo de transição tem sido muito saudável, tranquilo e surpreendente em muitos aspectos”, disse Itala com exclusividade a esta coluna.

Itala refere-se ao crescimento obtido desde a ideação da empresa há dois anos, e os diversos clientes de peso que já fazem parte do portfolio da startup, como Google, JP Morgan, Discovery Brasil e Ambev. “Isso é um termômetro muito bom de respeito e consolidação do trabalho que temos feito”, pontua.

Outro grande cliente da empresa de Itala é o Itaú, que fechou com a startup em setembro de 2020. A parceria com o banco deu origem ao programa Itaú Mulher Empreendedora + DIVER.SSA, que tem o o objetivo de fomentar o empreendedorismo feminino, englobando perfis diversos de mulheres, incluindo mulheres negras e indígenas, e seus contextos interculturais e vulnerabilidades sociais.

O programa com o Itaú também compreende uma aceleração de apoio a micronegócios, que busca estimular, impulsionar e aprimorar o conhecimento de mulheres que lideram suas pequenas empresas, através da transmissão de informações sobre gestão e possibilidades de expansão dos negócios, com a meta de impulsionar crescimento de forma sustentável.

Além disso, a iniciativa também traz um componente de investimento, etapa posterior aos ciclos de pré-aceleração e os três meses de aceleração. O processo para as dez mulheres participantes, que termina em 12 de fevereiro, culmina com o anúncio das selecionadas para o recebimento do recurso. Do total de empreendedoras aceleradas, cinco encerrarão a jornada com capital semente fornecido pela DIVER.SSA, no valor de R$ 10 mil.

“Deixaremos estas mulheres aptas a acessar crédito, bem como um aprendizado sobre o que é investimento de impacto. As mulheres já estão prontas, e só precisam ter acesso a capital”, diz Itala, que quer reforçar a atuação da DIVER.SSA como plataforma de investimento e conexão para mulheres. “Precisamos diluir a mentalidade de que as mulheres só tem que ser treinadas.”

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RESULTADOS

A aceleradora britânica de inovação corporativa The Bakery tem resultados animadores para mostrar no Brasil. A empresa fundada em 2012 pelos empreendedores e investidores ingleses Andrew Humphries e Tom Salmon foi trazida para o Brasil em 2017, e abriu números da atuação desde o início das operações locais, com exclusividade para esta coluna.

Nestes três anos de atuação em território brasileiro, a filial brasileira liderada pelos sócios Felipe Novaes e Marcone Siqueira, afirma ter firmado contratos com 20 clientes, incluindo nomes como Grupo Fleury, Johnson & Johnson, Banco Itaú, Banco Pan, GSK e CCR.

A The Bakery oferece três opções de programas corporativos: é possível firmar parcerias com as startups no modelo Partner, desenvolver uma startup própria no programa Build ou até adquirir startups que atendam às demandas da organização, no modelo Buy, que ainda não gerou aquisições.

Segundo a empresa, o tíquete médio dos novos contratos aumentou em 100%: antes, as empresas contratavam um único programa para testarem a abordagem de inovação aberta, e agora estão investindo mais e buscando novos formatos ampliados, com programas híbridos e diferentes desafios de inovação, bem como novas metodologias de trabalho.

Para atender seus clientes no Brasil, a empresa diz ter mapeado mais de 5 mil startups nacionais e internacionais que, de alguma forma, endereçam os desafios mais estratégicos das empresas. Como resultado deste funil, mais de 150 startups já apresentaram suas propostas para companhias brasileiras, pelo menos 70 iniciaram testes e cerca de 30 já estão trabalhando com corporações.

