G10 Favelas anuncia banco para impulsionar desenvolvimento de negócios nas comunidades

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Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas: crédito existe, mas não chega às comunidades

O G10 Favelas, iniciativa de empreendedores de impacto social e líderes das dez maiores comunidades brasileiras que, juntas, movimentam cerca de R$ 7 bilhões por ano, acaba de criar o G10 Bank Participações, empresa de desenvolvimento para fomentar o comércio das favelas, oferecendo meios de pagamento, linhas de microcrédito, seguro e até maquininhas de cartão.

Com capital inicial de R$ 1,8 milhão obtido com investidores, a medida surge da necessidade de promover a inclusão social e financeira, proporcionar incremento de renda aos empreendedores e formação nas duas áreas, além de estimular a geração de emprego nas comunidades em um momento em que a continuidade do auxílio emergencial é incerta. O objetivo é fazer uma segunda rodada de captação para chegar a R$ 20 milhões e, assim, ajudar também comunidades que não fazem parte do grupo.

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De acordo com o Instituto Locomotiva, as favelas movimentam, anualmente R$ 168 bilhões por ano no país. Apesar disso, ainda existem 45 milhões de brasileiros desbancarizados, grande parte deles da periferia. Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas e CEO do G10 Bank Participações, diz que o crédito existe no mercado, mas não chega às favelas por causa da burocracia e dos altos juros. “O banco faz parte de um pacote de serviços e benefícios. Proporcionar à favela esse processo de inclusão é fomentar o comércio local”, diz ele.

Só nas comunidades do grupo são 125 mil comércios, segundo um estudo realizado em 2020 pelo Outdoor Social Inteligência, que geram 15 mil empregos e um grande potencial de consumo. A carioca Rocinha, por exemplo, movimenta, sozinha, R$ 1,07 bilhão. As favelas paulistanas Heliópolis e Paraisópolis, R$ 577 milhões e R$ 578,6 milhões, respectivamente.

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Com consultoria de Jerônimo Ramos, especialista em microcrédito e vice-presidente da Avante Micro Finanças, o G10 Bank Participações vai oferecer aos clientes empréstimos, financiamentos e desconto de títulos de crédito voltados inicialmente para microempreendedores individuais, microempresários e donos de empresas de pequeno porte – existem, atualmente no país, cerca de 40 milhões de empreendedores que vivem na informalidade, às margens do sistema financeiro tradicional. Além de juros de crédito rotativo mais baixos em relação às outras instituições, a iniciativa também prevê mentorias.

Uma das premissas é que a iniciativa seja sustentável. Por isso, haverá um trabalho mais direcionado para o empoderamento das mulheres negras, que são majoritariamente mais afetadas pela recusa de crédito formal e que sentiram de forma mais severa os efeitos da pandemia de Covid-19 e do isolamento social. Assim, espera-se uma geração de renda para investimento na educação dos filhos.

Também está previsto que parte do lucro obtido pela instituição será revertido em ações sociais como cartão benefícios, cestas básicas e outros itens, buscando apoiar as famílias mais necessitadas.

As primeiras operações de microcrédito estão previstas para começar até o final de fevereiro, quando serão liberados os primeiros 10 aportes para mentoria, divididos igualmente entre Heliópolis e Paraisópolis. Até o final do ano, a meta é selecionar 120 empreendedores.
“O principal propósito dessas inovações e do G10 Bank é gerar prosperidade e inclusão financeira. A melhor forma de transformar e ajudar o Brasil nessa crise é colocar dinheiro no bolso das pessoas e levar oportunidades, acreditando em seus sonhos, oferecendo formação e permitindo que elas empreendam. Isso gera um comércio mais fortalecido na comunidade, empregos e circulação de recursos, criando perspectivas de futuro em um local onde as pessoas tendem a só olhar violência e marginalidade”, finaliza Rodrigues.

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