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DOAÇÃO

O fundador da Movile e presidente do iFood, Fabricio Bloisi, fez uma doação milionária para a construção da nova fábrica de vacinas do Instituto Butantan, em São Paulo. O acordo prevê a doação de R$ 5 milhões e foi firmado ontem (27), em reunião com o governador João Doria, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Bloisi, que defende a inclusão de entregadores que trabalham através de aplicativos de delivery em um grupo prioritário para a vacinação, deve fazer outra doação em breve, no mesmo valor, para a construção da fábrica de vacinas da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

Para além da ação focada na atual crise sanitária, o fundador do iFood tem falado sobre sua motivação de posicionar sua companhia como referência em termos de impacto positivo na sociedade, em áreas como educação e segurança alimentar. A Fundação 1Bi, do Grupo Movile, quer educar 1 milhão de pessoas até o final de 2021, com investimento previsto de cerca de R$ 460 mil.

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DAVOS

DivulgaçãoAdriana Barbosa, fundadora e CEO da Feira Preta, e Eduardo Lyra, da Gerando Falcões, estiveram entre os participantes de uma mesa sobre o papel do empreendedorismo social brasileiro, parte da Agenda Davos 2021. No evento, promovido pela Fundação Schwab, braço social do Fórum Econômico Mundial, e pelo jornal Folha de São Paulo, que também teve a participação de Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, e Patricia Ellen, secretária de desenvolvimento econômico do estado de São Paulo, os empreendedores falaram sobre suas ações e desafios.

Adriana falou sobre os impactos da transformação digital junto à empreendedores negros, em particular mulheres acima dos 50 anos: “Em um momento em que todos consomem em um contexto online, vimos que a população negra é distante do processo de letramento digital, e em muitos momentos também distante do acesso à tecnologia”, disse, referindo-se à desafios que empreendedores negros enfrentam, como acesso à internet. Adriana busca preencher estas lacunas com seu espaço PretaHub, no centro de São Paulo, cujo foco é a transformação digital de empreendedores, que tem acesso à infraestrutura para atividades como produção de conteúdo online.

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Durante o evento, Lyra falou sobre seu projeto de cestas básicas digitais, que chegou em centenas de favelas no Brasil e alimentou 500 mil pessoas, aplicativo que fornece internet gratuita e endereça o gap educacional com reforço escolar, além de iniciativas de microcrédito para nanoempreededores, em parceria com grandes empresas. “Nosso trabalho mostra a força da sociedade civil, da iniciativa privada, das ONGs e de governos trabalhando juntos para a redução da desigualdade”, apontou. “Isso também mostra o quão ONGs, que por muito tempo foram marginalizadas, são poderosas, eficientes e capazes de trabalhar com dados, inovação social e tecnologia e capacidade de execução na ponta.”

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HOME OFFICE FOREVER

A edtech mineira Hotmart instituiu nesta semana o trabalho remoto permanente. O modelo vale para todos os escritórios da empresa, baseados no Brasil e na Holanda, Espanha, Estados Unidos, México, Colômbia e França. No novo modelo de trabalho, também serão ofertadas 400 vagas para a contratação de novos desenvolvedores.

Segundo o CEO e cofundador da Hotmart, João Pedro Resende, os mais de 800 funcionários da empresa estão dispensados de ir aos escritórios para trabalhar, e todos os eventos internos obrigatórios da empresa continuarão sendo online. Porém, os locais físicos continuarão a existir e serão incrementados. “Nossa ideia é criar escritórios tão incríveis que, mesmo sem obrigatoriedade, muitos vão querer estar lá, próximos uns dos outros. Mas isso não será uma imposição da empresa”, afirma.

No início da pandemia, Resende fez um relato à esta coluna, em primeira pessoa, sobre os desafios de liderança que surgiram durante a crise, bem como as medidas que a empresa tomou para reduzir o impacto do home office na vida dos funcionários, em sua maioria jovens e acostumados a colaborar e interagir no ambiente físico. “O desafio era grande, desconhecido, mas alguma coisa precisava ser feita”, disse o empreendedor à época.

O modelo segue a decisão de outras startups, como a Zee.Dog, que instituiu o home office permanente no ano passado e utiliza um modelo de semana de trabalho reduzida, de quatro dias por semana.

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Angelica Mari é jornalista especializada em inovação e comentarista com duas décadas de atuação em redações nacionais e internacionais. Colabora para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC e outros. Escreve para a Forbes Tech às quintas-feiras

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